Lisboa – A exoneração prematura do secretário para os Assuntos Económicos do Presidente da República, Lopes Paulo é exposta em meios competentes que acompanham o assunto como tendo decorrido no seguimento de ausência de decoro envolvendo o gabinete do ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico, Manuel José Nunes Júnior.

*Paulo Alves
Fonte: Club-k.net

PRESIDENTE  APAZIGUA HOSTILIZAÇÃO NA EQUIPA ECONÓMICA   

Apesar de ter estado a trabalhar no palácio presidencial, na verdade o secretário para os Assuntos Económicos do Presidente, deixou de ter acesso directo ao Gabinete do Presidente da República, na sequencia de alegados bloqueios que vinha tendo. Corre no palácio que algumas vezes em que solicitou audiência para actualizar o   Chefe de Estado sobre as missões que lhe eram confiadas, as secretarias de Edeltrudes Costa colocavam-lhe empecilhos.  Via-o  apenas nas reuniões alargadas do Conselho de Ministros.


Ingressado no palácio presidencial desde  Julho de 2019, Lopes Paulo era até a data administrador executivo de um banco privado em Angola e ao mesmo tempo docente da Universidade Metodista de Angola (UMA). Esteve perto de ser nomeado para funções de direção no ministério da agricultura, quando o Presidente João Lourenço decidiu chama-lo para servir o seu gabinete como secretário para os Assuntos Económicos.


Segundo apurações, poucos meses após a sua nomeação apresentou a João Lourenço um projecto econômico que visava cortar ou reduzir algumas importações (com realce a carne e frango) trazendo á Angola agricultores  Zimbabuenos que por sua vez entrariam com um financiamento externo de cerca de 2 bilhões de dólares americanos que seriam pagos em 30 anos.


O referido projecto entrou em ação, porém há informações segundo as quais, o ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico, Manuel José Nunes Júnior, decidiu mais tarde que este projecto agrícola (que previa a produção de carne e frango localmente) deveria passar para as mãos do Secretario para o Sector Produtivo do Presidente da Republica, Issac Francisco Maria dos Anjos em detrimento de Lopes Paulo.


Em finais do ano passado, foi também confiado ao mesmo secretario presidencial Lopes Paulo missões  para  estabelecer contactos  com o governo do Tchad para  saldar  uma divida de 100 milhões de dólares que este país tinha para com Angola. Lopes Paulo terá convencido de que ao invés de “dinheiro”, o Tchad poderia providenciar a Angola cabeças de boi a serem enviadas de forma faseada. Nas negociações na qual constavam peritos do ministério da agricultura de Angola fez-se cálculos de que o Tchad enviaria os lotes  fazendo com que cada cabeça de gado pudesse estar ao equivalente a 300 dólares americanos com transporte pago pelo país  vendedor. 


Fontes do ministério da agricultura disseram ao Club-K, que no decurso das negociações, este grupo liderado pelo secretario presidencial foi refeito  pelo ministro de Estado, Manuel Nunes Júnior que decidiu ele próprio liderar  as negociações. Com o afastamento do grupo negocial de Lopes Paulo, a nova equipa para negociação da divida com o Tchad, passou a ser constituída pelo ministro Manuel José Nunes Júnior, pelo diretor de gabinete do PR, Edeltrudes Mauricio da Costa e o governador do BNA, José de Lima Massano.

 

Com a entrada em campo desta nova  equipa negocial, a edição de 16 de Março do Jornal de Angola reportava, o envio por parte de Tchad de 75 mil cabeças de gado que dividido  aos valor da divida, cada cabeça de boi (incluindo o transporte) passava a custar USD 1300. Fontes do ministério da agricultura que acompanham o assunto não conseguiram explicar a  inflação ocorrida, que levou com que cada cabeça de boi passasse de USD 300 (preço negociado por Lopes) a USD 1300 (preço negociado por Nunes Júnior).

 

Com a negociação feita, fontes consultadas alegam que neste caso,  o Governo do Tchad acabou por sair a ganhar ao vender a Angola  cada cabeça de  boi por USD 1300.


Ocorrendo de que o seu secretario econômico estaria a ser misteriosamente afastado de todas as tarefas que lhe eram confiadas, o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, chamou no passado dia 4 de Maio toda a equipa econômica do governo para ouvir e entender o porquê de tanta hostilização contra o seu assessor.

 

Para preserva-lo das feras, do seu governo, Lourenço achou por bem reserva-lo para uma outra função governativa a ser anunciada em breve, e em seu lugar colocar Victor Hugo Guilherme, que estava colocado como assessor econômico junto ao gabinete do Vice-Presidente, Bornito de Sousa Baltazar Diogo.


Até a data da sua saída, Lopes Paulo conduzia o denominado projecto  Kwenda, destinado ao reforço do combate à fome e à pobreza, lançado no passado dia 30 de Maio na província do Zaire. Orçado em 420 milhões de dólares norte-americanos, dos quais 320 milhões financiados pelo Banco Mundial e os restantes canalizados pelo tesouro nacional, o projecto Kwenda prevê realizar a partir do próximo mês de Julho, a transferência monetárias às famílias vulneráveis.


Depois de Sérgio Luther Rescova Joaquim, o economista Lopes Paulo tornou-se no segundo dirigente que num espaço de uma semana o Chefe de Estado, salvaguardou  de climas de hostilizações no regime. Luther Rescova que era governador de Luanda foi transferido para o Uíge depois de ter estado a ser “combatido” por uma corrente do Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do MPLA citada como estando interessada em “controlar” o Comité Provincial do partido em Luanda.


Com a transferência de Sérgio Luther e a  provável futura acomodação de Lopes Paulo, o Presidente João Lourenço é dado como estando inclinado  a trazer para posição de governação provincial uma nova geração de quadros do partido da linha de Bangula Kutumúa, João Diogo Gaspar ou mesmo Ermelindo Pereira como putativo candidato para chefe do governo na  Província do Cuanza Norte, em substituição de Adriano Mendes de Carvalho.

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