Lisboa – A empresa “Siemens Mobility”, a quem as autoridades angolanas confiaram a construção do futuro metrô superficial de Luanda, é detida pela centenária multinacional alemã Siemens AG, cuja sucursal “Siemens Healthineers” é representada em Angola por uma empresa local TECNIMED ligada a empresários próximos ao regime.

Fonte: Club-k.net

Criada em 1847 pelo engenheiro alemão Werner von Siemens, o “Siemens AG”, foi sujeito a uma a uma reestruturação corporativa ocorrida em 2018, passando a ter uma administração separada e dedicada a quatro unidades de negócios principais: Gestão de Mobilidade, dedicada à tecnologia ferroviária e sistemas inteligentes de tráfego, Eletrificação Ferroviária , Material circulante e atendimento ao cliente. A sucursal “Siemens Healthineers” que em Angola é representada pela TECNIMED, tem as suas atividades centrada no fornecimento de maquinarias para a indústria hospitalar.

 

A TECNIMED tem como principais sócios Amadeu Mendes Fernandes, e Rui Alberto Rodrigues Coelho. Fazem ainda parte da estrutura accionista António Bastos Mendes, Ilda Maria da Costa Simões e Avelino Tavares Souto Alvarenga.

 

A sócia Ilda Maria da Costa Simões Fernandes, é uma jurista que presentemente trabalha para a “SVA – Sociedade de Advogados”, uma firma de advogados cujo dono é Antônio Van-Dunem “Toninho”, que no regime já desempenhou funções de Secretario do Conselho de ministro. “Toninho” Van-Duném, que é próximo ao casal presidencial, tem sido referenciado como estando a cooperar na sombra em missões de capitação de investimentos para o governo de João Lourenço.

 

Até poucos meses, a TECNIMED teve como Director-Geral, Rui Alberto Rodrigues Coelho, um empresário cuja irmã é esposa do general Mário António Sequeira de Carvalho, PCA da GEFI, a holding que controla os ativos empresariais do MPLA. Também conhecido por “Betinho”, este gestor faleceu no passado dia 30 de Abril do corrente ano em Luanda, vitima de Covid-19. O falecido começou os seus negócios no inicio da década de 90 como parceiro de “Toninho” Van-Duném, de quem foi colega no ensino médio (makarenko).

Em Novembro de 2015, a auditora Deloitte distinguiu Rui Coelho “Betinho” com o “Prémio Empreendedorismo” Serius pela sua qualidade de representante da TECNIMED e da SIEMENS, em Angola.


Através da TECNIMED, a SIEMENS, é a principal fornecedora de maquinaria as principais unidades hospitalares em Angola. Também fornece para a “Clinica Girassol” que tem como administrador Vasco Júnior Sabino, médico pessoal do Presidente da República, João Lourenço e amigo do falecido diretor da TECNIMED. No seguimento de uma desinteligência cujas motivações se desconhecem, a TECNIMED viu limitado o seu contrato com a Girassol, o que terá despertado a gestão da SIEMENS na Alemanha. Alega-se que a “Girassol” conta com um novo fornecedor embora a SIEMENS passou apenas a prestar trabalhos de manutenção.

 

A SIEMENS é dada como tendo certificado alguns técnicos da TECNIMED. Pelo menos, dois altos funcionários desta empresa angolana, Fernão Martins e Emanuel Castro chegaram a deslocar-se a Alemanha para uma formação certificada pela Siemens Healthineers.

 

Na verdade, a presença da SIEMENS em Angola data desta a época colônial, precisamente a 98 anos, pelo que seria em Junho de 1971 rebatizada por “SIEMENS – companhia de electricidade”. Um dos funcionários que ai esteve, no período de antes e depois proclamação da independência Nacional manteve-se nos negócios mudando-se para a TECNIMED que viria a ser constituída em 1993.

 

Segundo apurou o Club-K, a SIEMENS passou a funcionar de forma autônoma com uma sucursal própria sediada no Belas Business Park, em Talatona, Luanda. Um dos seus administradores é Sergio Oliveira Felipe, nascido na Alemanha mas de nacionalidade portuguesa.

 

Reputada pela construção do Metro de grandes cidades (como Berlin, Madrid, California, Nova Iorque, Viena, Paris e Lincoln na Inglaterra), a “Siemens Healthineers” foi contratada pelas autoridades angolanas para a construção do Metro de Superfície de Luanda avaliado em três mil milhões de dólares norte-americanos.

 

Na parceira, Angola terá uma participação minoritária, que ronda os 30 por cento, cabendo a outra parte (70%) aos agentes privados interessados em participar. No dia da apresentação, o ministro dos transportes de Angola, Ricardo de Abreu garantiu que uma vez assinado o acordo, começa o trabalho nas diferentes etapas do projecto, quer do ponto de vista nacional quer internacional, pois a pretensão é que o projecto arranque o mais rápido possível, este ano, para facilitar a vida dos cidadãos.



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