Lisboa – O Secretário de Estado do Ministério do Interior, Salvador Rodrigues, é apontado em meios políticos, em Luanda, como a entidade que forneceu falsas informações ao titular do Poder Executivo, garantindo-o que na manifestação pela cidadania ocorrida no sábado (24/10) não havia registos de mortes pelas mãos dos seus efectivos.

Fonte: Club-k.net

REGIME ABAFA SOBRE CIDADÃOS ASSASSINADOS NA MANIFESTAÇÃO 

Rodrigues voltou a manter a sua posição quando falou na TPA no domingo (25), ao apresentar os resultados das detenções insistindo que não houve qualquer morte no evento.

 

De acordo com dados, a polícia nacional assassinou duas pessoas. Tirou a vida  de  um rapaz identificado, no mundo artístico, por “Mamã África”, por sinal irmão de Mauro Mendes que fora candidato a liderança da JMPLA em Luanda. A mesma polícia atingiu com dois tiros no abdómen de uma  jovem identificada apenas por “Marcelina” que morreu no local, sem receber qualquer assistência. Em retaliação, a população revoltou-se e agrediu o polícia assassino.

 

O académico Domingos da Cruz, que acompanhou o caso, anunciou nesta terça-feira (27) que a jovem assassinada pelos agentes da polícia nacional foi já sepultada. “Foi hoje a enterrar a Marcelina. Vítima de disparo, na manifestação de sábado, 24. O sepultamento está em curso no cemitério de Viana”.

 

“LEMBRAI-VOS para todo e sempre que o responsável moral e mandante do crime chama-se João Lourenço, Presidente de Angola. A sua responsabilidade funda-se na Constituição do país que atribui ao Presidente todos os poderes sobre as forças de defesa e segurança. Os seus auxiliarem não agem sem a sua autorização e ordem (Art. 108º, 119º-123º). Marcelina!, paz à sua alma! Que as forças do firmamento confortem a família”, escreveu.

 

Ainda sobre estas duas  mortes, o Instituto para cidadania-Mosaiko repudiou, em comunicado, os actos de violência protagonizados pelos agentes da Polícia Nacional e pediu a responsabilização civil e criminal dos assassinos pelas ofensas corporais cometidas contra os manifestantes e profissionais de Comunicação Social.

 

“Que os órgãos competentes, em respeito do direito à reunião e manifestação, cooperem com os organizadores destas iniciativas para o cumprimento efectivo dos direitos e deveres das duas partes”, escreveu em comunicado o Mosaiko.

 

Por seu turno,  o advogado  Domingos das Neves usou as redes sociais para repudiar  a conduta das autoridades em fazer silêncio  sobre cidadãos assassinados no evento de sábado.  "Por qual razão é que se está a fazer silêncio sobre quem morreu na manifestação? A vida de um angolano é sagrada", lamentou. 

 

Segundo apurou o Club-K, o Secretário de Estado do Ministério do Interior, Salvador Rodrigues, revela-se decidido em não apresentar os seus agentes que cometeram os assassinatos para não contrariar a sua posição anterior de negação de mortes na manifestação pacifica da cidadania.

 



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