Luanda – A jornalista da Radio Eclésia, Esmeralda Chiaca, revelou nesta sexta-feira que os manifestantes que foram raptados pela Polícia Nacional já foram soltos . Os mesmos  se encontravam numa “cadeia não convencional”, algures em Luanda.

Fonte: Club-k.net

“Já se encontra no seio familiar o jovem desaparecido desde o dia 11 de Novembro”, escreveu nas redes sociais, a jornalista adiantando que “fonte familiar dá conta que Bernardo Felix Chiwale acaba de chegar à casa depois de mantido (ele e outros cidadãos) em cativeiro numa espécie de cadeia não convencional”.

 

Os jovens segundo, a jornalista “tem o braço ainda inflamado como consequência de puretadas de que terá sido alvo”.

 

A família agradece pelo facto de o jovem escuteiro encontrar- se vivo.

 

Segundo a profissional, “o jovem Chiwale, participou da manifestação, organizada pela sociedade civil, que teve como objectivo : exigir do executivo melhores condições de vida para todos , a calendarização do processo autárquico, bem como o cumprimento do programa eleitoral (a criação de postos de trabalho para os jovens”.


Os promotores da manifestação prometem apresentar um relatório contendo mais nomes de elementos que se encontram desaparecidos, ou mortos pela Polícia Nacional.

 

Os advogados da Associação Mãos Livres que falaram nesta sexta-feira a Radio Despertar pedem responsabilização contra os agentes que cometeram crimes nesta manifestação como também responsabilização civil contra a instituição a que os mesmos serviam, neste caso o Comando da Policia Nacional, chefiado pelo comandante Paulo Gaspar de Almeida.

 

As práticas de raptar manifestantes, em Angola, terão começado no ano de 2012 ainda com José Eduardo dos Santos no poder. Na altura, dois activistas (Isaías Cassule e Alves Kamlulingue) foram inicialmente dados como desaparecidos durante dois anos enquanto que as autoridades negavam sobre o seu paradeiro. As autoridades desconseguiram abafar, o caso, na sequencia de pressão internacional, que exigia esclarecimento do paradeiro dos dois ativistas. Na altura, o governo de Luanda havia preparado uma versão que visava alegar que os mesmos foram raptados pela UNITA. A versão foi a baixo, depois de o Club-K, ter produzido dados de um relatório das próprias autoridades que atestava que um dos dois ativistas foi eventualmente executado pelo Serviço de Investigação Criminal enquanto que o outro, Isaías Cassule foi lançado aos jacarés, no rio Dande, por um grupo que dependia do Comitê Provincial de Luanda, ao tempo de Bento Bento mas que no terreno foram orientados pelo tenente-general Filomeno Peres “Filó”, da inteligência militar.

 

 



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