Lisboa - O antigo presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), José Tavares Ferreira, agora dedicado aos negócios privados é a personalidade no regime do MPLA, com maior influencia junto ao Governo provincial do Bengo sendo descrito como ligado a interesses implementados nesta província que animaram recentes investigações pela PGR.

* Paulo Alves
Fonte: Club-k.net

Empresas familiares favoritas para obras de construção 


José Ferreira Tavares e a governadora provincial Mara Regina da Silva Baptista Domingos Quiosa tem o percurso político interligados, e relações familiares. Mara Quiosa é filha de uma prima-irmã de Tavares, Maria de Jesus Santiago Fernandes da Silva Baptista. Quando em Março de 2008, José Tavares Ferreira fora nomeado administrador municipal do Sambizanga, escolheu Quiosa, na altura funcionaria bancaria, para trabalhar como sua Directora de Gabinete do Municipal.


Tavares era, na altura, uma figura em ascensão e considerado pelo antigo Presidente José Eduardo dos Santos, por conta de um tio seu Mário Santiago, que fora correligionário de JES. Ao ser nomeado presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), depois de deixar Sambizanga, Tavares propôs Mara Quiosa para se tornar administradora municipal. Esta mais a frente, ascendeu a Vice-Presidente da CACL, já com Higino Carneiro como governador de Luanda.


Para além da governadora Mara Quiosa, o executivo provincial do Bengo acolhe também, um dos mais importantes homens de confiança de Tavares, o engenheiro Agostinho da Rocha Fernandes, que fora seu adjunto na administração do Sambizanga, e no CACL.


Em 2014, quando José Tavares Ferreira enfrentou um braço-de-ferro com o seu então arquirrival, Bento Francisco Bento, o segundo perderia a batalha ao ver-se imposto pelo palácio presidencial, a figura de Agostinho da Rocha Fernandes como seu “vice” governador de Luanda para os serviços técnicos e infra-estruturas.


Em Dezembro de 2019, a governadora Mara Quiosa propôs ao Presidente João Lourenço, a nomeação de Agostinho da Rocha Fernandes da Silva como vice governador do Bengo para os serviços técnicos e infra-estruturas. Apesar de a nomeação ter saído no final do ano passado, Agostinho da Silva já ai exercia tarefas de assessor da governadora. Ambos trabalharam juntos na administração municipal Sambizanga. Mara como diretora de gabinete de Tavares e Agostinho como chefe de Repartição dos Serviços Técnicos do Município.


A confiança entre Mara e Agostinho da Silva, o homem de confiança de Tavares, é dada como reciproca. No passado dia 19 de Maio, foi anunciado a exoneração do diretor do gabinete provincial de infraestrutura e serviços técnicos do governo provincial do Bengo, Edgar Marcelino dos Hilário. O “Vice” Agostinho Fernandes da Silva foi a figura do governo que Mara Quiosa escolheu para responder interinamente por esta direção.


O gabinete provincial de infraestrutura e serviços técnicos do governo provincial do Bengo, é o órgão chave do executivo local por ser o canal por que passam os grandes projectos e obras de construção desta província.


De acordo com dados em chegados a redação do Club-K, a exoneração de Edgar Marcelino dos Hilário aconteceu depois de denuncias segundo as quais terá usado o nome da governadora para a solicitação de “luvas” de 50 milhões de kwanzas para a instalação de uma fábrica na Barra do Dande que se dedicaria a feitura de mosaico, chapas, tintas e diversos materiais de construção.


Concorrem também informações segundo as quais Edgar Marcelino dos Hilário, estaria a par de uma empreitada, que por recomendação da governadora foi atribuída a empresa Angoreal com um orçamento de 150 milhões de kwanzas. Diz que a obra não foi feita e que e que “secretária-geral terá duplicado a factura, ou seja, uma única obra teve dois orçamentos e com o mesmo valor”.


Na primeira semana do presente mês, a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou que está em curso um processo de investigação ligado a actos de gestão na província do Bengo.


Uma das empresas visadas e frequentemente ligada a irregularidades a AngoReal, agora investigada devido a uma obra no município de Bula Atumba, nomeadamente estrada entre Bula Atumba sede e Quiage.

Apesar de a Ango-Real ser referenciada como ligada a interesses que se cruzam com o da governadora, dados apontam ser uma empresa criada em 2008 por cidadãos angolanos e mauritanianos residentes no país, vocacionada à construção civil, comércio, transporte, segurança de pessoas e de propriedades.


A Ango-real, figura de uma lista de empresas privadas tidas como as preferidas do governo provincial do Bengo para a atribuição de obras de construção. As outras, são as construtoras 1- V. Sebastião; CLEDUGO, Lda; Grupo Clé; H&S que está a construir as infraestruturas integradas de Caxito; e a JMDCP de José Camangula.


Consta também da mesma lista,  a empresa H.E.C. conotada a Pedro Calunga, o Director da Unidade Técnica e descrito como alguém com   ligações familiares a governadora. A empresa deste  familiar da governadora tem a reputação de “gerir muitas obras na província do Bengo”.

 

Nas investigações feitas as irregularidades da província, os inqueridos são dados como estando a remeter responsabilidades a empresas que operaram na província ao tempo do governador João Bernardo Miranda tais como a TRILHO GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS LDA que já esteve nas mãos na justiça (processo-Crime nº 39/22.01/014) por pagamento de obras (casas evolutivas) não concluídas por um antigo Administrador municipal, Mateus Domingos Diogo “Nonox”.

 

O ex- Administrador, é igualmente acusado de ter celebrado um Contrato com a mesma empresa (Trilho), para construção de um campo Multiuso na zona do Panguila, Município do Dande, no valor de 19 milhões de Kwanzas, também pago indevidamente na totalidade e de forma concorrente não executou a obra.

 

 



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