Luanda - As declarações da Procuradoria Geral da República de Angola de que está a "apurar dados para investigar Edeltrudes Costa, o actual director de gabinete da Presidência da República, João Lourenço estão a provocar opiniões divergentes sobre a viabildiade dessa investigação.

*Coque Mukuta
Fonte: VOA

De acordo com a denúncia feita pela emissora televisiva de Portugal TVI, o caso envolve a contratação de uma empresa de consultoria de Edeltrudes Costa num negócio que tinha como objectivo a modernização dos aeroportos angolanos e que terá rendido vários milhões de euros em contratos autorizados pelo Chefe de Estado angolano.

 

"Nós estamos também a ver o que se passa para podermos esclarecer devidamente o que é que aconteceu, porque muitas vezes não basta a denúncia pública, é necessário que esta denúncia venha acompanhada de mais alguns dados que nos permitam trabalhar com uma certa certeza”, disse na terça-feira, 20, o procurador-geral da República.

 

"Quando assim não é, temos que ir atrás para podermos ver se de facto há ou não uma prática ilícita", acrescentou Hélder Pitta Gróz, em declarações a jornalistas.

 

O jurista Agostinho Canando considera que Edeltrudes Costa, enquanto director de Gabinete da Presidência da República, ainda goza de privilégios e a investigação para apurar se há ou não uma prática ilícita, pode incorrer num afronta ao próprio Presidente,

 

“Eu acredito que em relação a este caso a PGR não irá a fundo porque o senhor Edeltrudes Costa ainda goza de privilégios”, disse o jurista para quem é João Lourenço que indica os magistrados do país, e todos têm uma dependência perante o Presidente da República.

 

“Quem indica os magistrados é o Presidente da República e passam todos pelas mãos de Edeltrudes Costa”, acrescentou.

 

Ainda assim, o analista político Rui Kandov entende que as declarações de Pitta Groz são um sinal positivo para o combate à corrupção.

 

“É um bom sinal claro para a sociedade em como a administração do Presidente João Lurenço está de facto comprometida com os valores republicanos e que como ele próprio nas vestes de presidente do MPLA disse ninugém é tão poderosos que não pode ser, julgado ou acompanhado pela lei”, justificou Kandov, dizendo "vamos esperar para ver qual será o desfecho deste caso”.

 

Até agora, o Presidente da República nunca se pronunciou sobre as denúncias que pesam sobre Costa, assunto que levou os angolanos às ruas em novembro para pedir a sua demissão.