Luanda - Mais uma vez o problema da verdade dos factos a inquinar a agenda política nacional, na sequência dos trágicos acontecimentos ocorridos em Cafunfo/Lunda-Norte, numa altura em que até no número dos mortos há balanços substancialmente diferentes, enquanto se cruzam distintas narrativas/justificativas com dolorosos vídeos à mistura que não mentem quanto à violência do episódio, mas que por si só também não conseguem explicar o que realmente se passou e como se passou.

Fonte: Club-k.net

Dos dois lados da barricada no terreno há testemunhas oculares dos factos, entre protagonistas e meros observadores circunstânciais, mas só se ouvem uns, os que falam mais alto e até gritam.


Com as preocupações que já são recorrentes em relação à falta de objectividade das notícias que nos chegam de Cafunfo, é inevitável não voltar a falar aqui no trabalho dos jornalistas que já estiveram na Vila, enquanto as redes sociais se enchem de posts e comentários a reflectirem posições contraditórias entre prós e contras de mais uma disputa que está a dividir os angolanos para não variar muito os ingredientes deste prato preferido da dieta nacional em matéria de desentendimentos.


Definitivamente não é por aí, pela via da manipulação da informação, que devemos ir se quisermos fazer de Angola um outro País, diferente daquele que temos tido até agora, o tal país das instituições republicanas que desaparece completamente quando alguns interesses estabelecidos entram em rota de colisão com o país real.


Esta via já experimentamos durante este tempo todo e já vimos que ela não resolveu nada e apenas permitiu contornar a realidade, colocando-nos a viver num mundo virtual.


Mais uma vez e para responder a algumas preocupações, digo que não se pode analisar uma realidade sem termos alguma certeza sobre os factos.

É o que se está a passar com Cafunfo.


Para além dos mortos (quantos?), que temos que lamentar profundamente, acredito que a maior parte do país, onde também consto, ainda não sabe o que se passou efectivamente naquela vila mineira.


PS-Com diferentes motivações, os conflitos não vão desaparecer tão cedo, mas já devíamos estar melhor preparados para enfrentar as suas consequências, seja no terreno dos factos, seja depois a gerir os seus impactos mais públicos/políticos.

 



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