Luanda - Os membros da Igreja Universal do Reino do Deus (IURD) em Angola, legalizada pelo Estado Angolano em 1992, elegeram recentemente, em assembleia extraordinária, o Corpo de Gerência da Comissão de Reforma desta instituição religiosa.

Fonte: Angop

Conforme a acta da reunião, publicada no Diário da República de 24 de Julho, III Série, o órgão é coordenado pelo Bispo Valente Bizerra Luís, que tem como Conselho Consultivo todos os bispos, pastores, obreiros e membros da Igreja.

Com esse passo, a comissão passa a representar a instituição nos vários organismos nacionais públicos e privados, podendo negociar, receber bens, meios e serviços conexos.

A comissão tem um prazo de 90 dias para convocar e realizar a Assembleia-Geral Ordinária, tendo em vista a eleição dos órgãos sociais da IURD Angola.

A eleição surge na sequência da destituição e dissolução do quadro directivo liderado por bispos brasileiros, por suposta "violação sistemática aos estatutos e direitos dos membros", entre os quais "a descriminação racial e a violação das normas estatutárias".

A acta da assembleia extraordinária aponta, igualmente, supostas práticas de imposição a castração ou vasectomia aos pastores, privação aos pastores e suas respectivas esposas de acesso à formação académica, científica e técnico-profissional.

Denuncia a eleição dos membros dos órgãos sociais de forma ilegal, falsificação da acta de eleição do Presbítero Geral, abuso de confiança ao presidente da direcção da Igreja, ao passar procurações com plenos poderes a cidadãos brasileiros para exercer actos reservados à Assembleia Geral.

A acta realça também abuso de confiança na gestação dos recursos financeiros e patrimoniais da IURD – Angola, perseguição às associações de membros da igreja, falta de projecto de desenvolvimento pastoral em formação teológica específica, bem como a privação de pastores e esposas no acesso às visitas dos respectivos familiares nas suas residências.

Em resposta à decisão, a direcção composta por bispos brasileiros declarou esta sexta-feira, em nota enviada à ANGOP, que a Comissão de Reforma "não tem legitimidade representativa", considerando "falsa a acta da pretensa Assembleia Geral de 24 de Junho.

Denuncia que, entre os signatários desta acta, consta indivíduos não membros da IURD e outros expulsos devido à prática de actos ilícitos e à violação do código de conduta moral da Igreja Universal.

Reitera que os legítimos membros dos órgãos sociais foram eleitos em Assembleia Geral, a 05 de Dezembro de 2019, tendo como presidente o Bispo António Pedro Correia da Silva.

Declara que, nos termos dos estatutos, o Conselho da Direcção é o único órgão que representa a associação a nível nacional e internacional, sublinhando que irão adoptar as medidas necessárias para reagir à publicação "ilícita" da acta em causa em Diário da República.

A propósito da Assembleia Extraordinária de 24 de Julho, o jurista angolano Domingos Betico disse à Televisão Pública de Angola (TPA) que, com esta deliberação, a Comissão de Reforma passa a ser o único e valido interlocutor em Angola.

O jurista avançou que esta deliberação é impugnável, considerando fundamental que haja muita ponderação, por se tratar de um conflito interno da igreja.

 



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