Luanda - Um cidadão nacional de nome Adilson da Fonseca, que em 2015 procurou a Urbanização Boa Vida para adquirir a casa dos sonhos, está agastado com o tratamento que recebeu dos irmãos polácos Tomasz Dowbor, PCA do Grupo Boa Vida e Wojciech Dowbor presidente da Comissão Executiva, que terão vendido a sua residência a uma segunda pessoa, mesmo depois deste ter pago mais de 50 por cento da casa, a preço de ouro.

Fonte: Mira do Crime/Club K

De acordo com a vítima, a residência ao qual se comprometeu em pagar foi uma casa com tipologia T3 Duplex modelo 2D Lote 3E11, que começou pelo pagamento de um sinal de 2.000.000,00 equivalente a 17.391,30 dólares, visto que o preço da residência foi pago em moeda estrangeira, com equivalência directa.

“No desenrolar do processo apôs o sinal procedi vários pagamentos que totalizaram o montante global de 287.493,49 USD conforme extracto, mas em determinado momento eu já não pude honrar por motivos de algum constrangimento financeiro e questões de saúde de um dos meus dependentes, e por outra, também, não me via motivado porque a obra da minha residência ficou num estado completo de abandono com inoperância de 2017 a janeiro de 2020 sem nenhuma acção de grande relevância para termino, houve apenas pequenas intervenções que não revelavam trabalhos de grande significância que demonstrassem avanços significativos para conclusão da mesma, mesmo com pagamento de 69% até Fevereiro de 2019”.

 

Perante esta situação, conta, “reclamei junto do PCA E PCE do Grupo Boavida em Janeiro do ano em curso, no sentido de darem sequência dos trabalhos para finalização da residência que eu estava a pagar, e também, como é evidente, eu teria a preocupação de dar sequencia aos pagamentos para amortização do valor em divida”.

As Curvas apertadas da UBV

“Foi assim que me foi apresentado o Carlos Lobão, responsável pelo departamento de Pós-venda da empresa, a fim de dar seguimento das obras na casa que eu estava a pagar”, explicou.

“Logo após os mesmos começarem a trabalhar na casa, o Carlos Lobão começou com uma pressão sem tréguas, obrigando que eu tinha que pagar rapidamente os valores em falta, ou então trocar para um outro projecto na mesma urbanização, cujas obras ainda demorariam um ano, mesmo depois de eu ter esperado todos estes anos”, reclamou, sublinhando que negou a ideia, visto que sempre manteve a posição de permanecer na residência que constava do contracto.

“Ainda assim”, imaginem, “Carlos Lobão apresentou-me uma senhora que o mesmo afirmou que daria sequência do processo de troca, mesmo eu não concordando com tal proposta, e eu pedi que o mesmo parasse com toda a pressão psicológica, e que tão logo eu reunisse condições, havia de comunica-los”.

“Tivemos então o problema da Covid-19, e como tal restringiram-se as deslocações a UBV, mas em todo caso, todo esforço fui fazendo para reunir as condições financeiras para amortização total da dívida, pagando sempre a variação do câmbio da moeda, uma vez que eles exigiam que o pagamento tinha que ser em dólares, e sempre que pudesse, fazia visitas a obra e constatei que a mesma já estava avançada, e sendo assim, como já dispunha de um valor considerável para negociação do valor remanescente, pretendia então liquidar a dívida”.

A venda da residência a segunda pessoa

“Assim sendo, no dia 10 de Julho, desloquei-me a UBV no intuito de estabelecer contacto para negociação cambial, que é uma prática habitual e normal na UBV, no que concerne aos pagamentos das residências, tanto que já havia sido contactado para o efeito, e atendi algumas vezes”, explicou.

De acordo com Fonseca. Foi nesta altura em que, reunido com o funcionário da UBV, de nome Anastácio Chivava, foi-lhe informado que a residência que estava a pagar foi vendida a outra pessoa.

“Sem aviso prévio, sem acordo para alteração de residência, sem rescisão de contracto e devolução dos valores pagos, quer dizer, aproveitaram a Pandemia e Estado de Calamidade para procederem a referida venda, sem eu ter sido notificado antes e sem terem rescindido o contracto de comum acordo, numa tamanha falta de respeito, ética profissional e deontológica e em total abuso”, lamentou.

Tomasz Dowbor tenta apagar o fogo

“Assim sendo, entrei em contacto com o Tomasz Dowbor, afim de saber se o mesmo havia tomado conhecimento de que o seu Irmão, na qualidade de presidente da Comissão Executiva, havia legitimado a venda da casa que eu estava a pagar, o que o mesmo respondeu prontamente que não sabia, e para tal ficou acordado um encontro no dia 14 de Julho”, recordou.

“Na data acordada, por volta das 11h45 minutos, deu-se o encontro na UBV com a presença do senhor Tomasz Dowbor, acompanhado do senhor Carlos Lobão, estando ausente o seu irmão, Wojciech Dowbor. Eu me fiz acompanhar de quatro testemunhas, tendo expressado todo meu descontentamento por tal ocorrência”.

Na reunião, conta, Tomasz mostrou-se surpreso, tendo explicado que a UBV nunca havia feito isso, que o histórico que têm dos vários projectos desenvolvidos e entregues nunca tal aconteceu chegando mesmo a afirmar que só teriam legitimidade de o fazer caso “eu tivesse assinado alguma adenda. Mas nunca houve nenhum documento que comprovasse a concordância formal de que eu desisti do projecto inicial. Então, o mesmo PCA admitiu tratar-se de uma burla, de acordo os factos apresentados, e que havia de averiguar e apurar responsabilidades, e em 24 horas o mesmo havia de me dar uma resposta”, lembrou

“No dia 15 de Julho compareci novamente a UBV, e o mesmo Tomasz não se fez presente, apenas deixou um pedido de desculpas entregue pelo senhor Carlos Lobão. e com uma proposta totalmente descabida, querendo devolver o dinheiro num câmbio que em nada tinha a ver com o dinheiro que havia pago a mesma empresa”.

“No dia 16 desloquei-me outra vez a UBV afim de fazer chegar a minha proposta, que foi recepcionada pelo Carlos Lobão. Apôs isto, no dia 19 me foi entregue outra proposta por parte da UBV, mas todas elas demonstravam a arrogância e total descaso em reparar todo o dano pelo qual eu estava a passar” lamentou.

INADEC entra na jogada

“No dia 20 de Julho desloquei-me ao Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), para que os mesmos pudessem intervir e salvaguardar os meus interesses, e mantive a minha posição de só querer a casa de volta. Mas o Boavida insistia em propostas que a mim não interessavam, justificando que, que pelo facto de existirem duas prestações vencidas, os mesmos remetiam-se ao direito e de acordo com cláusula do contracto em rescindir unilateralmente o estabelecido, querendo, ainda assim, devolver o dinheiro num cambio desactualizado”.

Queixa-crime sem pernas para andar, Tomasz ignora autoridades angolanas?

“Na mesma senda, movi uma queixa-crime por burla por defraudação ao Sr Wojciech Dowbor, que tem o número de processo 8290/20/TLA, tendo sido o mesmo notificado duas vezes, e não compareceu a esquadra policial. Parece que ele é suficientemente rico que não possa ser punido, e eu sou pobre demais que não possa ser protegido”, deplorou.

“Não sei se é por causa do cidadão polaco Tomasz Dowbor ser membro do MPLA que as autoridades deixaram de fazer o seu trabalho, eu sou cidadão angolano, fiz uma denúncia pública e as autoridades do meu país não ajudam, é muito dinheiro que está em jogo, não se pode aceitar que cidadãos de outras latitudes sempre que quiserem chegam ao país e burlam os nacionais e saem impunes”, observou.

Lesado quer de volta o seu dinheiro em câmbio actualizado

Adilson da Fonseca diz que já não moral para negociar com a UBV nem tem prazer de voltar a viver naquela urbanização, pelo que espera que o seu dinheiro seja devolvido em câmbio actualizado, uma vez que, era obrigado a pagar o dinheiro em dólar e com o câmbio sempre a variar.

UBV nega acusações

No dia 5 do mês em curso, a Urbanização Boa Vida organizou uma conferência de imprensa para dar a conhecer que tinham retomado às obras paradas devido a Covid-19.

Durante a conferência, foi questionado ao PCA da empresa sobre a questão da venda de uma residência a dois clientes, pelo que, respondeu que o grupo que dirige, nunca vendeu uma residências a duas pessoas.

“O nosso grupo nunca ao longo da sua história nunca fez a venda da mesma residência a diferentes clientes, no caso do senhor Adilson, temos toda documentação legal e disponível que comprovam que a residência do referido cliente sempre esteve pronta para ser entregue, mediante o pagamento”, defendeu.

 

 



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