Luanda - Um empresário angolano com investimentos feitos no Uganda, República Democrática do Congo (RDC) e Dubai, Emirado Árabe Unidos acusa agentes do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), de perseguição depois de ter exibido a 2 de Janeiro último, um vídeo em que aparece com malas de dinheiro, que disse não ter nada haver consigo.

Fonte: Club-K.net

Em conferência de imprensa realizada nesta segunda-feira, 07, em Luanda, Carlos Simão Kanda, 33 anos, contou que, depois da divulgação de um suposto vídeo nas redes sociais, onde se podia ver malas de dinheiro e barras de ouro e, em simultâneo apela os empresários africanos a investirem em Angola, o Presidente da República, João Lourenço “orientou” a Embaixada de Angola na África do Sul, para que fosse dado um tratamento especial ao cidadão em causa, para que se apurasse a verdadeira origem do dinheiro exibido.

 

Posto em Angola referiu o empresário, foi pressionado por agentes da secreta angolana para que trocasse de identidade de um suposto criminoso com somas avultadas de dinheiro na sua conta bancária.

 

“Eles queriam que eu trocasse com outra identidade com o nome de Policarpo Costa, alegando questões de segurança”, denunciou.

 

“Quando a Embaixada ligou para mim, eu estava no Dubai, e disseram que o Estado angolano precisava da minha presença no país, o que achei normal”, disse, acrescentando que “as autoridades compraram os bilhetes de passagem de Dubai para Uganda e depois a África do Sul, antes de vir para Angola, passando pela Namíbia”.

 

Natural do município do Sanza Pombo, província do Uíge, a vítima disse ao Club-K que os agentes do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado retiveram os seus documentos como passaporte, como passaporte, Bilhete de Identidade (BI) e o seu telemóvel, numa altura em que o Procurador que analisa o seu processo sustenta que Carlos Simão Kanda “não cometeu nenhum crime”.

 

Disse que, quando chegou a Luanda, as autoridades colocaram-no numa das vivendas no Projecto Nova Vida, onde teria sido “fortemente” interrogado sobre a origem e o seu proprietário.

 

“Eu declarei que o dinheiro que aparece no vídeo não pertencia a nenhuma entidade angolana, muito menos a mim que aparece no vídeo, mas sim pertence aos investidores estrangeiros”, revelou Carlos Simão Kanda.

 

Carlos Simão Kanda disse que não entende as motivações das autoridades que o obrigam a aceitar outra identidade – a de Policarpo Costa, o que seria necessário tratar um novo registo com este nome e “abolir” o Carlos Simão Kanda, que consta no passaporte.

 

Lamentou a intenção das pessoas em quererem associar o engenheiro e antigo secretário-geral do MPLA, Paulo Cassoma, ao caso, revelando que o vídeo não foi gravado no território sul africano, mas sim, em Kapala, no Uganda, e não foi numa fazenda, como foi divulgado nas redes sociais.

 

Carlos Simão Kanda sublinhou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) o inocentaram de todas as acusações e pede que seja liberado para seguir a sua vida no mandato de soltura nª 62/21, assinado no dia 10 de Maio de 2021, pelo Procurador José Domingos Henriques Lino.

 



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