Luanda - É preciso lancetar os abcessos ideológicos contraídos da ditadura do proletariado que se constituiu num dos princípios fundantes do Estado angolano em 1975, que ainda envenenam gravemente as relações de convivência política, social, cultural e econômica do nosso país.

Fonte: Club-k.net

O Estado angolano foi edificado na base da manipulação política com o não cumprimento dos Acordos de Alvor, na base de únicos e legítimos representantes do povo, da arrogância ideológica, do ódio, da mentira, de assassinatos e da pilhagem. Quarentena e cinco(45) anos depois, podemos concluir com enorme tristeza e decepção que ainda não houve uma ruptura de mentalidade monolítica para se caminhar para uma democracia multipartidária e cidadania inclusiva.


A elite política no poder em Angola, seduzida pelo sonho da sua eternidade no poder, continua envolvida numa verdadeira cruzada subjetiva de auto-preservação, produzindo um debate político, que navega nos esgotos tóxicos da subversão epidêmica dos sistemas ditatoriais retrógrados já rejeitados pela história, onde a política é uma selva, com uma capacidade de criar inimigos, demonização dos adversários políticos e a cultura pidesca de comprar consciências de cidadãos.


Estamos todos no mesmo barco, na medida em que todos são servidos de princípios e valores comuns ou diferentes, mas que na sua relação dialética, enriquecem a perspectiva da vida humana do angolano. Um debate político de ódio e subversão só mancha e envergonha o espírito patriótico de convivência nacional na diversidade. Deve haver povos em África que se riem de nós, hoje em 2021, vergonhosa e lamentavelmente.


A nossa cidadania, tem de se libertar das agendas e dos condicionalismos políticos e ideológicos, porque para além das fronteiras partidárias, existe um espaço histórico, fecundo, maior e racional de convivência social, cultural, étnica, racial, religiosa, e é para lá onde devíamos conduzir o nosso sentimento patriótico de construção de uma nação, igual para todos os seus filhos.


O patriotismo, ensina-nos a pensar no valor da vida, no bem estar individual do próximo, sobretudo no meio que nos rodeia, pensando nas circunstancias históricas, sociais e econômicas em que vivemos. O patriotismo deve ser a fonte da fraternidade e da solidariedade nacional.


Não nos tornemos cegos em relação a nossa história, nem surdos em relação a força das palavras. Não estamos em 1975 ou 1992, a dialética diz que os fenômenos não são estáticos, a população está exausta, por isso, faminta em viragem e quer viver em harmonia no nosso jardim Angola.


- Chipindo Bonga

 



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