Londres - A semelhança do que aconteceu a alguns anos atrás em Malanje quando o povo festejou a exoneração do falecido e  antigo governador Flavio Fernandes, o quadro tornou-se a repetir mas desta vez na comunicação social com o afastamento do ex- Ministro Manuel Rabelais.  A decisão de JES de retirada de confiança ao mesmo  foi alvo de festejo entre funcionários  da RNA e TPA que empalharam  mensagens de alegria nos últimos dias. (Não há informação   acerca da reacção dos trabalhadores na Angop e Jornal de Angola).

Fonte: Club-k.net

Ascensão  e a queda do Ministro

Para alem de ter saído com a fama de mau gestor, Manuel Rabelais é  lembrado pelo registro de falta de salários (na RNA), criação de grupos de intrigas,  medidas disciplinares pesadas contra jornalistas (Ernesto Bartolomeu , Amilcar Xavier, Vaz Quinguri e etc) e a imposição de  filhos do PR  na  TPA.

 

A ASCENSÃO


Formado em direito, Manuel Rabelais é um reconhecido relator de desporto  de radio em Angola. A sua ascensão naquela estação de radio começou a efectivar-se, quando interinou   as funções de  director da RNA  no seguimento da morte do seu antecessor Vieira Dias. Rabelais, de acordo com uma versão interna, havia se reunido de seguida com os responsáveis da RNA nas províncias que após a oferta de viaturas e outros meio  emitiram uma moção de apoio reconhecendo as suas habilidades para que ficasse director efectivo da empresa.


Em paralelo, começou a dar relevância ao factor militância no MPLA ao  qual aderiu  em 1997 (Cartão de militante 29308). Juntou-se ao comitê de especialidade dos  jornalistas do MPLA  passando a ser o responsável dos assuntos políticos. Terá sido nesta condição que rapidamente adere ao Comitê Central no V congresso em representação a classe da comunicação social. Passou a privar com Fernando Miala (o mesmo aconteceu com o Ex DG da RNA, Eduardo Magalhães)


Substituiu  Hendrick Vaal Neto, na comunicação social e tão logo que assumiu as pasta de Ministro reuniu em privado alguns directores de semanários  independentes  em Luanda e em  alguns casos passou a te-los  em sociedades comerciais. Aguiar dos Santos, DG do AGORA, chegou a declinar uma convocatória no gabinete do mesmo. Nas véspera das eleições de 2008 o Ministro ofereceu  viaturas  a todas as redações de jornais privados. O director  Aguiar dos Santos  registrou a "sua"  em nome do seu Semanário (para apoios aos jornalistas) e  se recusa    usar para fins particulares, para evitar conotações de aliciamento.  Entretanto, o  aparente controle que Manuel Rabelais  passou a ter dos jornais privados  foi aplaudido dentro do MPLA, por diferenciar do seu antecessor que mantinha relação de crispação com a classe jornalística não servidora do regime.


Na seqüência das eleições legislativas de 2008, Manuel Rabelais  esteve em vias de ser afastado de Ministro ao qual foi defendido em reunião do Bureau Político por Kundy Paihama que realçou os seus feitos na campanha eleitoral.  Antes disso, alguns dirigentes do  MPLA mostravam-se desapontado com o mesmo após terem surgido informações segundo a qual permitia que os seus colaboradores directos lhe  levassem  desapreciásseis  considerações a respeito do Vice Ministro, Miguel de Carvalho “Wadjimbi”, tido como “quadro do partido”.


PRECIPITAÇÃO DO AFASTAMENTO


O afastamento de Manuel Rabelais terá sido em parte provocado por denuncias e excessos seus em relação aos destinos obscuros dos fundos do orçamento do Ministério  da comunicação social. Criou a sua própria  entourage ao qual se incluíam alguns adidos de imprensa nas embaixadas (através dos mesmos comprou aparelhos na África do Sul para montagem de um estúdio privado com fundos do Estado).


Para as suas deslocações ao exterior, criou um “grupo de avanço”, chefiado por um  colaborador seu, Abílio  Montenegro. O “grupo de avanço” tinha a missão de fazer expedientes no estrangeiro (reservas em hotéis) e os seus elementos viajavam com bilhetes de primeira classe.


O Ex-Ministro aproximou-se a Tchizé dos Santos tendo proposto,  a ex deputada a oportunidade de aderir a comissão de gestão da TPA. Afastou a então  direcção da televisão tendo promovido a idéia de  que  não era ele "quem estava a mandar" e que a entrada na TPA da  filha do Presidente da Republica   correspondia a orientações “superiores”.


Entretanto quando em meados de  Março  2009, o porta voz da Presidência, Aldemiro Vaz  telefonou ao Ministro para se inteirar  de uma informação que chegou ao seu gabinete dando conta que Manuel Rabelais estaria a hostilizar o então director geral da TPA, Fernando Vieira Dias Cunha, ficou claro que a entrada de Tchizé dos Santos na TPA, não representava ordens da Presidência da Republica. Por outro lado, foram notadas  reações de  Tchizé dos Santos quando lhe foi chegando informações que davam conta que a intenção do Ministro era usá-la como moeda de troco para se manter no posto ministerial.


Contudo, um incidente envolvendo Manuel Rabelais levaria ao desapontamento do circulo presidencial quando em finais de 2008 foram posta a circular em meios restritos, informações segundo a qual o então Ministro estava decidido a fazer uma maldade contra integridade física do jornalista Amilcar Xavier. (Os familiares do jornalista  chegaram  a ir ter com a família  do ministro para esclarecimento.)


Há também informações de que antes do período do seu afastamento  chegaram cartas de jornalistas a individualidades afectas a Presidência da Republica e ao partido MPLA contendo reclamações a respeito dos excessos do  então Ministro. Em Dezembro de 2009, uma senhora do cassenda,  apresentou-se como sua esposa a uma das rádios locais  denunciado que teria sido espancada  pelo Ministro  Manuel Rabelais. A versão  que chegou ao partido (entenda-se MPLA), da conta que uma senhora  foi batida por  “alegadamente ter desacatado uma orientação de Manuel Rabelais” e que a mesma   senhora dirigi uma empresa, Sucrimat   que no natal  passado distribuiu  cabaz aos funcionários da RNA.


De um modo geral, a exoneração  de  Manuel Rabelais do governo foi prejudicada por praticas que levaram a fragmentar os fundos da comunicação social espelhado nos seguintes exemplos a saber:

- Casos de subfacturação: Um grupo de brasileiros cobrou cerca de 1 milhão de dólares para realização de uma Novela “minha terra,minha mãe” feita entre Angola e Brasil. Uma outra novela, “doce pitanga” feita por angolanos através de  uma produtora atribuída a Manuel Rabelais  custou cerca  6 milhões de dólares.


- Gastos não justificados de  cerca de 4 milhões de dólares da RNA ao qual numa reunião interna atribui culpas a ex-director da RNA, Eduardo Magalhães aconselhando-o a devolver. (Rabelais era  na pratica um DG da radio  a distancia)


- Criação de empresas suas que prestam trabalho nas instituições do Ministério, a exemplo da  empresa Sucrimat dirigida pela esposa.


- Existência de uma folha “sombra” de salários dos  trabalhadores da RNA e TPA, ao qual inclui salários de cerca de USD 2000 por jornalistas  e recebimento do ordenado de pessoas já falecidas.


- No seu consulado, quando foram nomeados directores gerais impôs que os financeiros tivessem que ser homens de sua confiança. Alguns saídos do seu gabinete.


- As empresas  da comunicação social tem contas no BPC ao qual recebem pagamentos. Através das empresas, Manuel Rabelais pedia financiamentos no referido banco cuja a honra de devolução era desconhecida.  Quando o ministério das finanças autorizava pagamentos o mesmo usava parte daquele dinheiro para liquidez de dividas no BCP acabando as empresas como a RNA e TPA  ficarem sem  dinheiros resultando em falta de salários e etc.


- Em finais de 2009, os directores das empresas tiveram que pedir empréstimo ao banco para poder efectivar os salários de Dezembro e décimo terceiro. ( RNA ficou sem salário ate ao dia 15 de Dez 2009 e de momento ainda ha atraso de dois meses de salário).


- Transferência bancaria  de altas somas de  dinheiro para Portugal através de uma conta no banco BIC  de uma suposta esposa (Terá comprado uma casa neste pais onde tem filhos a estudar).


Quando os funcionarios da RNA e TPA começaram a reclamar sobre desvios de dinheiros na empresa, alguns quadros conotados a Manuel Rabelais promoveram,  nos corredores,  “conversas de bar” alegando que “o Ministro não estava comer sozinho” e associaram o nome de  Aldemiro da Conceição,   funcionário  da Presidência da Republica e de  Norberto dos Santos “Kwata Kwanawa”, ex Secretario do MPLA para informação como dirigentes que estariam a beneficiar da rede do Ministro.


Na  noite do dia em que Manuel Rabelais  foi afastado, um grupo de elementos ligados ao mesmo   dirigiu-se ao parque de estacionamento da Radio Nacional para retirar  sete viaturas da marca Mitsubishi, todas elas novas. Não há informacao de que o “saque” tenha agido a mando do Ministro demissionário.



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