Luena - Nos últimos tempos, quando temos vindo a analisar os debates na esfera pública Luenense, muitas coisas nos têm chamado atenção, fundamentalmente, a natureza dos assuntos que têm merecido atenção da sociedade.

Fonte: Club-k.net
Há uma frase muito conhecida, que combina com o que tencionamos abordar. “Cada povo tem o governo e o tipo de governação que merece”.

Esta frase, nos ensina que o tipo de país, ou de forma particular, de província que temos é o resultado das acções de cada um de nós.

Se pretendemos ter um país sério e desenvolvido, com uma governação virada à justiça social, é necessário que se tenha uma opinião pública forte, ciente e exigente. Ou seja, é importante que cada um participe activamente na vida da sociedade.

Devemos reconhecer, que nos últimos tempos surgiram, mesmo de forma tímida, alguns grupos de pressão, que têm vindo a participar de forma activa na governação da província, mas ainda assim, a Opinião Pública, no Moxico, continua fraquíssima.

Há uma outra frase, também popularmente conhecida, que expressa esta realidade: “O que incomoda não é o barulho dos maus, mas sim, o silêncio dos bons”.

Quantos de nós temos reivindicado os nossos direitos, quando eles são violados?

Jurgen Habermas, ao abordar o surgimento da esfera pública, numa das suas teorias sociológica, dizia que os cidadãos se comportam como corpo público quando se comunicam de maneira irrestrita sobre assuntos de interesse geral.

Para compreendermos a importância deste fenómeno, vamos exemplificar com a forma de como a Opinião pública de Portugal foi fundamental para a queda do regime Salazar, que consequentemente permitiu a independência das suas colónias.

Outro exemplo para ilustrar o impacto da opinião pública, é a renúncia do então Presidente dos EUA, o republicano Ricardo Nixon, que depois de vários escândalos, relativamente ao caso Watergate, viu-se forçado pela Opinião Pública a renunciar o cargo de Presidente da maior potência mundial.

Sem falarmos da pressão imposta à administração G. Bush que se viu obrigada a retirar a tropa norte-americana do Iraque, pelo facto dos cidadãos daquele país classificarem como injustiça e desnecessária a referida guerra.

Talvez esteja a ir longe de mais para trazer factos exemplificativos. Um acontecimento real sobre este assunto é o impacto que a acção do mediático caso 15+2 teve na esfera pública nacional, que directa ou indirectamente quebrou o desejo do ex-presidente da República, José Eduardo dos Santos, continuar no poder.

Entretanto, estes exemplos são para enfatizar a importância da opinião pública no crescimento, desenvolvimento de qualquer sociedade e na tomada de decisão dos dirigentes, líderes, políticos…

Talvez, seja o momento de começarmos a repensar, posicionar melhor os nossos discursos e debates, principalmente nas redes sociais, priorizando sempre assuntos relevantes, de modo a transformarem as mentes e a sociedade em geral, e nos descartarmos de coisas picuinhas.

Vamos direccionar os nossos discursos em coisas concretas e não abstractas, sem sistematização, vamos falar sobre a falta de estradas, de possíveis casos de corrupção, do analfabetismo, do desemprego, entre outros males que afectam a nossa província.

Tendencialmente, os políticos colocam na esfera pública assuntos que lhes convém que sejam discutidos com o intuito de distrair atenção da sociedade, na abordagem de factos sensíveis e realísticos, daí a necessidade de redobrarmos a nossa atenção.

Precisamos de ter coragem em apoiar o governo e outras forças, quando pautam pelo bem, assim como criticarmos de forma aberta e urbana quando não há resultados esperados, porque este é o primado da verdadeira democracia.

O que o Moxico ganharia se tivesse uma Opinião Pública igual a de Benguela, da Huíla, ou então a do Kwanza Sul, que não se cala perante as injustiças?

No nosso entender, se tivéssemos uma Opinião Pública informada, exigente e comprometida com o interesse geral da província, teríamos o Moxico um pouco melhor do que agora.

*Jornalista



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