Luanda – O Presidente da Junta Nacional de Saúde, Augusto Manuel Gonçalves Lourenço, no cargo desde 1999, está a ser citado em círculos restritos de sua confiança como tendo manifestado deixar o cargo em protesto a forma como o governo (do seu irmão mais novo João Lourenço) está a gerir o processo de encerramento da sessão da Junta médica em Lisboa. Na mesma condição é igualmente citado como tento procedido da mesma forma, o seu adjunto, Jorge Dupret.

Fonte: Club-k.net

De acordo com a cronologia dos factos, na última semana de Janeiro, o governo angolano - a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira - anunciou, que iria encerrar o sector da Junta de Saúde em Portugal, a partir de Fevereiro. Na mesma ocasião, a titular da saúde Silvia Lutucuta afirmou também que a junta de saúde tem beneficiado uma faixa da população já de si privilegiada e que muitas das patologias que estavam a ser tratadas em Portugal já podem ser resolvidas em Angola.


Após um estudo, o Governo "decidiu sanear a preocupante situação da junta de saúde em Portugal e fez o cadastramento de todos os doentes", sendo redefinidos os novos modelos em que deverá funcionar o "atendimento excecional para casos que não podem ser tratados no país", devendo respeitar o princípio de igualdade.


Por sua vez, no passado dia 5 de Março, um grupo de doentes angolanos em Portugal protestam – junto a embaixada de Angola em Lisboa - contra fim das juntas médicas. Para estes pacientes em tratamento em Portugal, o regresso forçado a Angola, com o fim das juntas médicas, significa uma "sentença de morte", uma vez que o país não reúne todas as condições para tratamento.


Diante destas contradições, fonte que acompanha o assunto disse ao Club-K, que “O Dr. Augusto Lourenço, Presidente da Junta Médica e seu braço direito Dr. Dupré, pediram demissão por verem suas funções atropeladas pelas ordens superiores e por não concordarem com as últimas decisões publicamente assumidas consecutivamente pela ministra da saúde que assumiu a existência de solução (em Angola) de inúmeras patologias como na área renal e oncológica”.


O assunto das demissões destes dois altos funcionários é mantida no secretismo pelo ainda não foi objeto de anuncio na comunicação social em Angola. Fontes em Luanda, alegam que as autoridades poderão nomear novos responsáveis sem que se faça alarido das motivações da saída dos dois responsáveis da Junta Nacional de Saúde.

 

Estado angolano não suportará mais custos


Com o despacho governamental, o Estado angolano declina-se a assumir qualquer responsabilidade em continuar a suportar custos com a estadia dos doentes em Portugal. No entanto, para alguns destes doentes, regressar a Angola está fora de questão, porque as condições de assistência médica e medicamentosa não são as mais adequadas para seguir os casos mais delicados. É o que reafirma Vitorino Leonardo.


"Eu, por exemplo, sou transplantado há menos de quatro anos. O meu rim ainda não está bem assente no meu organismo. Como é que eu vou para Angola, onde é que vou ser tratado, onde é que vou buscar os medicamentos, onde é que eu vou fazer as análises?", questiona indignado.


Pelas redes sociais circulam vídeos de alguns pacientes regressados a Angola, a braços com dificuldades de assistência médica e medicamentosa, por intermédio do setor da Junta Nacional, como dá conta outro doente, Gabriel Avelino Tchimuco.


Gabriel Tchimuco, presidente da Associação dos Doentes Angolanos em Portugal
"Nós temos aí neste momento dois doentes transplantados que já questionaram a Junta Nacional onde é que vão continuar os seus tratamentos e a Junta não sabe o que fazer.

Estes doentes estão em rebuliço, estão preocupados. E agora querem regressar e a Junta não lhes quer dar apoio. Portanto, isto é preocupante. Isto é colocar uma vida humana em risco”, sublinha.


O também presidente da Associação dos Doentes Angolanos em Portugal (ADAP) viaja esta sexta-feira (05.03) para Luanda, para encetar diligências junto das autoridades competentes face à situação.


"Não compreendemos como é possível que doentes que tenham vindo de Junta, que tenham passado por uma comissão médica, foram avaliados e que foi considerado que esses doentes não tinham tratamento possível em Angola, daí que foram reencaminhados para Portugal. O nosso espanto é que houve, de facto, uma comissão médica que veio a Portugal e essa comissão avaliou caso a caso esses doentes, mas nunca em nenhum momento terá dito aos doentes que deveriam regressar ao país. Então, não faria qualquer sentido ter enviado uma comissão para avaliar os doentes", diz.


Entretanto, por estarem em causa vidas humanas, Gabriel Tchimuco lamenta: "Quando se diz que os médicos portugueses passam relatórios falsos a dizer que os doentes não podem regressar a Angola, sinceramente, isto é até uma falta de respeito à dignidade e à colaboração que é dada pelo Estado português para que os doentes consigam continuar o seu tratamento."



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