Johanesburgo - Em 1991, o então Presidente da UNITA de  Jonas Savimbi, manifestava receio de disponibilizar para a constituição das FAA, os principais cabos de guerra da alta hierarquia das FALA, optando por enviar comandantes da segunda linha. Para formação do exercito único, que assim se impunha, ao lado de João Batista de Matos, das extintas FAPLA, o líder da UNITA, indicou um jovem general Alberto Kanjongo Pongolola, que se encontrava a combater na frente leste da guerrilha.

Fonte: Club-k.net

Conhecido também pelo nome de guerra “Mbunji Ya Umba” o general Alberto Pongolola, era o oficial que antes da assinatura dos acordos de paz de Bicesse, esteve a dirigir a luta no leste de Angola, quando a UNITA sitiou a cidade do Luena. Fora ele que a 26 de Maio de 1991, reuniu-se com o então coronel das FAPLA, Francisco Higino Carneiro em Sandongo, arredores da capital do Moxico, para balanço das hostilidades entre as partes beligerantes.

 

Enviado para Luanda, após os acordos de paz de bicesse, terão chegado informações a Jonas Savimbi de que as coisas não estava a correr muito bem e que Pongolola estaria a comprometer os trabalhos. Savimbi decidiu retira-lo e para a sua substituição, o líder da UNITA, viu-se forçado a fazer o que não queria. Mexer no TOP do seu exercito, indicando para fundação das FAA, o então Comissário politico nacional das FALA, José Abílio Kamalata Numa que era a terceira figura da hierarquia da estrutura militar da UNITA.

 

Com Pongolola de fora, aos 9 de Outubro daquele mesmo ano, os generais Kamalata Numa e João Matos fundaram o novo exercito angolano, as FAA. No ano seguinte, a guerra reascendeu, por conta do impasse pós-eleitoral. Em 1993, Alberto Pongolola, esteve no Huambo ao lado de Savimbi quando esta cidade fora tomada pelas forças da UNITA, depois de 55 dias de confrontos militares. Em Novembro de 1994, as partes beligerantes assinaram o protocolo de paz de Lusaka.

 

Em 1996 (junto com os generais Chilingutila, Ben-Ben, Wiyo, Katata, “Regresso”, Njele, “Long Fellow”, Chipa), o general Alberto Kanjongo Pongolola, é enviado para Luanda, no quadro das obrigações dos acordos de paz de Lusaka, para reingressar no novo exercito. Em dezembro deste mesmo ano, ele seria nomeado – por via do despacho presidencial 89/90 – como o comandante da guarnição de Luanda. Aos 24 de Fevereiro de 2014, famílias ligadas a UNITA anunciavam que perderam o general Mbunji Ya Umba, em Luanda, vitima de doença. Foi a enterrar no Huambo, sua terra natal.

A ORIGEM DA ALCUNHA “MBUNJI YA UMBA”

Aos dias de hoje, o general Alberto Pongolola continua a ser relembrado nas hostes da UNITA. O general Arlindo Samuel Kapinala “Samy”, que faleceu recentemente e que foi o último Vice-Chefe de Estado Maior das forças militares da UNITA, costumava a contar aos seus soldados a origem do nome Mbunji Ya Umba que lhe foi contada pelo sujeito da historia.

 

Quando os cubanos tomam a cidade do Huambo no dia 8/02/1976, Pongolola, já feito soldado da guerrilha de Jonas Savimbi, foi preso com ordem para ser executado, sobretudo pela descoberta de tratar-se de um “capitão da UNITA”. As FAPLA, haviam escolhido entre a área de Kalima e Centro Evangélico de Sakassoko para quem vai a Comuna da Gandavila/Gove, como local para dar lugar ao seu fuzilamento e de outros seus companheiro.

 

Executada a missão, os corpos ficaram espalhados naquela floresta, mas Pongolola, não foi atingido em zonas cruciais dos seus órgãos vitais, ficando ensanguentado e estatelado, naquela zona que por sinal tem muito salalé (Ombunji, na língua umbundo).

 

A dado momento um velho que passou pela área encontrou, o soldado Pongolola coberto de barro de morro de salalé (Ombunji), mas com sinais de vida. O velho, segundo contou em vida, o ferido ao general Samuel Kapinala “Samy”, removeu-lhe o barro da cara e do resto do corpo e, por sorte reconheceu que era filho do Pastor Pongolola. Comovido, o velho chamou na vizinhança uma outra pessoa de confiança, levando o ferido para um outro local onde seria socorrido e transportado para o hospital do Dondi.

 

Chegados no hospital, os profissionais da saúde que receberam o ferido na cumplicidade dos que o socorreram codificaram a presença do mesmo por “Mbunji ya Umba”, para que ninguém se apercebesse que se tratava do capitão Alberto Pongolola da UNITA. Depois de recuperado o então capital conservou esta alcunha até o último dia da sua vida.



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