Luanda - Organizações não-governamentais com foco na defesa dos direitos humanos, apelaram nesta quinta-feira, 6, no Lubango, ao governo angolano para declarar o estado de emergência alimentar na região sul em face da fome que atinge dezenas de milhares de famílias como consequência da seca.

Fonte: VOA

Políticas públicas claras e sustentáveis para prevenir e acudir os efeitos da seca na região sul é o que pedem a MBAKITA, OMUNGA, ACC, FORDU e ANO cinco organizações da sociedade com intervenção nesta parcela de Angola.

 

Durante uma mesa redonda de dois dias iniciada nesta quarta-feira, 5, que visou analisar a prolongada estiagem e suas consequências em todo o Centro e sul de Angola, os participantes concluíram que o quadro é gravíssimo, e se apegam no exemplo das cerca de 15 mil pessoas que terão fugido para a república da Namíbia, em busca de comida para descrever a situação.

 

O ativista, Jacinto Pio Wacussanga, da Associação Construindo Comunidades, (ACC), alerta que a situação é preocupante e refere que entre as famílias que chama de refugiados climáticos estão as minorias étnicas da comunidade San.

 

“ É o de a fome ter criado refugiados climáticos na república vizinha da Namíbia. Representa uma grande ferida na coesão sociocomunitária e de grupos porque uma a parte dessas comunidades fazem parte das minorias étnicas do sul de Angola que ainda não estão reconhecidas constitucionalmente no quadro da república de Angola”, disse.

 

Para Ângelo Kapwacha do Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário, (FORDU), existem bases que justificam a necessidade do estado angolano declarar o estado de emergência no sul de Angola.

 

“ Seria o momento de evocar o estado de emergência para essa questão, porque o problema é que, situação de emergência não fere o orgulho de um governo personalista, aquele que coloca no centro das suas preocupações a pessoa”, disse.

 

A emergência não é uma questão de quantidade é da gravidade da coisa”, acrescentou . O país se tem mobilizado com campanhas de recolha de donativos para acudir as famílias vulneráveis na região e o activista saúda o gesto mas lembra que estas ajudas não são sustentáveis. Kapwachasublinhou que é preciso saber “qual é o método de distribuição das organizações de base que estão a atuar, e também que haja mais abertura e transparência e um diagnóstico real sobre o destinatário’.

 

”O nosso governo não é dialogante, pensa que traz soluções do seu próprio bolso”, acrescentou.

 



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