Luanda  – Tomasz Dowbor, um empresário angolano de origem polaca, foi nesta quarta-feira (24) ouvido no Tribunal Provincial de Luanda devido a créditos contraídos pela sua empresa no Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), que teve como accionista maioritário o histórico Kundi Paihama.

Fonte: Club-k.net

Primeiro secretário do Comité de Acção do Partido (CAP) do MPLA, na urbanização Nova Vida, Tomasz Dowbor, é o PCA do Grupo Boavida (GBV), uma estrutura empresarial apresentada nos relatório do BNA sobre a falência do BANC, como a entidade que terá beneficiado de empréstimos na ordem de dois mil milhões de kwanzas, investidos no ramo da construção.

 

Ao ser ouvido, na sessão que foi até cerca das 22 horas, os presentes tomaram nota que as empresas de Tomasz Dowbor, usadas para pedidos de créditos, não estavam em seu nome mas de “testas de ferro” que trabalham para si, como motoristas e outras colaborações, e que lhe teriam passado uma procuração que lhe permitia proceder as suas operações.

 

O Tribunal de Luanda ouviu, neste mesmo dia, os alegados “testas-de-ferro” tendo estes deixado claro que apenas emprestaram os seus nomes a pedido do seu patrão, a quem confiam, para registar empresas. Os alegados “testas-de-ferro” não participavam na gestão da empresa como também nunca reclamaram lucros a que tem direito como accionistas formais. Os mesmos mostraram também desconhecimento sobre a mesma divida contraída em seus nomes no BANC.

 

Há concepção que ficou patente naquela sala de tribunal foi de que, caso o processo evoluir para crime, as responsabilidade respeitante aos créditos contraídos no BANC recairão aos cidadãos que emprestaram os seus nomes como “testas-de-ferro” e não a Tomasz Dowbor que não tem o seu nome nas escrituras.

 

Para além de Tomasz Dowbor, são igualmente visados neste processo os antigos administradores do BANC como José Aires Vaz Rosário, Valdemar de Vasconcelos Augusto, Cesar Joel Gonçalves Cardoso, Jerónimo Mateus Dias Francisco, Agostinho Manuel Durões Rocha, António Luís da Graça Gameiro, e Sabino Mauro das Neves e Silva.

 

Dados do relatório do BNA indicam que a falência do BANC terá sido “voluntariamente” provocada por estes administradores executivos e gestores que terão se concedido empréstimos entre si. Os mesmos usaram os fundos para aquisição de residências num condomínio construído pelo grupo empresarial Boavida pertencente a Tomasz Dowbor.

 

O relatório do BNA, admite que a dada altura, uma auditoria externa havia alertado ao accionista, Kundi Paihama que os administradores executivos estariam a falir o banco com a distribuição de créditos sem cumprimento de garantias. Paihama, que é o Presidente da Mesa de Assembleia do BANC, terá negligenciado as advertências que lhe chegaram ao gabinete.

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