Luanda - Paz, Páscoa, mentiras e moscas; verdades às moscas, mentiras presentes em momentos de “paz” e Páscoa… Opah, levei um tempo considerável do meu já parco exercido nas minhas 24 horas para denominar este cardápio com laivos governativos que nos está a ser servido e “obrigado” a degustar sem trejeitos.

Fonte: Club-k.net

Argumentar textualmente sobre o excesso de resíduos que já habitam em quase todos os cantos da nossa capital sem desprimor de zonas urbanas ou suburbanas já se assemelha a um disco de música deteriorado. Ou então fazer uma orquestra esclarecida tocar das melhores sinfonias para uma plateia de surdos.


Questiona-se a todos os níveis o que se está a passar. Quem deverá ter levado a bússola desta terra? Como é possível a normalização de coabitação com as fincudas esverdeantes em todo o sítio com ou sem glamour? Hoje todo o luandense que se preze é um autêntico combatente: anda já com um pedaço de pano para afastar as nefastas voadoras que tentam a todo custo ombrear o pouco do nosso sustento alimentício em qualquer refeição. Temos governação? Para algumas coisas quiçá tenhamos porque para as moscas, que nos entendamos nós.


É que estamos em Abril. Um mês em que se celebra a aclamada paz conseguida com o calar das armas, uma paz que não é de mentira mas a turbulência social em que vivemos só não é vista nem sentida pelos egoístas de costume, por aqueles que usam uma lente partidária e que por intermédio de algumas cores vivas e uma negra conseguem, via discursos com características religiosas acalentar estomâgos que roncam pobreza. “Vamos ter fé…”, é o slogan usado por quem já atingiu o cúspide da desgraça mas espera que os olhos espirituais de alguns pastores esfomeados, que no mínimo de oportunidade verborreiam o que lhes apetece sob protecção dos direitos e liberdades individuais, o livrem da mesma. Eu até já duvido se o kota diabo não esta a regozijar de satisfação exarcebada pelos feitos dos seus filhos que se expressam em nome de um mas agem com mestria em nome de outro.


“Está tudo às moscas” é uma expressão que significa estar tudo vazio. O hodierno que se vive obriga-nos a descontextualizar o significado amplamente conhecido desenhando assim uma outra realidade. Está tudo “às moscas” pode muito bem ser traduzido como sem uma governação oportuna e satisfatória. Está sim às moscas. E com isso estamos todos com as moscas. Não é praga alguma. É mesmo ter os pensamentos e capacidades administrativas às moscas.


E assim vamos todos vivendo com as moscas também, muitas delas já domesticadas. Elas não são más de todo. Esfregam as patinhas quando pousam suas porcas estruturas sobre o alheio alimento. Uma forma de pedir licença. Mas o mal que trazem com elas podem crer que não estamos preparados para lidar pois muitas das nossas estruturas de saúde públicas estão tão às moscas de profissionais com deontologia como tudo que já foi feito menção.


Só espero que dada as cargas pluviométricas que nos assolam, a próxima epidemia que se aproxima não seja associada a coitada da Covid que não tem nada que ver com isso.


Enquanto isso sejam criativos e saibam conviver com as inócuas fincudas que culpa nenhuma nessa azáfama chamada pátria têm.

 



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