Luanda - A petrolífera angolana Sonangol, que esteve na génese da criação da seguradora AAA, do empresário Carlos São Vicente, atualmente sob investigação judicial, declarou hoje que está a acompanhar o processo e “disponível para responder às interpelações legais".

Fonte: Lusa

“É do domínio público que a petrolífera nacional esteve na génese da criação da referida seguradora, facto suficiente para seguir com redobrada atenção o processo recentemente desencadeado à volta da mesma”, destaca a Sonangol num comunicado.



A petrolífera estatal acrescenta que tem cooperado com os órgãos de justiça, prestando “toda a informação que importa para o esclarecimento dos factos” com “total transparência”.


A Sonangol está “disponível para responder às interpelações legais inerentes ao esclarecimento do processo, mas limitando a sua atuação aos imperativos da justiça e do serviço público”, assinala ainda a empresa.


O empresário Carlos São Vicente, casado com uma das filhas do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, foi constituído arguido na passada quarta-feira, por suspeita dos crimes de peculato, participação económica em negócio, tráfico de influência e branqueamento de capitais.



Em causa está o congelamento de uma conta bancária de Carlos São Vicente na Suíça, com cerca de 900 milhões de dólares, o equivalente a 752 milhões de euros, por suspeitas de lavagem de dinheiro, segundo divulgou um blogue suíço que acompanha questões judiciais naquele país, citando um despacho do Ministério Público da Suíça.


As autoridades judiciais angolanas ordenaram já a apreensão de vários edifícios do grupo AAA, pertencente ao empresário Carlos São Vicente, que está a ser investigado na Suíça por peculato e branqueamento de capitais.


Carlos São Vicente é o presidente do conselho de administração e acionista maioritário da companhia de seguros AAA, registada em Angola, nas Bermudas e no Reino Unido.


De acordo com o Jornal de Angola, Carlos São Vicente detém uma participação na AAA Seguros SA de quase 90 por cento das ações, cabendo outros 10% à Sonangol e 0,11 por cento ao banco BAI, tendo obtido do governo angolano, na altura liderado por José Eduardo dos Santos, um acordo relativo a todas as atividades de seguros de petróleo em Angola que lhe permitiu assegurar um lucrativo monopólio entre 2000 e 2016.


O monopólio do seguro petrolífero terá custado ao Estado angolano cerca de 2,5 mil milhões de dólares, segundo as contas do jornal Valor.


Entretanto, a AAA Seguros, que chegou a ser a segunda maior seguradora do país e foi fundada pela Sonangol, viu o seu processo de dissolução e liquidação iniciado pelo ministério das Finanças em janeiro deste ano.



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