Luanda - O mundo está cheio de charlatões. Diz o velho ditado: “Nem tudo o que brilha é ouro”. Quantas vezes muitos de nós não foram enganados por pessoas bem-parecidas? “Tão bem vestido, modos educados, sóbrio. Quem diria que era estelionatário?” Quantos de nós, contaminados pela caríssima campanha publicitária, julgamos ser uma grande e séria empresa, compramos bens ou propriedades e perdemos todo o dinheiro?

Fonte: Club-k.net

Estou a lembrar-me da Empresa brasileira Build Angola que lesou centenas de concidadãos nossos. “O sonho da casa própria” virou pesadelo para muitos compatriotas nossos que aderiram ao projecto. Aproveitando a grande carência de habitação no país, a empresa brasileira Build Angola lançou em Luanda e na província do Bengo aquilo que pareciam ser projectos imobiliários interessantes, chamados “Quintas do Rio Bengo”, “The One”, “Copacabana”, “Nosso Lar”, “Nossa Vila” e o “Bem Morar”. Estes projectos atraíram centenas de pessoas que adiantaram avultadas somas de dinheiro para garantir um lugar. Para tornar o processo mais credível, os brasileiros usaram rostos nossos bem conhecidas para as campanhas publicitárias. Até a antiga estrela brasileira de futebol, Pelé, foram buscar para fazer o marketing deles. Os preços oscilavam entre os USD 290 mil e o USD 1 milhão.


A verdade porém, é que depois de amealharem mais de USD 400 milhões de dólares, os zucas fizeram as malas e bazaram, sem nunca mais se quer se ouvir falar do rasto dos indivíduos.


Este adágio popular não está exactamente relacionado a ouro, até no campo pessoal, pode ser uma amizade que sempre achamos que era verdadeira, e descobrimos mais tarde que é falsa. Nem tudo que reluz é ouro é a melhor gíria para dizer, nem tudo o que a gente acredita que é, é verdade; que a coisa nem sempre é o que parece. É assim também com o conhecimento. Hão de aparecer sempre aqueles que acoberto da ciência virão com as suas ideia pessoais e empurrar-nos o seu senso comum goela abaixo. Charlatões e pseudocientistas apresentando-se como doutorados e cientistas para fazer valer os seus pontos de vista sobre determinado assunto.

O QUE É A PSEUDOCIÊNCIA?


A pseudociência consiste em afirmações, crenças ou práticas que são reivindicadas como científicas e factuais, mas são incompatíveis com o método científico. Uma pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em factos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos.


Segundo o Wikipédia a pseudociência é frequentemente caracterizada por reivindicações contraditórias, exageradas ou falsificáveis; reivindicações cuja confirmação dependem da tendência do individuo, do preconceito ou de ideias preconcebidas em vez de tentativas rigorosas de refutação; falta de abertura à avaliação por pares (outros especialistas na matéria); ausência de práticas sistemáticas no desenvolvimento de hipóteses; e adesão continuada mesmo muito tempo depois de as hipóteses pseudocientíficas serem experimentalmente desacreditadas. O termo pseudociência é considerado pejorativo, porque sugere que algo está a ser apresentado como ciência imprecisa ou até enganosamente. Os descritos como praticando ou defendendo a pseudociência frequentemente contestam esta caracterização. O que é compreensível, cada um defende a sua dama como pode.


A pseudociência pode ser prejudicial. Por exemplo, o activismo pseudocientífico anti- vacina e a promoção de remédios homeopáticos como tratamentos alternativos para doenças podem resultar em pessoas que renunciam a tratamentos médicos importantes com benefícios de saúde demonstráveis.


A demarcação entre ciência e pseudociência tem implicações filosóficas e científicas. Diferenciar a ciência da pseudociência tem implicações práticas no caso da assistência médica, testemunho de especialistas, políticas ambientais e educação científica. Distinguir factos e teorias científicas de crenças pseudocientíficas, como as encontradas em astrologia, alquimia, medicina alternativa, crenças ocultistas, crenças religiosas e ciência da criação, faz parte da educação científica e da alfabetização científica. Não sendo por isso um exercício fácil, o individuo precisa de ter uma formação sólida em literacia científica que é ensinada em uma disciplina chamada de Metodologia de Investigação Científica (MIC).


Em Metodologia Cientifica abordam-se as principais regras da produção científica para os alunos dos cursos de graduação, fornecendo uma melhor compreensão sobre a sua natureza e objectivos, podendo igualmente auxiliar para melhorar a produtividade dos alunos e a qualidade das suas produções literárias académicas. Para tal refinam-se também os hábitos de leitura e, acima de tudo, orientam-se os alunos à leitura de fontes credíveis. A gente escreve mal porque não se interessa pela leitura (algumas das vantagens da leitura: enriquece o vocabulário, clareia as ideias e amplia o conhecimento), acostumados que estamos às coisas mastigadas da Televisão. Pensar dá trabalho, escrever então... Ups.! Assim depois de estudar MIC, o individuo torna-se um leitor sofisticado, alguém capaz de filtrar e comprovar a veracidade daquilo que lê.


Dói a forma como o ensino da cadeira de MIC é banalizado na nossa terra. Uma cadeira tão importante para a formação dos futuros quadros do país, como a Metodologia Científica, relegada ao segundo plano é de uma barbaridade indizível! Nas nossas instituições de ensino superior (IES) a disciplina de MIC é passada para os professores que não dominam as disciplinas do curso em que se formaram. Já ouvi o dono de uma IES dizer à um amigo meu, que depois do seu doutoramento decidiu dar MIC. “Um individuo do teu calibre vai dar MIC porquê? Deixa isso para os professores fracos, você tem que dar aulas de Análise Matemática”, disse o senhor dono da universidade.


Não espanta o porquê de termos tantos analfabetos funcionais entre nós, pessoas que são detentoras de um diploma mas sem as competências profissionais que era suposto demonstrarem, pessoas com incapacidade de compreender textos simples. Estas pessoas apenas “passaram pela escola”, não aprenderam lá nada e pior, não têm postura científica, mesmo não sabendo ou tendo apenas uma vaga ideia sobre determinado assunto querem discutir “com todos os dentes que têm na boca” contra o expert na matéria. Já viram um indivíduo que nunca pós os pés em uma faculdade de medicina querer discutir com um médico-cirurgião sobre o procedimento da cirurgia laparoscópica?


Um individuo qualquer se calhar poderia falar do efeito desse tipo de cirurgia, ou porque foi submetido à uma, ou porque por experiencia de um parente próximo ou amigo, falar das consequências deste tipo de cirurgia, mas aqui não, mesmo os não médicos arrojam-se a debater sobre o procedimento da cirurgia laparoscópica até com especialistas! Isso é de loucos! Pois é, este é o tipo de estrago que a banalização da MIC fez ao nosso país. Temos aqui pessoas que estudaram outras matérias, mas não percebem que quando um especialista da matéria que não dominam bem começar a falar, é hora de se calar para aprender com que sabe.


A postura científica é uma atitude ou disposição subjectiva do pesquisador que busca soluções sérias, com métodos adequados para o problema que enfrenta. Essa postura não é inata na pessoa; ao contrário, é forjada ao longo da vida, à custa de muito esforço e de uma série de exercícios, à custa de muito sacrifício, muito estudo e variadíssimas leituras de calhamaços.


A MÉDICA POR TRÁS DA PSEUDO CURA DO CORONAVÍRUS


O Facebook retirou de circulação um vídeo que se tornou viral de uma médica Nigeriana, que afirma ter usado hidroxicloroquina, zinco e medicamento antibacteriano, o Zithromax, para tratar pacientes Covid-19 no Texas, Estados Unidos da América.


Esta atitude do Facebook foi vista por muitos internautas como sendo discriminatória e racista. “Retiraram o vídeo por ser negra”, afirmou alguém. “O Facebook pertence à corja que quer dizimar a humanidade.”, disse outro facebookiano. Pelo que, o Facebook justificou ser politica sua não propagar falsas informações sobre tratamento e cura da covid-19.


Quem quiser aceder ao Facebook tem que preceber que eles reservam se ao direito de só permitir usuários que aceitem as suas regras e padrões. Portanto, temos que concordar com os seus termos e condições onde tem uma secção chamada “Conteúdo proibido”, que inclui os “Padrões da comunidade”, segundo aqueles padrões, é proibido postar anúncios que violem os padrões da comunidade que entre outros incluem Produtos ou serviços ilegais; Práticas discriminatórias; Tabaco e produtos afins; Medicamentos e produtos relacionados; Suplementos inseguros; Armas, munições ou explosivos; Produtos ou serviços para adultos; Conteúdo adulto; Violação de terceiros; Conteúdo sensacional; Atributos pessoais; Desinformação; Conteúdo controverso; Página de destino não funcional; Trapaças e práticas fraudulentas; Gramática e palavrões; Funcionalidade inexistente; Saúde pessoal; Empréstimos de dia de pagamento, adiantamentos de folha de pagamento e fianças; Marketing multi-nível; Leilões de moeda; Reivindicações enganosas; Conteúdo de baixa qualidade ou disruptivo; Spyware ou malware; Animação automática; Práticas comerciais inaceitáveis; Sistemas de evasão; Produtos e serviços financeiros proibidos e; Venda de partes do corpo.


Quando o Mr.Trump e mais tarde Bolsonaro afirmaram com muita convicção que a cloroquina curava a covid, a comunidade médica/cientifica mundial caiu por cima dos dois, afirmando não que há evidências de que o medicamento seja adequado para combater o vírus, muito pelo contrário, dizem os experts e alertam que esse medicamento causa problemas cardíacos.


Num live que tive a oportunidade de visualizar via Facebook, gentilmente partilhado pelo amigo CR, a Dra. Stella Immanuel disse ter tratado e curado mais de 350 pacientes da covid dando-lhes Hidroxicloroquina, Zinco e Zithromax

O facto porém é que a Covid-19 já se espalhou pelo mundo, com mais de 16 milhões de casos confirmados em 188 países. Quase 18 milhões de casos confirmados, 669.242 pessoas morreram e outras 10.682.039 recuperaram da doença, por meio de vários protocolos (utilizando e combinando vários remédios), cada país usa aquele que acha mais efectivo no momento. Atenção: até ao momento não há cura nem vacina para combater este inimigo invisível. O estado do Texas onde a Dra Stella Immanuel vive e diz ter tratado mais de 350 pessoas está na terceira posição em número de casos ao nível nacional, depois da Califórnia e Florida com 418.880 casos, 251.346 recuperações e 6.763 falecidos.


Outro facto a reter é que aqueles países que minimizaram o vírus tratando-o de uma gripezinha, não tomando por isso inicialmente as medidas de contenção que os especialistas diziam ser necessárias para se evitar a propagação do vírus em proporções bíblicas, ou seja, o confinamento (é aqui que residia a principal discórdia), uso da máscara facial e higienização das mãos sempre que possível, dizia que os países que minimizaram o vírus são aqueles que mais foram afectados. Só os EUA sozinhos contam com 4.491.773 casos, 2.204.332 recuperados e 152.624 mortes. O Brasil tem 2.555.518 casos confirmados, 1.787.419 recuperaram e 90.188 mortes. Vimos o que se passou na Itália, Espanha e França. Estamos a testemunhar o que se está a passar no Reino Unido e no resto do mundo. Aqueles países mais vocais e que mais se manifestam contra a OMS e as suas politicas e métodos, são os mesmos países, os mais afectados.

QUEM É A DRA STELLA IMMANUEL?


A médica no centro da controvérsia sobre alegações não comprovadas e potencialmente perigosas de que um medicamento anti malária pode tratar o Covid-19, não é estranha às teorias da conspiração. A Dra Stella Immanuel recebeu o seu diploma de médica de uma universidade na Nigéria em 1990, de acordo com o banco de dados do Texas Medical Board. Na sua página do Facebook, Immanuel diz que nasceu nos Camarões e se descreve como "o machado de batalha de Deus e a arma de guerra".


Em um vídeo, transmitido ao vivo pelo canal de direita Breitbart News a Dra Stella Immanuel afirma que o coronavírus contraria vários estudos e conselhos de autoridades de saúde pública, incluindo os especialistas em saúde do governo Trump. Disse ainda no vídeo que as máscaras faciais não funcionam e que existe uma cura para o Covid-19, mas os especialistas em saúde dizem que não é verdade. Ela também fez vídeos dizendo que os médicos fazem remédios usando DNA de alienígenas e que estão a tentar criar uma vacina para impedir que as pessoas se tornem religiosas.


No seu site e em sermões publicados no YouTube, Stella Immanuel, que também é pastora cristã - que pratica medicina no Rehoboth Medical Center, uma clínica em Houston e é fundadora da igreja Ministros do Poder do Fogo - afirmou, entre outras coisas, que sexo com "espíritos tormentadores" é responsável pelos problemas ginecológicos, abortos e impotência sexual. "Muitas mulheres sofrem regularmente de sexo astral. O sexo astral é a capacidade de projetar o homem espiritual no corpo da vítima e ter relações sexuais com ele", afirmou certa vez em um sermão.


No final do dia CADA UM ACREDITA NO QUE QUISER E NO QUE LHE CONVÉM.



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