Lisboa – A Fundação Agostinho Neto (FAAN) beneficiou do apoio da AAA, seguradora detida pela Sonangol e gerida pelo genro Carlos Manuel de São Vicente, segundo dados de uma apurada investigação levada a cabo pelo Club-K. Os seus escritórios ficam na Avenida António Agostinho Neto, Edifício AAA, 1ª Andar, Praia do Bispo.

Fonte: Club-k.net

Fundada em Setembro de 2007, a fundação operou na fase inicial num outro edifício na baixa de Luanda (no perímetro do MIREX), na rua Major Kanhangulo, 10, Luanda, arrendado pela seguradora AAA. A empresa “AAA” funcionava nos rés-do-chão, e a fundação no andar de cima.


A quando do lançamento da fundação, em Luanda, a sua presidente Maria Eugénia Neto, declarou que “a instituição será uma entidade independente, sem fins lucrativos, com órgãos de administração e própria fonte de rendimentos, quer provenientes de dotação, donativos, ou receitas das suas actividades e do retorno dos seus investimentos.”

 

Como parte do seu trabalho em divulgar o legado do malogrado fundador da nação, a fundação, colocou no mercado a obra “Agostinho Neto: Uma vida sem tréguas”. No prefacio, o editor Acácio Barradas (já falecido), escreveu que “Este livro formato 24x28cm com 221 páginas foi escrito com a colaboração de diversos autores que conheceram Agostinho Neto. Não tem “copyright” e foi patrocinado pela A.A.A – SEGUROS & PENSÕES.”

 

Ainda segundo os escritos do editor “O lucro resultante da sua venda reverterá em benefício da Fundação Agostinho Neto (em organização). Em Angola encontrar-se-á à venda nas principais livrarias mas, dado o seu preço, pensamos que não estará ao alcance da maioria das pessoas.”

 

A A.A.A – SEGUROS & PENSÕES” foi criada pela estatal Sonangol no inicio do ano 2000. No seguimento das informações bloqueios das contas de São Vicente na Suiça, as autoridades deste país europeu alegam que entre 2012 e 2019 o empresário e genro do Presidente Neto transferiu quase 900 milhões de dólares da companhia de seguros para as suas contas pessoais, algo que só foi descoberto quando o banco SYZ alertou para uma transferência de 213 milhões de dólares, de acordo com os documentos da acusação divulgados no site do ICIJ.

 

Esta semana a Fundação Agostinho Neto (FAA) liderada pela viúva Eugenia Neto, negou que algum momento beneficiou de fundos indevidos do Estado. “A minha família nunca teve acesso a fundos públicos, nunca teve mais do que aquilo que está definido na Lei. Pelo contrário, durante longos períodos, até teve muito menos. Só recentemente o estatuto dos antigos Presidentes da República foi definido por lei”.

 

O comunicado da viúva não explica o financiamento das seguradora AAA (comparticipada da estatal Sonangol) para obra “Agostinho Neto: Uma vida sem tréguas” cujos lucros resultante da sua venda se reverte em benefício da Fundação Agostinho Neto, como atestou Acácio Barradas. O mesmo comunicado, também não explica porque a “Fundação” tem a sua sede num edifício construído pelas AAA, empresa participada pela estatal Sonangol.

 

 



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