Lisboa – A última reunião do Conselho de Ministro realizada no passado dia 8 de Setembro, foi assinalada por uma fricção em que o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, atirou a “bola” ao Presidente da Assembleia da Republica, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” quanto ao atraso da realização das eleições autárquicas no país, inicialmente previstas para este ano.

Fonte: Club-k.net

Não obstante a Pandemia do Covid-19 (nova desculpas usada pelo regime), João Lourenço, segundo o África Monitor Inteligence, apontou como razão determinante do protelamento das eleições autárquicas, a alegada falta de legislação como factor que tem levado a tomar a medida do adiamento das mesmas.


Aparentemente agastado com a afirmação de João Lourenço, remetendo responsabilidades para o partido e Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, retorquiu que a Assembleia Nacional só não procedeu à aprovação da legislação autárquica ainda em falta porque a mesma, sob a forma de proposta, não lhe foi apresentada, nem pelo Governo nem pelo MPLA, aos quais competia a iniciativa.


Na sua réplica, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” relacionou também a falta de iniciativa do Governo e/ou do MPLA no que concerne á apresentação do “resto do pacote legislativo”, com “orientações” em tal sentido. Não obstante o carácter embaraçoso do pormenor para o próprio João Lourenço, como entidade de que eventualmente teria partido tais “orientações”, este não voltou ao assunto após a intervenção de “Nandó”, conforme apurado pelo África Monitor.


Após a reunião, a porta-voz do Conselho da República de Angola, Rosa Cruz e Silva, informou que as eleições autárquicas serão realizadas no momento em que as condições para o efeito o permitirem.


Não se fazendo esperar, a UNITA, criticou dia seguinte, o adiamento das eleições autárquicas no país, atribuindo a decisão a um receio de “uma derrota histórica” pelo partido no poder.


“O Governo sabe que teria uma derrota histórica nas eleições autárquicas. O Governo falhou. A governação do Presidente, João Lourenço, começou com expectativas muito altas, mas cedo virou frustração, decepção. Não tem soluções para dinamizar a economia, não tem soluções inovadoras para empreender uma estratégia de desenvolvimento sustentável no nosso país. Não quer correr o risco de perder o poder através do poder local. É uma agenda partidária”, disse à Lusa, por telefone, o presidente do grupo parlamentar da UNITA, Liberty Chiaka.


Na óptica deste responsável partidário, o executivo angolano “não pode alegar a pandemia para adiar as eleições”, apontando que há “falta de vontade política” por parte da liderança do país.

 



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