Luanda - O colégio Nossa Senhora da Anunciação, localizado na Centralidade do Sequele, município de Cacuaco, em Luanda, está a ser acusado de ter expulsado nesta quarta-feira, 5, um grupo de 70 estudantes, que há duas semanas, manifestou-se na instituição contra os constantes actos de assédio sexual de menores por parte dos professores e falta de condições na referida escola.

Fonte: Club-K.net

Segundo apurou o Club-K, inicialmente foram suspensos 60 alunos, todos do ensino médio nos diferentes cursos, após terem participado de um protesto que visou denunciar os aliciamentos sexuais do corpo docente, mas a direcção alega que, os alunos em causa foram suspensos por terem violado o Decreto Presidencial que proíbe os ajuntamentos.

Depois da pressão feita pelo Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), liderado por Francisco Teixeira, junto da direcção do colégio Nossa Senhora da Anunciação, o Gabinete Provincial da Educação de Luanda, interveio no caso, tendo resultado numa reunião que teve lugar na segunda-feira, 3, nas instalações do mesmo colégio.

O líder do MEA, que Francisco Teixeira, que condenou o comportamento da direcção do colégio Nossa Senhora da Anunciação revelou que, a prática de assédio sexual nas escolas contra menores tem sido recorrente e são acobertados pelos responsáveis das próprias escolas.

“É uma prática nos vários colégios, que mesmo registando tais actos de assédios as crianças de 12 e 13 anos, eles não denunciam, preferem proteger o professor com vista a manter a imagem da instituição, sabendo que provoca grandes estragos pscicologicos às alunas”, disse.

Depois do encontro, a Direcção Provincial da Educação de Luanda orientou que os alunos suspensos deviam voltar às aulas, mas segundo Francisco Teixeira, “para o nosso espanto o dono do colégio diz que não”, o que para o Movimento dos Estudantes Angolanos, “configuram numa afronta ao Estado”.

“Eles não estão a respeitar a medida do Estado, que se fez representar pelo Chefe do Gabinete Jurídico, sob a orientação do director do Gabinete Provincial da Educação de Luanda, que determinou que os alunos deviam voltar à escola nesta quarta-feira, 5”, lamentou Francisco Teixeira, para quem “é o poder das pessoas que têm dinheiro”.

A direcção do colégio Nossa Senhora da Anunciação na Centralidade do Sequele fala apenas em 26 alunos, que teriam sido suspensos, por supostamente terem “violado” as normas do distanciamento constantes no actual Decreto Presidencial sobre a Situação Calamidade Pública, tendo em conta a pandemia da Covid-19.

“A manifestação não tinha razão de ser porque a directora Pedagógica, conversa sistematicamente com os alunos, ouvindo as suas inquietações e a posterior dar a solução das mesmas”, esclarece o colégio.

O Movimento dos Estudantes Angolanos defende o levantamento da suspensão e a reintegração dos estudantes “expulsos”, por entender que, a manifestação realizada pelos alunos, na sua maioria do curso de medicina, constitui um direito consagrado na Constituição da República de Angola e que a medida do colégio Nossa Senhora da Anunciação “viola os direitos fundamentais dos cidadãos”.

“O MEA, não vê crime nenhum porque até a polícia esteve no próprio dia da manifestação, e não tomou medidas quanto ao agrupamento”, refere o comunicado enviado ao Club-K.

As alunas, para além do assédio sexual, denunciam igualmente a falta de condições na referida instituição escolar, com a inexistência de laboratório no curso de medicina, casas de banho sujas se água corrente, bem como a falta de retroprojectora durante as aulas.



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