Luanda - O jornalista angolano Francisco Rasgado, director e fundador do jornal Chela Press, foi detido nesta sexta-feira, 23, por ordem do Tribunal de Comarca de Benguela, no seguimento do processo-crime movido pelo antigo governador provincial, Rui Falcão Pinto de Andrade, conforme noticiado pela VOA há cerca de quatro meses.

*João Marcos
Fonte: VOA

Fonte bem posicionada justificou a medida com o que chama de “ausência” do arguido, mas a defesa fala em falta de notificação para o julgamento do caso.

 

O mandado de detenção, assinado pelo juiz de Direito António José Santana, não faz menção a crimes, facto que tem alimentado críticas da parte da defesa de Rasgado, que responde por suposta calúnia e difamação na abordagem da apreensão de equipamentos para construção civil entregues a uma operadora privada.

 

No fim da tarde já depois de ter sido tirado de casa por agentes da Polícia Nacional, o jornalista encontrava-se no Serviço de Investigação Criminal (SIC), de onde pode ter seguido já para a cadeia do Cavaco, arredores da cidade de Benguela.

 

A defesa, liderada pelo advogado José Faria, trabalhava para evitar este cenário, na expectativa de protestar junto do Tribunal na segunda-feira, 26

 

“O senhor Rasgado não foi notificado para julgamento nenhum, primeiro. O mandado não faz menção às razões da detenção”, resumiu Faria.

 

Foram também estas, de resto, as palavras de Francisco Rasgado no breve contacto com a VOA a partir do SIC, já depois de ter estado no Tribunal de Comarca, sem ter sido ouvido.

 

A VOA não conseguiu obter a versão do advogado de Rui Falcão, agora secretário para informação e propaganda do Bureau Político do MPLA, Luciano Elias.

 

O equipamento para construção civil, distribuído pelo Governo central, chegou a ser apreendido pela Procuradoria-geral da República (PGR) suspeita de fraude na adjudicação à firma CCJ, que também apresentou queixa contra o jornalista.

 

As máquinas viriam a ser devolvidas à operadora em causa, tal como noticiado pela VOA.

 



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