Luanda - Centenas de jovens saíram às ruas de Luanda, Angola, esta quinta-feira (10.12), e concentraram-se no Largo da Independência em protesto contra o regime angolano e contra o elevado custo de vida no país.

Fonte: DW África

Afirmam que a fome os motivou a participar na manifestação e pedem mais justiça e ação no combate à corrupção em Angola. Os participantes no protesto exigem emprego, saúde, educação e justiça para todos. "JLo [Presidente João Lourenço], o povo tem fome", lia-se num dos cartazes dos manifestantes. O ativista Luaty Beirão partilhou um vídeo em direto no Facebook a partir da capital angolana.



O protesto saiu às ruas num momento em que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, completa 64 anos existência. O MPLA governa o país desde a independência de Angola face a Portugal em 1975.


Os promotores da manifestação desta quinta-feira (10.12), os membros da sociedade civil angolana Laura Macedo, Helena Vitória Pereira, Fernando Macedo, Leandro Freire e Mwata Sebastião, denunciaram a "falta de seriedade e transparência na luta contra a corrupção, manipulação da imprensa, mentiras e adiamentos das eleições autárquicas".



A concentração estava marcada para as 12:00 locais no Largo da Independência (1.º de maio) em Luanda e foi comunicada ao Governo Provincial de Luanda em 28 de setembro.



Os promotores da iniciativa escreveram também ao procurador-geral da República de Angola, pedindo a abertura de oito inquéritos para apurar a responsabilidade civil e criminal por enriquecimento ilícito de vários agentes públicos.

Últimos protestos manchados por violência

Este é o terceiro protesto em menos de 30 dias. As duas tentativas de manifestação anteriores foram duramente reprimidas pela polícia e acabaram com uma centena de manifestantes detidos, em 24 de outubro, libertados uma semana mais tarde, e um estudante morto em 11 de novembro, data da celebração da independência em Angola.

As circunstâncias em que o jovem morreu estão ainda por determinar, com testemunhas a afirmarem que Inocêncio de Matos, de 26 anos, foi baleado pela polícia, enquanto médicos do hospital Américo Boavida indicam que a causa da morte foi uma agressão com objeto contundente não especificado. Esta quinta-feira, as forças de segurança acompanharam os manifestantes mas não intervieram.

 



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