Luanda - O julgamento do cidadão Waldir Carvalho, considerado pela Polícia Nacional de Angola como “o barão da droga no país”, descortina um lado obscuro dos Serviços de Investigação Criminal, particularmente do Departamento de Narcotráfico.

Fonte: Jornal o CRIME

Waldir, o tal “barão”, foi detido no seu escritório com cerca de 201 gramas de cocaína. O seu julgamento teve início no dia 29 de Julho do corrente ano, no Tribunal Provincial de Luanda, Dona Ana Joaquina.


Era aguardado com muita expectativa, já que não há memória de um barão no banco dos réus , embora os verdadeiros andem por aí aos montes.


É importante dizer que as drogas têm sido a causa da destruição de muitas famílias, as consequências do uso destas substâncias, para saúde a longo prazo, incluem o seguinte: destruição de neurônios, o que diminui a capacidade de pensar e realizar actividades; desenvolvimento de doenças psiquiátricas, como psicose, depressão ou esquizofrenia; desenvolvimento de doenças contagiosas como HIV ou Hepatite em função da partilha de materiais. Por outro lado, já no que concerne à segurança pública, aumenta os crimes como roubos e assassinatos.


De volta ao julgamento, não há como ignorar os sinais de espanto em diversos sectores da sociedade, na medida em que se equipara a uma mão cheia de nada. Há uma razão muito simples. Os verdadeiros barões, e até protectores dos barões, estão no Departamento do Narcotráfico.


Não se entende como é que João António Bento, especialista do SIC, afecto à Direcção do Combate ao Narcotráfico, que participou na operação de detenção e apreensão da droga encontrada no escritório do suposto barão, chega ao tribunal e diz que não se lembrava sobre os factos, ou seja, das circunstâncias em que as drogas foram apreendidas. Das três, uma: sofre de amnésia, é corrupto ou incompetente.


A postura daquele especialista da direcção do narcotráfico só vem provar o que há muito denunciámos, quando escrevemos que quem comanda o tráfico de droga em Angola são policias e militares.


Na altura, corria o ano de 2014, fizemos a reportagem e fomos “agraciados” com o processo crime do então ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares, e do antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (EMG/ FAA), general Geraldo Sachipengo Nunda. Deviam ter investigado, porém foi mais fácil desancar sobre o jornal e, em particular, sobre o seu director.


Em 27 de Julho de 2019, na cerimónia de tomada de posse, o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, prometeu combater o tráfico e os barões da droga pesada no país, mas, um ano depois, o suposto barão de droga é vítima de um sistema corrupto existente naquela corporação.


Ao ministro, naquela ocasião, aconselhámos a substituir todos os efectivos do Departamento de Combate ao Narcotráfico. Quase “ganhámos” mais um processo crime e, hoje por hoje, o tempo vem dar-nos razão, uma vez que Eugénio Laborinho está claramente a perder o combate ao tráfico de droga.


Não conseguimos entender por que razão as altas figuras daquela corporação não se apercebem disso. Os traficantes estão infiltrados em partidos políticos, na sua maioria no MPLA, em associações solidárias, Show business, havendo outros a deambular pelas ruas da cidade de Luanda em carros de alta cilindrada, são os donos de casas de alto padrão. As exposições , sabemos, não são ajustadas aos seus rendimentos.


Circula nas redes sociais, e isto foi retomada pelo site Club K, uma matéria a dar conta de dois traficantes de droga bem conhecidos pelos agentes do Departamento de Narcotráfico, mas por se tratar dos seus protegidos, não moveram nenhum dedo. Para combater o trafico de droga em Angola, deve haver vontade e coragem das altas figuras do país, uma vez que neste negócio estão envolvidos, além de polícias e militares, políticos, músicos, jornalistas, entre outros.

Prometemos em breve ajudar o MININT, denunciando nomes de alguns traficantes, entre os quais funcionários daquele organismo.



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