Luanda - Antes de mais é importante frisar que, a inteligência refere-se a informações relevantes que permitem os governos formularem e implementar políticas de defesa para lidar com ameaças gerais e sectoriais. Como actividade pode ser entendida, como o processo de recolha, análise de informações provenientes de fontes abertas ou fechadas (de outras relações) e de desenvolvimento de medidas que visam evitar a espionagem ou acções de inteligência de outros Estados (contra-inteligência).

Fonte: Club-k.net


É uma actidade de extrema importância para sobrevivência de qualquer Estado, porquê ela está intimamente ligada à segurança dos interesses nacionais a nível interno e externo. E os interesses de segurança nacional angolanos encontram-se definidos no Conceito Estratégico de Defesa Nacional (a sobrevivência da nação, a prevenção contra qualquer tipo de agressão ao território angolano, a segurança do sistema económico nacional, a segurança e confiabilidade dos aliados e a protecção dos cidadãos angolanos no estrangeiro).


A velha geração de profissionais de inteligência

Desde a proclamação da independência de Angola, houve sempre uma preocupação com a necessidade da criação de órgãos vocacionados a lidar com a informação, por via do Decreto-lei nº 3/75 de 29 de Novembro o MPLA criou a D.I.S.A, (Direcção de Informação e Segurança de Angola), com o intuito de ter acesso a informação privilegiadas sobre quem tenta-se contra a soberania, surgiram também no seio dos outros movimentos de luta de libertação órgãos vocacionados a lidar com a informação. Destaca-se a BRINDE no seio da UNITA, ou ainda o MINISTÉRIO DE GUERRA da FNLA que contava com uma área ou CHEFIA DA INFORMAÇÃO DE EXÉRCITO.


Os órgãos de Inteligência e Segurança angolanos resultam das sucessivas transformações impostas pelo governo desde a génese até aos dias de hoje (D.I.S.A. e o MINSE…). A actual arquitetura dos Serviços de Inteligência de Angola, desdobra-se em 3 órgãos distintos mas com uma relação de interdependência (SINSE, SIM e SIE).


Há uma primeira geração de profissionais de inteligência, que se forjou no contexto de luta de libertação nacional sobretudo, na segunda metade da década de 70 e uma segunda que se juntou a primeira nos anos 90 preparados por Cubanos e Russos, que com todas as dificuldades e limitações mas, imbuídos de um espírito de patriotismo, cumpriu com o seu papel garantindo a soberania do território angolano e a paz, geração está que por razões de tempo de trabalho ou idade está a reformar-se.


A nova geração de profissionais de inteligência e os desafios


Penso que os desafios são impostos pelo contexto, ou seja, o contexto da colonização impunha o grande desafio de alcançar a independência e ao mesmo tempo preservá-la, o contexto de guerra civil impunha o desafio de alcançarmos a paz. E é irrefutável a continuidade de um legado de coisas boas ou das conquistas da geração anterior pela actual geração.


O contexto da nova geração é marcado pela era da informação, do digital e da globalização impondo assim, os seguintes desafios:


• O primeiro grande desafio passa por compreender que a par da transição do poder entre Estados, o poder também está cada vez mais difuso e um conjunto de fenómenos têm acontecido porquê escapam a esfera dos Estados, ou seja, o poder vai difundindo-se ou concentrando-se nos agentes não estatais (terroristas, piratas informáticos, organizações criminosas no domínio das finanças, traficantes de drogas, órgãos e seres humanos, bioterrorismo, contrabando de combustível…) o que implica, estudos contínuos, uma abordagem eficaz, eficiente e preventiva diante das novas ameaças.


• O segundo grande desafio passa por compreender que os Serviços de Inteligência, jogam um papel preponderante para sobrevivência de uma nação. E enfrentar as novas ameaças significa garantir segurança a nação angolana, mas, isto só será possível pela continuidade de um legado marcado pela cultura do segredo, por valores como patriotismo, lealdade, comprometimento ao trabalho e diante de tudo o interesse nacional em primeiro lugar.


• O terceiro desafio que a nova geração tem é o de continuar a contribuir para consolidação da democracia e da institucionalização do poder, ou seja, tornar as instituições cada vez mais fortes.

• A necessidade de recuperação económica. O actual quadro macroeconómico angolano, caracteriza-se por constantes desequilíbrios, que derivam dos efeitos de sucessivas recessões económicas desde 2016 e dos efeitos das reformas estruturais levadas ao cabo pelo governo desde 2018.


Portanto, entendemos que no âmbito da segurança económica ou da protecção dos alvos económicos interno, é da competência dos órgãos Executivos Centrais do SINSE, particularmente da Direcção de Subversão Económica e Financeira que produz informação de inteligência económica sobretudo de natureza económico-financeira criminosa continuar a dar o seu contributo de forma eficaz e eficiente.

 

• Explorar novas oportunidades de recursos financeiros é um quinto desafio para a nova geração. Em função do actual contexto económico angolano é necessário e premente uma abordagem ofensiva do Serviço de Inteligência Externa a fim de produzir informações estratégicas sobre ameaças e oportunidades para a nossa economia, favorecendo o processo de diversificação económica garantindo informações sobre o acesso aos recursos, mercados e parcerias. A promoção dos interesses económicos pelo SIE deverá ser feita por via da: (definição de objectivos geoeconómico, realização de análises e previsões económicas dos mercados intraregional e inter-regional, fazer avaliações de ameaças e riscos, Análise dos mercados (necessidades, produto, preço, ponto de distribuição e players)

 

• Auxilio no reajuste da diplomacia económica. Tanto a diplomacia como os Serviços de Inteligência, constituem instrumentos privilegiados para condução da política externa, todavia, entendemos que a diplomacia económica levada ao cabo pelo governo angolano terá melhores resultados se for antecedida de uma inteligência económica, dai que o desafio do novo profissional de inteligência é produzir informação estratégica sobre possíveis parceiros, mercados, financiadores e investidores que servirá de auxílio para uma melhor negociação por parte dos diplomatas.


• O último e não menos importante desafio é a abordagem pragmática em todos potenciais focos que podem gerar instabilidade na ordem interna, radicalização e fundamentalismo religioso, rebeliões, movimentos com inspirações separatistas ou independentistas sobretudo em províncias que estabelecem fronteiras com outros países.

 



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