Lisboa - Só mesmo no ano 2017 tendo em conta os dados das Nações Unidas, cerca de 87 mil mulheres morreram em mãos dos seus maridos, conviventes ou namorados e África é o continente em todo mundo com a taxa mais elevada de feminicídios.

Fonte: Club-k.net

A luta contra a violência de gênero é uma luta global, que deve envolver toda a sociedade, já que este flagelo não depende de estratos sociais, origem, níveis de estudos, nem de ideologias. Todas as mulheres do mundo sofremos diariamente de alguma forma de violência, já seja física, psicológica, econômica ou social. Quer dizer, que quando não nos batem (violência física), nos desprezam (violência psicológica), nos impedem de controlar o nosso próprio dinheiro (Violência econômica), nos acossam quando andamos sozinhas pelas ruas (violência social) e violência política, quando o Estado permanece calado e não aplica medidas efetivas diante da violência que afeta as mulheres.

 

Ruanda é o país do mundo com os dados mais elevados quanto a violência de gênero, o curioso é que as mulheres não morrem nas mãos dos maridos. O caso da Ruanda chamou a atenção de todas as feministas do mundo, porque este país tem as taxas altas de violência de gênero porque as mulheres estão tão bem empoderadas que diante de qualquer tipo de violência de gênero denunciam ao seu agressor e o Estado toma medidas.

 

O que é que acontece com o nosso país? Qual é o exemplo que recebemos das mulheres que já romperam o famoso teto de cristal e assumem atualmente cargos políticos de importante visibilidade e reconhecimento social, como é o caso, de acordo com notícias do portal Club K não desmentidas, da Ex-Vice-Governadora para o sector Político, Social e Econômico da província do Huambo, a Sra. Maricel Marinho da Silva Capama?

 

Entendemos que a família é o núcleo mais sagrado de qualquer sociedade e a manutenção da mesma é o pilar de qualquer sociedade saudável. Mas a que custo devemos manter uma família? Onde é que ficam os princípios compactados na lei angolana contra a violência de gênero aprovada em 2011? Sra. Maricel acho que uma mulher como a senhora que teve a oportunidade de ser oradora assídua de programas virados a questões de gênero, que ostenta uma responsabilidade pública importante, devia ser a primeira em não passar por alto questões tão sérias como a violência de gênero. No seu caso, trata-se duma responsabilidade pública acrescida. Pense em todas essas mulheres que sofrem caladas, que morrem a cada dia no nosso país e em todo o mundo por causa deste flagelo. Pense que um agressor dificilmente muda, desta vez está ali para contar-nos, mas não sabemos o que poderá vir depois.

 

A violência de gênero é assunto sério, em muitos países é mainstream em todas as políticas públicas. Pense na sua capacidade de interceder. Muitas mulheres são diariamente atravessadas por várias formas de violência única e simplesmente pelo facto de terem nascido mulheres. Muitas, entretanto, têm sido salvas por intercessão de figuras públicas, o que também estimula o seu emponderamento. Emponderemo-las sim e acabemos com este flagelo também no nosso país. Só dessa forma nos damos ao respeito que merecemos, começando pelo lar. Não deixa, pois, de ser um ato de grande egoísmo, e quiçá de cobardia, quando uma figura pública cala um delito que persegue a muitas pessoas sem voz e nem voto.

 

“Enquanto existir uma mulher oprimida, nunca serei livre”. Audrey Lorde. Feminista Afro-americana.

 



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