Joanesburgo - Em meados de 2008, foram assinalados sinais de mau estar entre o então chefe de Estado Maior General das forças  armadas da Guine Bissau, Baptista Tagme Na Waie e o ex- chefe de Estado Maior da Marinha, Almirante José Américo Bubo Na Tchuto.  O primeiro mandou prender o segundo quando obteve informações que Bubo se encontrava em casa de um tio seu no  Jugudul [localidade no interior da Guiné-Bissau próxima a vila de Mansoa]. Dois militares de baixa patente, António Albino e Miguel Sambe, próximos ao Almirante tinham sido presos.


Fonte: Jornal Angolense


Quando o assunto veio a público, o General Tagme Na Waie acusou o Almirante Bubo Na Tchuto de tentativa de “golpe de Estado” contra o presidente João Bernardo “Nino” Vieira. Na noite de 6 de Agosto, Bubo tinha sido detido e Tagme Na Waie foi citado como tendo  procedido a mutação sistemática dos soldados marítimos nas casernas do interior do país desde a detenção do seu chefe.


Dias depois  Bubo Na Tchuto meteu-se em fuga exilando- se na  Gâmbia. Mesmo distante da terra acompanhava os acontecimentos no país e manteve contactos com uma corrente  conotada ao falecido presidente  Nino Vieira instalada no Senegal. 


Na manhã do dia 28 de Dezembro, Bubo Na Tchuto entrou clandestinamente em Bissau,  de barco. Foi até  a casa mudar de roupa, o que lhe permitiu se  camuflar com traje militar e deslocou-se até  as  instalações da marinha de guerra. Daí seguiu até  ao  Gabinete das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (Unogbis) tendo remetido uma “pendrive” que se supõe conter informações cruciais sobre o assassinato de  Nino Vieira.


Logo que as autoridades se aperceberam do que se estava ocorrer, os militares sitiaram a representação das Nações Unidas em Bissau, revistando os carros que saiam daquele edifício e apelando os moradores naquela redondeza a não saírem de casa. De seguida, as  chefias militares reuniram-se a pretexto  de analisar a forma como o mesmo entrou pelas fronteiras sem que ninguém tivesse conhecimento e solicitaram as Nações Unidas que o entregassem.  Em paralelo a sua esposa, a senhora Cadijatu foi feita refém no quartel do Estado Maior, a fim de forçar a rendição do mesmo.


O embaraço que o “caso Bubo”, provocou, levou uma delegação do governo a  reunir-se  quarta-feira (06), com os responsáveis das Nações Unidas num encontro em que o mesmo fez parte. Na tarde de quinta (07), novos contactos teriam sido feitos e  Bubo Na Tchuto teria  inclusive recusado uma proposta de ser enviado para Angola para acolhimento.

No entendimento mais claro que as autoridades guineenses fazem transparecer  é que Bubo Na Tchuto deve ser levado as barras da justiça pela acusação de tentativa de “golpe de Estado”.  Na prática, a  versão do suposto  “golpe de Estado”, nunca foi aceite em sectores esclarecidos  dado ao antecedente de cumplicidade  entre Nino e Bubo que denotavam estar em harmonia.  Uma das insinuações que se fazia na altura era de que o General Tagme Na Waie  passou a  perseguir-lhe  após rumores que apontavam que Bubo era favorito de Nino Vieira a   liderar as chefias militares.


“Bubo” era muito próximo a Nino Vieira e este lhe confiava missões “extras” relacionadas ao tráfico de droga de que ambos eram cúmplices.  Em meados de  2008, Nino instruiu lhe a dar destino a uma mercadoria (entenda-se droga) avaliada em 24 milhões de euros retida no aeroporto de Bissau. O grupo de  Tagme Na Waie  que também estava comprometido com o narcotráfico teria desviado a mercadoria e detiveram Bubo Na Tchute no Estado  Maior mas este escapara.


Uma versão, em meios competentes,  alude que  por acção de um “entendimento” com alguns militares, teriam desenhado a sua fuga  pondo-o na fronteira com a Gâmbia. Foi depois anunciado que o Almirante  havia fugido para o país vizinho no seguimento das acusações contra si.


Uma segunda versão  destinada a popularizar-se, procurava associar,   Bubo Na Tchute,  a uma onda de descontentamento provocada pela demissão do então governo  e da dissolução da Assembléia Nacional. No sector mais lúcido da população esta versão nunca foi aceite e passou a ser  vista como “manobra conspirativa tendentes a provocar acusações infundadas”.


Na altura pairava um clima de disputa de liderança entre o falecido Presidente e o General Tagme Na Waie. A  marinha de guerra que Bubo Na Tchuto comandava era vista como o único sector que o General Tagme não  controlava. Tagme havia chamado a si, o controle da guarda presidencial de Nino Vieira. Havia substituído igualmente o corpo de fuzileiros por militares de sua confiança.


O Almirante Bubo Na Tchuto tem a importância de ter sido um  fuzileiro que combateu ao lado da junta militar no levantamento militar que derrubou do poder o General João Bernardo “Nino” Vieira. Tem a fama de ser muito determinado nos combates sobretudo nos confrontos contra soldados senegaleses.  É  carismático e aponta-se que o receio que as chefias militares nutrem pelo mesmo é devido a lealdade com que os soldados tem por ele. O Presidente da República Bacai Sanha é uma das vozes que não se opõe da sua vinda.    



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