Luanda - O músico angolano Matias Damásio está a ser apontado em meios de produtores musicais em Luanda, como tendo se revelado “minimizado” na condução dos trabalhos para concepção do “Hino do 45º Aniversário da Independência Nacional” em que recentemente integrou sem papel de destaque.

Fonte: Club-knet

Músico critica “política de migalhas”

Segundo explicações no passado era a Damásio a quem as autoridades – por intermédio do general Dino de quem é ligado - confiavam a coordenação de certas agendas de cariz cultural e outras de exaltação ao nome do antigo Presidente José Eduardo dos Santos (JES), a quem ele dedicou uma música, antes de romper com a família Dos Santos.

 

Para este ano de 2020,  a Comissão Interministerial para a Organização das Acções Comemorativas alusivas ao 45º Aniversário da Independência Nacional coordenada pelo chefe da Casa Civil, Adão de Almeida resolveu fazer um concurso público ao invés de confiar diretamente o trabalho a músicos ligados as campanhas do MPLA.

 

A Karga Eventos, empresa do artista angolano Big Nelo, venceu o concurso para a concepção do Hino do 45º Aniversário da Independência Nacional e do respectivo videoclipe. Segundo o director da Karga Eventos, após ter apresentado uma proposta à Comissão, foi aceite. “O Hino já está concluído e conta com a participação de 20 artistas, devendo ser lançado ainda esta semana. Tentamos equilibrar a origem dos artistas do Norte, Sul, Este e Oeste de Angola”, salientou.

 

Na concepção do Hino, informou, a Karga Eventos citada pelo Jornal de Angola contou com a participação dos músicos Gabriel Tchiema, Bessa Teixeira, Calabeto, Filipe Mukenga, Patrícia Faria, Ana Joyce e Yola Araújo. Participaram, igualmente, artistas a representar o estilo Kuduro (Nagrelha e Noite e Dia), Rap( a Eva Rap Diva e Sandocan) e da nova geração CEF e Rui Orlando.

Fonte do Club-K, explicou que Matias Damásio foi chamado pela Karga Eventos, apenas como um simples cantor emprestando a sua voz no “Hino do 45º Aniversário da Independência Nacional”, mas sem papel de produção ou de coordenação do projecto.

 

Nesta sexta-feira (19), Matias Damásio falou ao Jornal de Angola sobre a situação actual dos músicos últimos meses, devido à Covid-19 levando ao congelamento de várias actividades artísticas e culturais, criando avultados prejuízos financeiros aos criadores, produtores e agentes nacionais.

 

Para o cantor, é urgente que se revejam as políticas de apoio e massificação das artes, fundamentalmente as ligadas à criação de uma indústria cultural. Mesmo reconhecendo a existência, nos últimos anos de uma melhoria no ambiente cultural, ainda assim o cantor espera ver um maior envolvimento do Estado, “de forma a garantir o crescimento do sector, em benefício da classe artística”.


O sector cultural nacional, defendeu Matias Damásio, sempre foi relevante na mobilização e sensibilização das comunidades, em especial, sobre os principais problemas que as afectam, por isso, nesta fase difícil, deveria estar a viver de uma “política proteccionista”. Uma das sugestões do cantor é a criação de um fundo de apoios aos artistas mais necessitados. “Outras medidas poderiam ser a isenção de impostos, por um determinado período de tempo, como está a acontecer com outros sectores sociais”.

 

Para Matias Damásio, a “política de migalhas” continua a não resolver a situação da classe. “O Estado não deve dar apenas quando há uma situação de precariedade, mas sim criar políticas para a promoção do auto-emprego, capazes de despertar o espírito empreendedor, essencialmente nos promotores culturais, ainda com dificuldades para acederem ao crédito bancário”, disse.

 

 



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