Luanda - O exercício permanente de honestidade intelectual, que cada um de nós é chamado à fazer sempre que necessário, remete-nos a uma espécie de advocacia ao "diabo", tendo em conta ao malabarismo a que o Governo do Huambo tem de fazer para dar respostas aos projectos estruturantes alocados nos 11 municípios que compõem à Província, face à verba do Orçamento Geral do Estado 2021.

Fonte: Club-k.net

Para o presente exercício económico, o valor de despesas previsto na proposta de Orçamento Geral do Estado da província é de mais de 127 mil milhões de Kwanzas. Para 2021, o Huambo recebeu do OGE mais de 94 mil milhões de kwanzas. Uma dotação muito aquém do necessitado para fazer face a paralisação de vários projectos inscritos no Programa de Investimentos Públicos.

 

As receitas previstas para este ano nesta região do Planalto Central poderão resultar, fundamentalmente, da cobrança de impostos, obrigando ainda mais o cidadão a apertar o cinto.

 

Politicamente falando, o ministério das Finanças advoga que o OGE de 2021 para as províncias subiu 16,4%, em comparação com o do ano transato. Mas na prática, o principal instrumento da política económica e financeira da Província exige fazer uma "espragata" orçamental.

 

Diga-se em abono da verdade, a julgar pela depreciação da moeda nacional, a Governadora da Província, Lotti Nolika, tem em mãos um dos piores orçamentos de todos os tempos, numa altura em que do ponto de vista de infraestruturas sociais, encontram-se "estagnadas" desde 2008. Ou seja, trata-se de um orçamento que vai forçar com que muitos projectos sociais continuem engavetados, salvo raríssimas excepções de alguns (micro)projectos do PIIM, que estão a ser alvo de "cabritismo" de alguns Administradores municipais.

 

Para alguns especialistas, que preferiram manter o anonimato, o orçamento de 2021 para o Huambo é um presente envenenado para a actual representante do titular do Poder Executivo e o seu pelouro e não existe milagroso que consiga melhorar a qualidade de vida dos habitantes. "O pior é que com este orçamento "raquítico" as principais acções serão para construção e apetrechamento de infraestruturas castrenses, ou seja, infraestruturas dos Ministérios do Interior e da Defesa Nacional, desabafou a fonte.

 

Localizado na região central do país, o Huambo é a quarta província mais populosa de Angola, e conta com uma população acima de dois milhões e 500 mil habitantes (2.309.829 habitantes - Fonte: INE 2018), que estão reféns a um OGE microscópico.



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