ENTREVISTA DO GENERAL ISIDRO PEREGRINO CHINDONDO WAMBU À RÁDIO PORTUGUESA “TSF”, A PARTIR DE LUANDA, VIA TELEFONE

Lisboa - Como documento de análise e de informação, sobre o que verdadeiramente ocorreu nos confrontos entre o MPLA e as UNITA, O Club-k.net publica um histórico  depoimento do General Wambu (G.W.), que transcrevemos na íntegra.

T.S.F. - General, como está?


G.W. - Muito firme, apesar das vicissitudes do nosso Partido, da inteira responsabilidade do MPLA. Nós estamos aqui para continuarmos, para restaurarmos tudo o que perde¬mos. As vidas já não podemos recuperá-las. Mas, os simpatizantes da UNITA estão cá. Têm-nos acolhido com muita simpatia, sentem o que se passou aqui com o nosso Partido.


 
T.S.F. - Sr. General, nesta altura, o que resta da UNITA aí em Luanda? Há muitos dirigentes que ainda não se sabe do pa¬radeiro deles. Qual o pon¬to da situação? Há, de facto, muita gente ainda capaz de fazer, da UNITA, o Movimento que possa perfeitamente dialogar com o MPLA e recomeçar o processo de paz?

 

G.W. - Nós, desde se¬gunda-feira, dia 2 de Novembro, que estamos efec¬tivamente a passar essa mensagem ao Governo. A UNITA é indestrutível. Por¬tanto, é necessário munirmo-nos de coragem, parar¬mos com os tiros aqui e reempreendermos a marcha das negociações, porque ainda estamos num perío¬do eleitoral. Portanto, esta¬mos absolutamente con¬vencidos de que, apesar de ser programa antigo do MPLA, desde Gbadolite, de nos eliminar da cena políti¬ca angolana, de eliminar o nosso Presidente, o Dr. Savimbi, não é possível se Angola vai rumo a uma de¬mocracia. A UNITA é indispensável. Portanto, tere¬mos mesmo que assumir, com coragem, o que se passou, limpando as lágri¬mas e vermos o trabalho ser retomado.


T.S.F. - O que é que falta então, para que o processo de Paz seja recomeçado?


G.W. - O que falta é a ponderação por parte do Governo. O que falta é o Governo parar com a desinformação, o Governo não desvirtuar o sentido das coisas e voltarmos a ter Bicesse como pilar. Nós estivemos em Bicesse, estivemos aqui nas negocia¬ções para a agenda dos Presidentes. Porque é que não assumimos a respon¬sabilidade disso e estamos aqui com a história do su¬posto golpe de Estado? Quem é que teve os meios aqui, quando fomos massa¬crados, a partir das nossas posições, aonde estavam as nossas guarnições? Não houve unidade nenhuma nossa que se tivesse movi¬do em direcção a alvos do Governo. Nós fomos mas-sacrados por artilharia da armada, artilharia de heli¬-canhões, artilharia de tanques, a partir das posições onde nós estávamos. Portanto, agora valeram-se de supostos documentos para dizer, ou dar a entender, que houve um golpe. Essa é a estratégia do Governo para eliminar a UNITA da cena política angolana.
 

T.S.F. - Fala em reco¬meçar Bicesse, retomar Bicesse. Numa entrevista recente à Rádio Nova, o Dr. Savimbi dizia que, neste momento, não é recusar Bicesse. Não foi is¬so que ele disse, mas tudo tem que começar de novo, com um plano de mediação das Nações Unidas. Em que é que uma coisa é incompatível com a outra?


G.W. - Não, não! Não contradigo, de maneira ne¬nhuma, as afirmações e a linha de orientação da nossa Direcção, na pessoa do nosso Presidente. Apenas estamos aqui circunscritos. O diálogo que ainda mantemos com o Governo parte do facto de que nós estávamos aqui a negociar e as li¬nhas de negociações eram as de Bicesse.


T.S.F. - E mantêm-se estas?


G.W. - Tudo o que nós temos, como orientação do nosso Presidente, é que ninguém pode enterrar Bicesse. Agora, as formalida¬des, as linhas de actuação, poderão, aqui ou acolá, de¬senvolver-se adequada¬mente a depender das cir¬cunstâncias.

T.S.F. - Com uma ma¬ior intervenção das Na¬ções Unidas?


G.W. - Necessariamen¬te. E nós também, mani¬festámos isso ao Sr. Goul¬ding. Parecendo um para¬doxo, até dissemos ao Sr. Goulding, quando passou por cá, que o Governo teme o nosso regresso, relativa¬mente ao contacto com o nosso Presidente, então, a ONU, que sempre se mani¬festou pronta a ajudar nes¬sas situações, que entre com força e, se necessário, nos levassem até ao nosso Presidente, com um representante do Governo, como garantia de que regressá-vamos, que a ONU entras¬se, que nos emprestassem os seus aviões e que nos viabilizassem isso. Basta este caso especifico, quan¬to mais a agenda global. Naturalmente que um envolvi¬mento maior da ONU, é de¬sejável.


T.S.F, - O Governo impõe como condição, para de certo modo tudo isto ser recomeçado, que a UNITA deponha as armas, renuncie à violência. A UNITA é capaz de depor as armas?


G.W. - Essa linguagem é antiga, por parte do Go¬verno. A deposição das ar¬mas fez parte da agenda da C.C.P.M., cuja compo¬nente era a Comissão de Verificação e Fiscalização. Portanto, mesmo quando surgiram as Forças Arma¬das Angolanas, o projecto de acantonamento das for¬ças de ambas as partes não foi cumprido pelo Go¬verno que meteu as suas tropas na Polícia de Emer¬gência. Quando nós gritámos, ninguém nos escutou, mas, no dia 31, o que vi¬mos aqui foi um holocaus-to. Militares que nós vía¬mos, anteriormente, com o uniforme das F.A.A. etc., estavam ali vestidos com o uniforme da Polícia Anti-Motim. Portanto, houve violações aos Acordos de Bicesse e, como disso o nosso Vice-Ministro Norber¬to de Castro, a verdade tem que ser reposta e par¬tirmos de uma base séria e responsável dos Acordos.


T.S.F. - Sr. General, mas a UNITA, também, violou os Acordos de paz porque, afinal de contas, nem todos os seus milita¬res estavam acantona¬dos, nem todas as suas armas tinham sido entre¬gues...


G.W. - O Governo está a pretender apresentar pro¬vas, que as apresentem, que as actas das reuniões venham à mesa, para ve¬rem os nossos gritos quan¬to às violações, qual é a parte que aceitamos como responsabilidade nossa, quantas Comissões não fo¬ram levadas a terreno para verificação. Quero recor¬dar, aqui, a história do exército de vinte mil ho¬mens. Se não foi a UNITA a dizer que fossem, de heli¬cóptero, verificar e o que é que se deu depois? Onde nos levaram quando pedi-mos, uma verificação e fis¬calização, da Polícia Anti-motim? Ninguém nos aceitou. Até hoje! Pelo con¬trário, o envolvimento da Espanha, etc., o material fiscalizado aqui no Aeroporto 4 de Fevereiro, no Porto, etc. O que vimos aqui, no dia 31, foi uma su-cessão de incidentes que colocou todos os militares na cidade, trazendo a me¬lhor unidade de tanques do Governo, a “Brigada 101”, trazida da Funda, os heli¬cópteros são armados aqui sem que ninguém pudesse controlar. Portanto, aqui, quanto à responsabilidade do que se passou, quando as negociações forem retomadas, pensamos, as duas partes vão ter que entender que este passo, este rombo da guerra, não leva o país ¬para lado nenhum. Aliás, esta é a nossa mensagem.


T.S.F. - Houve, ou não houve, uma tentativa da UNITA de tomar o po¬der pela força, nos dias que antecederam o fim¬-de-semana de 1 de No¬vembro? A UNITA tinha ou não tinha planos, co¬mo o Governo apresen¬tou, papéis assinados, al-guns inclusivamente por si, de que havia planos para tomar o poder pela força em Luanda?


G.W. - Nenhum dos documentos prova um plano de tomada do poder pela força. Nenhum. A interpre¬tação que o Governo está a fazer dos documentos, faz parte da sua estratégia para o desprestígio da nossa or¬ganização, UNITA. Não houve plano de ataque, de tomada de poder pela for¬ça. Pelo contrário. Eu estava no Hotel Turis-mo. Tinha uma guarnição de doze homens quando foi acordado que devíamos pa-rar com as acções. Eu, co¬mo membro da Comissão Politica tenho direito a uma protecção de seis homens. Mas, nem sequer quatro eu tinha aqui, em Luanda. Multipliquemos isso por to¬dos os dirigentes que estão em Luanda. Foram as nos¬sas posições indefesas que foram atacadas. As provas estão aqui. A Comunidade Internacional está aqui, a Sra. Anstee confirmou-nos isso. Seguiram os contactos “rádio”. E eu quero subli¬nhar aqui, com todo o ênfase, que foi o primeiro combate que eles dizem, de tomada do poder pela força, onde os dois Comandos Militares estavam em comunicação via motorola. Nunca, em parte nenhuma do mundo, se toma o poder pela força, como o Governo quis dar a entender, em que o General N'Dalu e o Sr. Eng. Salupeto estão em comunicação - «pare¬mos o tiroteio», «paremos o bombardeamento».


O Sr. General Ben-Ben e o Sr. General Higino estavam em contacto também. Ge¬neral Higino: «…não mova os seus homens, para lado nenhum, fiquem onde es¬tão, porque vamos parar is¬to». Marcaram um encontro para as 16 horas de sába¬do, para que parássemos com tudo, mas o Governo reforça a sua acção militar sobre os nossos dispositi¬vos e ninguém mais conse¬guiu encontrá-los. Que as¬salto é que houve? Qual a tentativa de golpe? O Go¬verno sim, levou a cabo uma missão absolutamente planificada, estruturada du¬rante muito tempo e que culminou com o extermínio dos nossos simpatizantes, com a destruição das nos¬sas infra-estruturas. E os factos estão, em Luanda, para o provar.

T.S.F. - Sr. General: como é que se pode en¬tão entender a linguagem que vem naqueles papéis, onde o Eng. Salupeto, o Eng. Jeremias Chitunda e o general Wambu têm uma linguagem de guerra, não são planos, então o que são?


G.W. - Primeiro, a refe¬rência a esses documentos é extemporânea. O Governo exterminou os nossos simpatizantes, liquidou as nossas infra-estruturas muito antes de ter o míni¬mo que fosse desses su¬postos documentos. Portanto, a acção sobre nós foi levada a cabo sem que o Governo tivesse um papel na sua mão. Como é que só aparece esse plano, para fazer isto e aquilo, quando já estávamos des¬truídos?

T.S.F. - Mas esses pa¬péis, naquilo que escre¬veu, o Sr. General dizia o quê? Defendia o quê?


G.W. - Bom, sou levado a comentar isso porque nós, na UNITA, somos mui¬to transparentes. Qualquer oficial podia ter o direito, porque somos uma estrutu¬ra democrática, de fazer os apontamentos que lhe con¬viesse. Qualquer um dos nossos responsáveis tem junto da nossa Direcção, uma palavra, que a Direcção ouve. Portanto, fossem quais fossem os aponta¬mentos que, aqui e acolá, foram feitos, por cada um de nós, é óbvio que foram pura e simplesmente notas pessoais.


T.S.F. - Não era uma ordem da Direcção da UNITA, não era uma de¬terminação da UNITA?


G.W - Quero sublinhar que, para todos os que esti¬veram aqui em Luanda, não houve posição nenhu¬ma da UNITA que criasse uma situação de assalto, ou outras. Nós fomos exterminados a partir dos nos¬sos próprios locais. Nós fo¬mos assaltados pelos PTR's, pelos tanques, pelos heli-canhões, lá onde estávamos. Feito o acordo com o Governo, partindo das nossas posições defen¬sivas, não houve uma única posição nossa, guarnecida pelos nossos próprios protectores, que tivesse co¬metido uma única movimentação que levasse a essa percepção.


T.S.F. - Sr. General: mas houve movimenta¬ções de militares da UNITA, nas várias províncias de Angola?


G.W. - Os incidentes foram-se sucedendo. E es¬ses incidentes foram alvo de uma reunião dos mem¬bros da Comissão Militar. Fizemos um comunicado, assinado pela Comissão Militar em geral, onde púnhamos cobro a toda essa situação pelo país.


T.S.F. - Mas que im¬plicavam movimentações militares da UNITA?


G.W. - Implicaram a paralisação de incidentes, paralisação de incidentes, ocorridos entre as duas partes em certas Províncias, com maior gravidade do que noutras. Infelizmen¬te, Luanda não escapou a essa subida de incidentes, que culminaram no plano que o Governo lançou con¬tra nós.

T.S.F, - Já me disse, há pouco, que um dos objectivos imediatos, para já, é que uma Delegação da UNITA vá ao Huambo. Qual é o objectivo desta Delegação?

 

G.W. - O objectivo da Delegação é apresentar, por nossa própria voz, o re¬latório elucidativo do que se passou aqui. Como é que a situação foi evoluin¬do, desde a bomba no car¬ro, junto ao Hotel Turismo, no dia 11 de Outubro, à destruição dos nossos Co¬mités da Maianga, do Ran¬gel, do Kapenda, sobre al¬guns agentes da Policia que foram presos pelas nossas guarnições, algu¬mas viaturas da Policia que também foram apreendi¬das, sobre as barricadas que as duas partes levan¬taram numa grande parte das avenidas de Luanda, durante horas de tensão, no decurso do mês de Ou¬tubro, e portanto, dar o la¬do positivo e negativo, o nosso relatório, para a nos¬sa Direcção poder julgar, ponderar e fazer com que a marcha dos acontecimentos volte à normalidade.

T.S.F. - E esse relató¬rio é vosso ou tem o aval do Governo também?


G.W. - Esse relatório tem de ser dado, por nós, ao nosso Presidente, como membros que somos da Comissão Política, como dirigentes da UNITA, aos membros da nossa Direc¬ção que se encontram no Huambo, neste momento.


T.S.F. - Acredita que a Direcção, que está no Huambo, possa não ter na sua posse, as informa¬ções correctas, absolutas sobre o que se passou em Luanda?

 

G.W. - Acredito que não há, neste momento, um único dirigente que ti¬vesse participado até ao fim, quando se encontrou, numa plataforma de enten¬dimento com o Governo, que se encontre junto da nossa Direcção neste mo¬mento. Portanto, ninguém pode falar por nós, nin¬guém esteve cá até segun¬da, terça-feira da semana passada, estabelecemos o primeiro contacto com o nosso Presidente e, aí mes¬mo, nós explicámos como as coisas se passaram, Só que era necessário irmos até lá, para darmos o qua¬dro real e exacto das coisas. E, até este momento, não nos foi permitido, e es¬tamos aqui sob um estatuto policial.


T.S.F. - Acredita que a divulgação deste relató¬rio junto da Direcção da UNITA, poderá de certo modo impedir uma atitu¬de mais agressiva, por parte da UNITA, poderá amenizar a Direcção da UNITA, em intenções futuras?

 

G.W. - Acredito que os soldados que me viram a combater, ao lado deles, em dezasseis anos, quando souberam que o seu colega, o seu companheiro está preso, não os acalma. Acredito que os soldados, que viram o Sr. General Renato, nas horas mais difíceis, contra os russos e os cubanos, durante a guerra, não podem permitir que es¬se General esteja aqui preso. Acredito que todas as estruturas político-adminis¬trativas da UNITA, que vê¬em no Dr. Morgado o seu médico, no Sr. Norberto de Castro o seu Vice-Ministro, a Professora Fátima, que não tem nada a ver com es¬tas situações, saberem que estão aqui reféns do Governo, quando, no Huambo, todos os indivíduos que ti¬nham sido presos foram libertados, saberem que te¬mos mais de trezentos mili¬tares, civis e simpatizantes nas cadeias, aonde há ex-crementos, onde há ver¬mes, onde se correm riscos de vida, isto não pode de maneira nenhuma acalmar o nosso pessoal. E a se¬nhora sabe, tão bem como eu, que nós, por dignidade, é que assinámos os acor¬dos, pela nossa dignidade e pelo pais é que assumi¬mos a responsabilidade de, na segunda-feira da semana passada, pormos cobro à situação que se vivia em Luanda. É pela paz do nosso país, que tanto amamos. Já estávamos a começar relativamente bem pelo país inteiro. As famílias já se contactavam. Já comu¬nicavam. Bruscamente, o Governo leva-nos nova¬mente para este holocaus¬to. Para quê? Para eternizar o partido único?

T.S.F. - Está-me a di¬zer, General Wambu, que uma maior liberdade pa¬ra os Dirigentes da UNITA era necessária. A vossa ida ao Huambo po¬derá, de certo modo, evi¬tar que a Direcção da UNI¬TA não faça uma retalia¬ção de grande envergadu¬ra?

 

G.W. – Sobretudo aqueles que gostariam de nos ver em condições de negociadores. Estamos aqui humilhados, quando negociámos o fim das hos-tilidades em Luanda. Portanto, não é só de palavra. O sr. General N'Dalu, o Sr. Vice-Ministro Nandó acor¬daram connosco que devía¬mos encontrar uma solução global para o problema e, agora, colocam-nos aqui numa situação como se ti¬véssemos rendido ou fossemos presos. Ou então onde está a verdade das coisas? Ponto um. Ponto dois, nós que somos co¬-participes da solução do conflito, estávamos aqui como membros de uma co¬missão negocial. A nossa Direcção tem que nos es¬cutar quando surgir a crise.

T.S.F. - Já falou que tem mantido vários con¬tactos com o Huambo. Quais são as Indicações que recebe da Direcção da UNITA?


G.W. - As indicações são que: Primeiro - acal¬marmos todo o nosso pes¬soal aqui, porque a nossa Direcção está a trabalhar para que se saia deste es¬tatuto policial. Às secretá¬rias da CCPM acabaram de recolher as disquetes dos computadores. Ao Sr. Vice¬-Ministro Norberto de Cas¬tro foi recolhido um fax de trabalho do Partido, pela In-vestigação Criminal e outro material computadorizado. A nossa Direcção está a tratar de pôr cobro a esta confusão. Segundo - Tudo está a ser feito na liga¬ção entre o General N'Dalu e o nosso Presidente, para que consigamos uma plata¬forma de entendimento pa¬ra o reatamento do proces¬so negocial. Terceiro - A UNITA é a única organiza¬ção, em Angola, capaz de fazer equilibrar as estrutu¬ras para a democracia, portanto, se o Governo in¬siste em eliminar a UNITA, isso vai levar naturalmen¬te a situações imensamen¬te difíceis para o país intei¬ro, já que a nossa Direcção está a mandar-nos a men¬sagem de que aqui continuemos a juntar esforços no sentido de que, os próximos dias, se o Governo as¬sim poder viabilizar, serão promissores e a paz poderá regressar finalmente ao nosso País.

T.S.F. - E que indica¬ções é que receberam do Governo Angolano?

 

G.W. - O Governo en¬via, aqui para a nossa área residencial vigiada, os seus emissários, enfim, com gestos que, muitas vezes, apenas mais nos preocu¬pam, porque são promessas sobre promessas há duas semanas, e muitas das entidades são Ministros, o que naturalmente complica, e dizem que tudo está a ser considerado. E estamos assim…

T.S.F. - Mas pedem a vossa opinião?


G.W. - Em contraparti¬da, reforçam as suas medi¬das de encerramento.
 

T.S.F. - Está a ser ne¬gociado, Sr. General, o vosso regresso às F.A.A.?


G.W. - Faz parte, certa¬mente, do quadro da problemática principal. E essa é uma medida muito sim¬ples que poderá ser feita logo que as negociações forem estabe-lecidas. Sabe que a vertente militar é a mais fácil. Os militares, quando se diz cessar-fogo, como nós recebemos do nosso Presi¬dente, desta vez em definitivo, os militares cumprem, os militares, quando rece¬berem a ordem de regresso às suas funções, os milita¬res cumprem. Portanto, a vertente política é que terá de nos ajudar mais.

 
T.S.F. - Portanto, po¬derão regressar às F.A.A. assim que se iniciarem as negociações?


G.W. - Imediatamente, se as condições que nos le¬varam a sair das F.A.A. fo¬rem satisfeitas. Certamente que estaremos ali, não só envergando o uniforme, mas desempenhando o nosso papel, para que a paz volte definitivamente ao nosso país.



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