Luanda - “O que levaria um ex-vice-ministro das finanças a burlar 5 milhões de kwanzas a uma vendedora do mercado do Kikolo?” Questionou o representante, que acompanha o processo, de Anita Ferras Dembo Ngola, vítima de suposta burla por Arlindo Praia Sicato, por sinal, antigo vice-ministro das Finanças angolana, no período 2005/2009.

Fonte: Club-k.net

Arlindo Sicato, embora tenha assumido a dívida que já soma perto de 30 milhões de kwanzas, do mês de Janeira último à presente data, acrescido de juros de 50 por cento do capital, por mês, este, sem avançar muitos pormenores, alegando “segredo de justiça” respondeu; “Na verdade aconteceu este empréstimo. Por causa mesmo da demora o caso foi remetido à Procuradoria Geral da República e neste momento está a decorrer a investigação e instrução. O comandante Guedes deve ser contactado, mas ele está incomunicável. O processo é 39/20. Na sequência daquilo que o órgão judicial já assumiu, eu achei que é bom que eles façam o seu trabalho e depois apresentem os factos conforme vão verificando no terreno. Se a PGR já está trabalhar, não posso dar mais elementos para não atrapalhar. As provas são materiais e eles vão apurar quem deve ser responsabilizado, se há mesmo burla ou atraso no pagamento”,  defendeu-se.


Os denunciantes alegam que no termo de responsabilidade de garantia de pagamento assinado por Arlindo Sicato e Anita Ngola, sob testemunhas de ambas as partes, a 13 de janeiro último, Sicato teria proposto à credora uma das suas residências nos arredores da Urbanização Nova Vida, em Luanda, como alternativa de pagamento, tendo acrescido a isso o envolvimento do nome do comissário-chefe da Polícia Nacional, António de Jesus Miranda Guedes, como sendo seu sócio em negócios onde seria aplicado o capital recebido da “Kitandeira” do mercado do Kikolo, Anita Ngola, detalhou a fonte.


De acordo com uma outra fonte ligada ao processo da parte lesada, as suspeições para  presumível burla começaram 30 dias depois, período pré-acordado para a devolução dos 5 milhões de kwanzas acrescido de juros, quando Arlindo Sicato começou a mostrar indisponibilidade com àquela família para tratar do assunto, até hoje não honrado, alegando, em algumas vezes, aguardar por uma resposta do seu sócio António Guedes, a quem mais tarde Arlindo Sicato viria abrir um processo contra si junto da PGR, queixando-se de ter sido burlado pelo comissário-chefe da Polícia Nacional.


“Não queremos saber do comissário da polícia porque foi o ex-ministro das finanças que deu a cara dizendo que o senhor Guedes era seu sócio no acto da assinatura do termo de responsabilidade. Ele garantiu a casa dele no Nova Vida para entregar e agora já não aceita de nada que assinou. Não nos atende nem nos recebe. Ele foi abrir uma queixa crime contra o sócio dele apenas para simular que também foi burlado. Não é possível um vice-ministro e um comissário da polícia terem paradeiros incertos para pagar uma dívida. Eles gozam de influências e estão a fazer de tudo para o caso ficar em nada, quando demos o dinheiro com toda confiança”, denunciou uma das testemunhas.


A lesada apela aos órgãos de direito a intervierem no processo para que os devedores cumpram com as suas obrigações, pagando o empréstimo de 5 milhões de kwanzas que se constitui numa dívida avultada, a chegar aos 30 milhões de kwanzas.

 



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