Luanda - A representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Angola considerou hoje que o país “está no bom caminho”, face à tendência decrescente de casos de covid-19 nos últimos dias.

Fonte: Lusa

A posição foi hoje expressa, em declarações à agência Lusa, pela representante da OMS em Angola, Djamila Cabral, enaltecendo o esforço do Governo angolano, que “está a fazer aquilo que tem de ser feito”.



“Esperemos que possamos continuar assim, numa situação mais ou menos controlada, e que não tenhamos o segundo pico”, disse Djamila Cabral, salientando que, para a OMS, “a situação em Angola é estável”.

“Continuamos encorajados, porque estamos numa fase com números decrescentes de casos, mesmo se há um dia ou outro com certo aumento, mas a tendência geral quando vemos a curva é uma tendência muito mais baixa do que quando tivemos o pico, que foi mais ou menos em outubro, em que realmente o número de casos foi bastante alto”, referiu.

Segundo Djamila Cabral, o atual quadro demonstra que “as medidas que deveriam ser tomadas foram tomadas e que foi possível ter um efeito, um impacto, no desenrolar da pandemia”.



A responsável referiu-se às medidas contidas nos vários decretos emitidos pelas autoridades angolanas, como o uso obrigatório de máscaras, a restrição de movimentos, de aglomerados, o fecho das fronteiras, a obrigatoriedade de distanciamento, da lavagem das mãos, lembrando que hoje se encontram dispositivos de lavagem ou desinfeção das mãos em todos os locais.

“Para a OMS, a melhor arma que nós temos são essas medidas de saúde pública. Os governos têm estado a fazer um esforço, e Angola está a fazer esse esforço, para que tenhamos cada vez mais adesão da população a essas medidas”, disse.

A representante da OMS em Angola frisou que, se foi possível baixar o número de casos, é porque foram bem implementadas as medidas, que podem ser ainda melhoradas para diminuir ainda mais o número de infeções.



“É isso que nós estamos à espera, que possamos continuar a manter as medidas para que o número de casos não aumente”, sublinhou, realçando que o surgimento de uma segunda vaga “não é obrigatório”.

“A segunda vaga, por aquilo que temos estado a ver, em geral, ela vem, porque como os números baixam, as pessoas também criam um pouquinho mais de confiança”, disse Djamila Cabral, apontando igualmente como causa “o equilíbrio” que os governos tentam encontrar para retomar a vida económica e social.

De acordo com a responsável, é nesse período que, em todos os países, se regista uma segunda vaga.



“Penso que há condições para continuar a manter a situação como está, é claro que exige sacrifícios de todos individualmente, mas também sacrifícios coletivos, e a capacidade ou habilidade de o Governo conseguir equilibrar, porque estamos a ver, por exemplo que as escolas vão começar agora”, disse.

Djamila Cabral referiu que é preciso “tentar”, frisando que já foram criadas condições a nível das escolas para que haja menos riscos de contaminação.

“Vamos ver, se calhar estamos prontos, se calhar não estamos cem por cento prontos, mas podemos melhorar. Isso é uma eterna busca de equilíbrio, entre as medidas que somos obrigados a tomar e o novo normal com que temos de aprender a viver”, considerou.

Questionada sobre se Angola estaria preparada para enfrentar uma nova estirpe do SARS-COV-2, como está a acontecer em alguns países, a representante da OMS disse acreditar que sim, implementando as medidas que vêm sendo tomadas até ao momento.

“Eu acredito que sim, porque como já dissemos a nova estirpe não é um outro vírus, é um vírus modificado, o que não muda absolutamente nada nas medidas que temos de tomar, temos de continuar”, referiu.

Sobre o anúncio de centenas de recuperações diárias nos últimos dias no país, Djamila Cabral disse que pode dever-se a um acumular de casos a serem declarados pelas autoridades, possivelmente devido a alguma demora nos testes de confirmação e nos processos administrativos.

Contudo, “isso não tira nenhum valor ao facto de realmente se poder contar essas pessoas”, adiantou.

Djamila Cabral salientou que a evolução da capacidade de testagem no país tem estado a melhorar, realçando que uma diminuição pontual pode estar ligada à necessidade não só de equipamentos e de reagentes, mas também de pessoal formado.

“Esse processo levou, talvez, algum tempo no início, mas agora estamos numa situação de uma velocidade de cruzeiro, vamos dizer que já há um número mínimo necessário em todos os lugares, tanto de equipamento como de pessoal”, disse.

Angola regista 420 mortos e 18.254 caos de infeção pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.

 



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