Luanda - As filhas de Nito Alves, apontado pelo regime angolano como o cabecilha de uma tentativa de golpe de Estado em Maio de 1977, e Saidy Mingas, ambos assassinados pelas forças de segurança dizem que podem perdoar os autoresdos crimes, mas lamentam não ter tido a possibilidade de crescerem com os respectivos pais.

Fonte: VOA

Eunice Alves Bernardo Baptista, filha de Nito Alves, e Xissole Madeira Vieira Dias Mingas, filha de Saidy Mingas, fizeram estes comentários ao receberam as certidões de óbitos dos pais das mãos de Francisco Queiroz, ministro da Justiça e Direitos Humanos e coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), em Luanda na sexta-feira, 4.

 

“Isso depende de cada pessoa, no meu caso é possível, também no caso da Chissole é possível”, respondeu Eunice Baptista a perguntas dos jornalistas no final da cerimónia, lembrando que a “vida segue em frente”.

 

Ela lembrou que tinha três anos anos quando perdeu o pai e que apenas guarda a imagem do rosto dele.

 

"O pai para nós era tudo, o nosso alicerce. Não tive o carinho dele, só guardei tristeza por tudo que aconteceu”, concluiu a agora empresária.

 

Xissole Madeira Vieira Dias Mingas lembrou quesempre ouviu falar do pai como bom, amigo, mas nunca como intelectual, político e militar e espera que, agora, “os historiadores comecem a escrever sobre tudo isso, para sabermos o que aconteceu e como aconteceu.”

 

"O 27 de Maio não esteve encoberto apenas pelas autoridades, todas as casas de famílias angolanas têm uma história sobre esse dia e todas preferiram esquecer e não falar , não buscar, nem remexer naquilo que causa dor”, acrescentou a jurista e docente universitária.

 

O ministro Francisco Queiróz reconheceu que “a ausência de informação durante todo esse tempo causou muita dor e, até, exclusão social”, mas que “chegou finalmente o momento de reconciliação e de pacificação dos espíritos”.

 

Ao entregar os cartões, dando seguimento a um processo iniciado a 26 de Maio quando o Presidente João Angolano pediu perdão e desculpas às vítimas do massacre de 27 de Maio de 1977, Queiroz considerou que “chegou finalmente o momento de reconciliação e de pacificação dos espíritos”.

 

Os primeiros cartões de óbitos a órfãos de alguns dos assassinados foram entegues no passado dia 27 de Maio, na primeira homenagem às vítimas feita pelo Governo angolano em 44 anos.

 

Diversas fontes indicam que cerca de 30 mil pessoasl poderão ter sido assassinadas na altura pelas forças do regime com a ajuda dos tropas cubanas que se encontravam em Angola, suspostamente para pôr fim a uma tentativa de golpe de Estado, liderado por Nito Alves, antigo ministro do Interior.



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