Luanda - Depois do relativamente previsível afastamento do CCSPR (Chefe da casa de Segurança do Presidente da Republica), general Pedro Sebastião, após dias de sucessivas exonerações dos seus subordinados no badalado escândalo de roubo de milhões de divisas e AKZs do ora famoso major Lussaty, entre versões contraditórias algo burlescas de diversas instituições e as ondas de choque naturais dentro e fora da entourage presidencial, no seio do partido da situação e arredores, face ao rebuscar – tornando mais ou menos recorrente nas varias nomeações desde o inicio do consulado do PR João Lourenço- de alguns notáveis dos meios castrenses da era eduardista como o general Francisco Furtado ou mesmo general Massano – urge perguntar, afinal Ou est le terrain presidentiel? Where is the presidential Field?

Fonte: Club-k.net

Depois da tomada de posse em 2017 aguardava-se pelo congresso do partido dos camaradas para reunir as tropas fieis. Debalde. Apesar do relativo acantonamento de algumas figuras da velha guarda, entremeado com acomodações diversas e o alargamento do CC do MPLA. Fustigado pela crise económico e social, com o crescendo do descontentamento popular, entre greves e a deriva autoritária, com a economia a procura de financiamento escasso, a tentação do diversionismo político ganhou corpo, postergando a agenda eleitoral, a boleia do avatar da pandemia.


A ascensão do general Sequeira Lourenço, irmão do PR, ao posto-chave de chefe adjunto da CSPR, sugere uma leitura alem do imediato politicamente incorrecto – a nomeação de um familiar próximo- para o terreno da realpolitik.


Independentemente de qualquer análise da estratégia (?) presidencial, será mister concluir que no baralho de cartas viciadas que abundam no inner circle da Cidade Alta, na liderança do partido dos camaradas et par contre na nomenklatura, parecem ter-se esgotado os supostos trunfos.


Nesse sentido, os partisans de la presidence de facto, seja la o que for a sua agenda politica além da consolidação do poder, não se sobrepõem ao relativo campo de indefinição, acomodação diversa, ou mesmo um pântano politico em que se transformou o campo do status quo.


A um tempo omnipotente e abalado por várias fissuras politicas, económicas e sociais, onde a corrupção endémica e a Captura do estado se exibem abertamente, a instituição presidencial vê a credibilidade dos seus anúncios seriamente abalada.


Não nos iludamos, nesta equação e na antecâmara das indefinidas eleições - a narrativa contemporânea do partido dos camaradas, remete para o recorrente instinto de sobrevivência politica, leia-se manutenção no poder, em nome da «grande família do MPLA».

Custe o que custar.

Angola exangue resiste, na esperança de um futuro democrático e de desenvolvimento.

 



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