Luanda - Desde o aparecimento das armas nucleares nos finais da segunda guerra mundial, a ameaça a humanidade começou a entrar na agenda global das organizações internacionais. Uma possível guerra nuclear era o cenário mais desagradável e que o mundo mais temia, que colocaria a existência da humanidade sobre grave ameaça. Teríamos então em sede da política internacionais a politica de olhos nos olhos, dentes nos dentes com o esteio do sólido argumento clássico da guerra preventiva. Os ataques em Nagasaki e Hiroshima pelos americanos, foi o ponto mais alto de escala militar cuja capacidade de danos criados naquela geografia, engendrou na ordem mundial a insegurança partilhada. A Covid-19 veio provar que existem outras ameaças de dimensão global, que podem colocar todos Estados em paridade de circunstâncias, tal como a capacidade de mútua destruição que as guerras nucleares representam.

Fonte: Club-k.net

A crise sanitária da Covid-19 ficará na história da memória colectiva das gerações dos finais do século XX e de todo século XXI. As anteriores crises sanitárias de enorme cunho histórico e de maior magnitude quer pela sua capacidade de transmissão como sua letalidade remontam nos séculos I a.C. e princípios do século XX. São elas: à Variola (430 a.c, com segunda vaga nos séculos II e III); Peste negra ou bubónia (1347 e 1353) e a Gripe Espanhola (1918 e 1920). Elegemos essas pelas consequências económicas, sociais e sanitárias criadas à medida do seu contexto. Portanto, as gerações acima referidas nunca enfrentaram nada igual. Um dos registos marcante que a pandemia da covid-19 vai deixar, é a sua dispersão geográfica, pelo facto de se espalhar a totalidade dos países do mundo. As crises sanitárias já mencionadas, afectaram territórios bem delimitados e que não chegou a atingir a maioria dos Estados.


As sociedades dos séculos XX e XXI sofreram rápidas evoluções tecnológicas quer em termos de meios de mobilidade como ao nível de relações inter-estatais, continentais e internacionais. Os Estados deixaram de ser os únicos actores das relações internacionais. Isso explica muito bem a natureza da volatilidade da pandemia que enfrentamos. Hoje um vírus infeccioso transita de um lugar para outro a velocidade de um avião Boeing 777 ou de um Airbus A320, aeronaves mais rápidas do mundo. Na verdade o novo coronavirus veio expor muitas vulnerabilidades da humanidade. Todavia, existem outros perigos gritantes e graves à existência do homem na terra que não tem merecido consideração de todos, e que muitos deixam passar pelas nuvens brancas, sem qualquer interesse em juntar esforços colectivos para pôr termo.


A maior ameaça da humanidade é a crise ambiental. A intervenção do homem na natureza tem sido cada vez mais destrutiva, degradando assim os ecossistemas e as diversas componentes vitais que suportam a vida do homem na terra. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC sigla inglesa) órgão criado pelas Nações Unidas que avalia cientificamente as alterações climáticas tem publicado vários relatórios que dão conta da evolução das alterações climáticas nas últimas décadas. As indicações mais frequentes são: aumento do nível da água do mar, aumento das temperaturas causando seca, incêndios, grandes quantidades de chuvas, falta de água potável etc. As crises ambientais são as doenças da natureza que serão difíceis de se combater a um curto espaço de tempo. As catástrofes naturais não carecem de uma vacina ou qualquer solução médica e são mais virulentas que qualquer outra pandemia. Advertência feita pela (IPCC) e outras instituições ligadas a protecção ambiental, é que as temperaturas estejam abaixo de 2 ºc (graus célsius) conforme o compromisso dos Acordos de Paris assinado por 195 Estados em 2015. Mas essa meta está cada vez mais longe da realidade pois muito se confunde fenómenos aparentes com tendências reais.


A revolução industrial apesar de crucial dado crescimento demográfico, também trouxe consigo imperiosos desafios para as sociedades. A EUA e China estão a frente da lista dos países mais industrializados e por sua vez são os mais poluentes. O Presidente Americano Donald Trump em Junho de 2017 anunciou que vai retirar os EUA do Acordo de Paris, saída que será oficialmente formalizada em Dezembro de 2020. Como apontou Noam Chomsky “das várias nações poderosas, os EUA é entre os vários poderosos que não possui uma política nacional de restrições do uso de combustíveis fosseis e metas de energias renováveis. Não é que não existe planos de protecção ambiental no interior do governo americano, mas caso exista, são logo bloqueados pelos interesses comerciais. Acrescenta Chomsky, que 40% da opinião pública dos EUA não leva a sério o aquecimento global porque acreditam que em 2050 Jesus Cristo voltará a terra. Portanto, segundo o autor há outras crenças assustadoras, como a de um chefe de uma Subcomissão do meio ambiente, que explicou, “que o aquecimento global não pode ser de facto um problema porque Deus prometeu a Noé que não haverá outro dilúvio universal”. Essas ilusões óticas é que abrem caminho para à corrida rumo ao desastre ambiental.


A solução mais aceitável também não é aquela loucura protagonizada pelos Ecosexuais. A Ecosexualidade é uma nova opção sexual que fazem da natureza o parceiro amoroso e sexual com rituais e celebrações de casamento. Como descreve Stefanie Iris Weiss uma defensora desse movimento, que a ideia é ajudar as pessoas a terem suas vidas sexuais neutras em carbono para evitar as indústrias de preservativos, lubrificantes e outros utensílios sexuais a se absterem do seu fabrico. Dessa forma, entendem eles que estariam a combater o impacto ambiental. Para o activista Morgan, recomenda pensarmos a «Terra» como amante e não como a «Mãe», porque segundo ele, se não cuidarmos da nossa mãe, ela nos perdoa mas se não cuidarmos da nossa amante ela acaba connosco. Entretanto, esse é primeiro passo que ele exorta para darmos seriedade merecida à crise ambiental. Embora uma opção pouco ortodoxa para o combate a destruição ambiental, mas nas entrelinhas fica uma mensagem muito clara deste movimento.


O Nobel da Economia Joseph Stiglitz, alerta que se os EUA continuarem a ignorar a situação do clima, os custos serão globais. Existe uma noção na elite Republicana uma espécie de compromisso de fé, que o aquecimento global é um embuste esquerdista. Fazem uma fuga a realidade concreta sobre ameaça global com a destruição ambiental, minimizando seu impacto para maximização dos lucros económicos.

 

Estudos apontam que na terra 97% da água é dos oceanos (água salgada) e apenas 3% é que é água doce. Como observa o Professor Massuela, no porvir a água é o recurso de potenciais conflitos, ou seja as guerras do próximo século vão ser por causa da água, segundo o Banco Mundial cita o Professor. A escassez da água tem como factor o enfraquecimento dos ecossistemas provocado pela degradação ambiental. Um exemplo muito próximo foi a elevada escassez de água na Cidade do Cabo na África do Sul em 2017 e inicio de 2018. O outro exemplo mais familiar é a situação das populações do sul do país, que sempre é afectada pela estiagem fruto da progressão desértica. Entende o Prof. Massuela, que a água é um instrumento de Poder para os países a montante uma vez que têm influencia considerável sobre os países a jusante. Outro exemplo de destaque que vale citar, são as altas temperaturas que se registam na Índia chegando aos 50ºc causando vítimas mortais pela insolação e seca. No entanto esses e outros exemplos, demonstram claramente que o planeta terra está em decadência.

 

A crise económica e social imposta pela Covid-19 adensou a corrida das grandes potências na recuperação da economia mundial. Essa recuperação económica não deve ser feita na velha máxima maquiavélica “os fins justificam os meios” sob pena de sustentarmos a maior ameaça que a humanidade pode vir a ter. Seriamos nós mesmo a lutar contra nossa extinção. Disse recentemente o Papa Francisco “o planeta está a ser saqueado e violado pela ganância e muitas vezes em nome do progresso”. Neste ínterim, o mais sensato é que tudo se opera dentro dos limites exigidos sobre a protecção ambiental, com menos emissões de gases de efeito estufa. Os Estados e demais entes internacionais devem conjugar esforços isolados e integrados para mitigação da destruição do meio ambiente.

 



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