Roma  - O MIREX é um Ministério que precisa crescer muito diplomaticamente, o seu fraco desempenho, a sua falta de conhecimento político-diplomático e a sua ineficácia projectual, colocam em evidência o seu fracasso organizacional, o que faz do MIREX uma instituição não funcional, basta olharmos as nossas embaixadas e consulados, são tão desorganizadas quanto o seu corpo-diplomático, fazem as coisas sem domínio e sem eficiência.

Fonte: Club-k.net

Entre as categorias diplomáticas descritas pelo artigo 29.° n:° 1, do Estatuto Orgânico do Ministério das Relações Exteriores de Angola:

 

1) Embaixador; 2) Ministro Conselheiro;


3) Conselheiro; 4) Primeiro Secretário; 5) Segundo Secretário; 6) Terceiro Secretário;

7) Adido. Fica claro que este último ocupa a posição mais baixa em relação aos demais, mas todos têm um papel fundamental dentro das instituições diplomáticas.

 

Mas tratando-se dos agentes diplomáticos angolanos da primeira à última categoria nota-se evidentemente uma gigantesca impreparação: o nepotismo, a corrupção, o amiguismo e o tráfico de influência é ainda um grande problema dentro do MIREX, razões pela qual a nossa diplomacia não consegue dar passos significativos porque valoriza-se muito mais o “cartão de militante” do que a competência do cidadão. O MIREX é um fracasso.


Falando especificamente dos Adidos da Cultura, é fundamental salientar que os nossos Adidos culturais são literalmente os reis das farras, festas e maratonas, não têm noção de que cultura não é só Semba-Kizomba-Kuduro (danças), mas é isso que eles mais sabem fazer, são fracos intelectualmente, esquecem-se que a investigação científica (a instrução, o estudo) fazem parte também da cultura. As nossas embaixadas não têm bibliotecas sérias, dificilmente encontras nas nossas Embaixadas bibliotecas com grandes materiais científicos, tudo porque os nossos Adidos da Cultura maior parte têm pouca formação, não conseguem ter uma mentalidade mais científica ligada à questões de natureza académico-universitária.


Este problema não verifica-se simplesmente nos Adidos da Cultura, a incompetência dos nossos diplomatas é conjuntural, vejam os Adidos de imprensa o que eles têm feito de importante a favor dos interesses nacionais e das comunidades? Nada. Os Adidos militares que segurança transmitem às comunidades angolanas? Nenhuma. Muito pelo contrário todos esses incluíndo os Ministros conselheiros e outros do corpo-diplomático das nossas embaixadas e consulados, sabem mais colectar informações do que outra coisa, perdem tempo procurando saber o que fazes e o que deixas de fazer (espionagem), esquecem-se que a função de um diplomata não inclui perseguir o próprio cidadão de forma deliberada, mas é difícil fazê-los entender isso porque desconhecem a dinâmica diplomática.


Infelizmente o MIREX não é um Ministério sério, alí não se faz diplomacia como tal, a sua péssima funcionalidade mancha o nome de Angola e dos angolanos no Exterior, é necessário que repensemos urgentemente e rigorosamente uma nova forma de fazermos diplomacia, reformas devem ser feitas e exonerações em massa precisam ser executadas.


Falta mais dinâmica por parte dos nossos Adidos da Cultura, são lentos e parados, não têm programa de mandato, não são incentivadores culturais, são mais festeiros do que outra coisa. Conheço Adidos da Cultura de várias Embaixadas, esses Adidos mostram trabalho, mostram iniciativas e criatividade, já participei de muitos convénios e encontros científicos organizado por diplomatas (Adidos) de instituições diplomáticas estrangeiras, inclusive já fui moderador e conferencista desses mesmos encontros, onde debateu-se sobre assuntos relacionado à Educação, à Economia, aos Direitos humanos, Diplomacia, Gestão de crises e Cooperação ao desenvolvimento, enquanto isso os nossos Adidos da Cultura preferem organizar farras, concursos de Semba, Kizomba, campanhas partidárias e tudo mais.


Em Diplomacia o Adido Cultural é aquele que zela pelas relações culturais entre o seu próprio País e o País na qual é acreditado, sendo este responsável pelo instituto cultural da sua própria instituição ou departamento diplomático. O MIREX precisa ser refeito/repensado no seu todo, o MIREX precisa de um dirigente de verdade e tecnocrata.


Um comando altamente competente e sério no MIREX levaria no máximo dois anos para organizar todo o Ministério. Eu começaria pelos Recursos Humanos, faria uma grande reforma (reestruturação, mudanças, testes de capacitação, exonerações) nesse sector, é aí onde está o principal problema. Os actuais quadros do MIREX não possuém características ideais exigidas pela diplomacia moderna, então se Eu estivesse no comando começaria pelo departamento dos Recursos Humanos e implementaria uma dinâmica político-diplomática diferente, de modo a trazer resultados positivos ao País, dinâmicas viradas concretamente à cooperação económico-financeira, acordos técnico-científicos, segurança, instrução, etc.


O meu programa é muito vasto, meteria em acção/prática o meu modelo diplomático (modelo progressista). Esse modelo foi criado por mim, é um modelo 100% original, em apenas dois anos o MIREX teria uma outra imagem, porque trabalho com resultados e não tolero incompetências, sou focado, visionário, estratega e altamente tecnocrata, e a diplomacia é o que Eu sou.


Eu e a Diplomacia a Diplomacia e Eu

Por Leonardo Quarenta – O Diplomata
Ph.D em Direito Constitucional e Internacional
Mestrado em Relações Internacionais e Diplomacia
Master em Direitos Humanos e Competências Internacionais

 

 



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