Lisboa - A visita a Angola do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa e a sua subsequente ida às ruas de Luanda, para ir engraxar os sapatos, trouxe a lume um desconhecido “micro-negócio” do filho do seu homologo angolano João Manuel Gonçalves Lourenço. Marcelo foi à rua e engraxou os sapatos num quiosque pertencente a Henrique Gonçalves Lourenço “Iko”.
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Fonte: Club-k.net

“IKO” LOURENÇO CONOTADO A FAMILIA DE  EMPRESÁRIO RUANDÊS

Ao tempo em que João Lourenço era ministro da Defesa Nacional, o jovem geólogo “Iko” Lourenço juntou-se a Giselé Bayigamba, filha de  um empresário  ruandês radicado em Angola, Alexis Bayigamba para a implementação na cidade de Luanda de cerca de 20 quiosques para os interessados poderem engraxar os sapatos. Na altura, a implementação de cada quiosques custou um milhão de kwanzas.

 

Não há conhecimento se “Iko” Lourenço avançou com este mini negócio por sugestão do pai, ou se o pai de Gisele Bayigamba  entrou com o capital. Sabe-se apenas que as quiosques foram transportadas por uma viatura ligada  ao Ministério da Defesa Nacional.

 

De acordo com apurações, estava-se num momento em que o “Iko” Lourenço pretendia lançar-se nos negócios ajudando o país na criação de postos de empregos. O seu pai João Lourenço chegou mesmo a negar-lhe um pedido que visava mediar a inserção de uma empresa no sistema de fornecimento de logística das Forças Armadas Angolanas (FAA). Lourenço acarretava a reputação de figura prestigiada no regime e não queria ver o seu nome associado em actos de favorecimentos. Não só recusou o pedido do filho como também de camaradas do partido.

 

Há fortes suspeitas de que a ligação entre “Iko” Lourenço e a familia do  empresário ruandês Alexis Bayigamba podem  não se limitar  apenas nos  negócios de engraxar sapatos. De acordo com pesquisas, o ruandês Alexis Bayigamba é o dono do grupo empresarial Milbridge holding, S.A, com sede social na República das Seychelles e com escritório de representação em Angola.

 

Em 2014, uma das suas associadas PRIMEPLAST, investiu 9 milhos de dólares em Angola, para uma fabrica de tintas em Viana. No ano seguinte, isto é em Dezembro de 2015, uma ooutra empresa sua, a PRIMECIMENT, LIMITADA, sedeada em Cabinda, viu o Presidente José Eduardo dos Santos a aprovar um negocio seu de 30 milhões de dólares para uma fabrica de tintas em Viana.

 

No seu país de origem o Ruanda, Alexis Bayigamba é próximo a família do Presidente Paul Kagame. Os opositores de Kagame no exterior acusam-lhe de ser o “ponta de lança” da família presidencial ruandesa em Angola. Em Dezembro de 2017, Alexis Bayigamba através da sua empresa AfriPrecast, abriu uma fabrica em no Ruanda inaugurada pelo Presidente Kagame. O investimento foi de 25 milhões de dólares.

 

Em Fevereiro de 2020, um opositor e acadêmico ruandês baseado nos Estados Unidos da América fez uma exposição sobre as ligações entre o regime do Kagame e Angola na qual mencionou que a referida aproximação, estreitou-se por intermédio do casamento da filha do empresário Alexis Bayigamba, Gisele Bayigamba com um filho do ministro Manuel Augusto, Elisio Augusto.

 

Charles Kambanda que é sobrevivente do genocídio do Ruanda, exemplificou que a dada altura Manuel Augusto se predispôs a usar a sua influencia junto das elites do Ruanda para mediar o conflito entre Uganda e Ruanda. O acadêmico e opositor na diáspora escreveu ainda na sua exposição que os negócios de Alexis Bayigamba em Angola tem como parceiro o Presidente Paul Kagame.

 

É também dado assente que um dos filhos de Paul Kagame que viaja com regularidade em Angola, é recebido por Alexis Bayigamba. A nível do governo, o Ministro do Interior de Angola, Eugénio Cesar Laborinho, é identificado como o alto oficial do regime a quem Alexis Bayigamba recorre para facilitação dos vistos dos seus compatriotas ruandeses em Angola.

 

Em Julho de 2019, Alexis Bayigamba participou como expositor na FILDA (ver foto ao lado). O Presidente João Lourenço visitou o seu balcão e o cumprimentou.

 

Apesar de não haver evidencias de outros negócios de outros negócios entre “Iko” Lourenço e Alexis Bayigamba para além do projecto de engraxar sapatos, há sinais de que ambos – cada um da sua forma – estão separadamente a seguir para projectos na indústria mineira. “Iko” já foi visto com entidades ligadas a Endiama.

 

Segundo apurou o Club-K, o empresário Alexis Bayigamba através da sua MILBRIDGE INDUSTRIA MINEIRA, LDA, está em vias de explorar uma mina de diamantes em Angola, que mereceu aprovação do Presidente João Lourenço no passado dia 21 de Abril. Trata-se concretamente do projecto CAPASSAPA que para além, da MILBRIDGE, integram ainda a ENDIAMA MINING (30%) e a SANGUEGI- comércio Geral e Prestação e Serviços (10%)., na qual foi lhes cedido a licença para prospecção dos jazigos primários dos diamantes numa área de 142 km2, no munícipio do Lucapa, Lunda-Norte.

 



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