Luanda – O Tribunal Provincial de Luanda, condenou o réu Flávio Pascoal Tavares, 34 anos, também conhecido por “Pula Pula”, a 4 anos de prisão maior, por crime de furto qualificado, a residência de uma cidadã estrangeira, no ano de 2018. A Juíza da causa, Josina Falcão determinou ainda a indemnização a ofendida no valor de 12 milhões de kwanzas.

Fonte: Club-k.net

Quanto ao comparsa Adriano Pacavira, foi aplicado a pena de 3 anos de prisão e igualmente uma indemnização a cidadã ofendida. Os outros dois comparsas viram as suas penas suspensas por não terem se beneficiado do dinheiro do furto. Os seus advogados recorreram da sentença.


Nascido no bairro Cazenga, “Pula Pula” cresceu e notabilizou-se no Bairro da Madeira, Frescangol, localidade onde fez a sua carreira criminal. Por dominar o mundo do crime, o Serviço de Investigação Criminal recrutou-o para integrar a equipa de execução da Esquadra do IFA [Comando de Divisão do Cazenga].


Em Tribunal, não foi levantado os seus actos de assassinatos vendo-se ilibado do crime de “associação criminosa”.


“Pula Pula” ficou conhecido pelo grande público depois de o jornalista Rafael Marques de Morais ter produzido um denominado relatório “O Campo da morte”, sobre as execuções sumarias nos municípios de Viana e Cacuaco, em que este marginal é denunciado pelas famílias das vitimas como o homem que mais jovens inocente executou nestas localidades de Luanda.


Depois da denuncia de Rafael Marques, a PGR (Procuradoria-Geral da República) formou uma comissão de inquérito para averiguar os factos e retirar conclusões. Pula-Pula figurava com triste destaque no referido relatório como um dos mais temíveis executores do SIC.

 

No passado mês de Junho quando se deu inicio ao julgamento, oficiais do ministério do interior tentaram, em vão, limpar as mãos de que “Pula Pula”, para além de ser marginal, é igualmente efectivo do grupo de execução do SIC.

 

Em Agosto de 2018, a Radio Luanda por via de uma reportagem do jornalista Liberato Furtado, noticiou que “Pula-Pula” estava preso, por assalto de 30 milhões de kwanzas, a uma residência, em conjunto com mais alguns elementos do SIC (Serviço de Investigação Criminal) do Rangel, dos quais se destacava o inspector-chefe Pacavira.

 

Para Marques “Parece, pois, que quando matava assaltantes Pula-Pula não andava a fazer justiça pelas suas próprias mãos, mas apenas a eliminar a concorrência.”


Retrospectiva sobre execuções de “Pula-Pula”


Recordemos o testemunho pungente de uma mãe, Esperança Mafuta “Makiesse”, que viu o filho ser assassinado por Pula-Pula: “Mal atravessou a porta, a mãe ouviu o filho a gritar ‘Makiesse, sai, vem ver esse senhor que está a matar-me! Fui ver o que se passava e vi um dos homens a disparar três tiros contra o meu filho. Um tiro na mão esquerda, outro na mão direita e o terceiro na cabeça’. Makiesse identificou o assassino como sendo um dos mais famosos assassinos, ‘conhecido como Pula-Pula’, que opera a partir da Esquadra do IFA [Comando de Divisão do Cazenga] e tem jurisdição sobre a Esquadra do Cauelele.”


Afinal, continuando a ouvir a reportagem da Rádio Luanda (que faz parte da estatal Rádio Nacional de Angola) percebe-se que as razões que terão levado Pula-Pula à prisão não têm qualquer ligação com as suas actividades enquanto exterminador policial. Na realidade, nunca mais se ouviu falar da Comissão de Inquérito da PGR, nem de quaisquer medidas tomadas para evitar esses assassinatos.


Numa volta irónica da vida, Pula-Pula estará preso por ser bandido, por andar a assaltar casas. Veja-se bem, Pula-Pula andava a assassinar supostos bandidos que faziam assaltos, e, no entanto, ele também assalta casas!