Luanda - Se dúvidas havia hoje foram completamente dissipadas. O MPLA não quer que se esclareça a questão que se levantou em torno da renúncia à nacionalidade adquirida de Adalberto Costa Júnior (ACJ). No dia em que a UNITA organizou uma Conferência de Imprensa para pôr em pratos limpos o processo de candidatura de ACJ à Presidência da UNITA, exibindo inclusivê o tal documento comprovativo de renúncia tão ruidosamente exigido, o MPLA organizou as pressas e atabalhoadamente uma acção em que supostos militantes da UNITA se entregavam ao MPLA. O tal acto foi tão nojento, tão mal preparado, tão raso que os verdadeiros militantes do MPLA deveriam até se envergonhar. Definitivamente, o GAPI e todos órgãos do Estado geralmente envolvidos neste tipo de acções deveriam repensar.

Fonte: Club-k.net

É tanto amadorismo, tanto tiro no próprio pé que só põe a nú a ameaça que ACJ representa a estratégia de manutenção do poder do MPLA, muito mal concebida e, pior ainda, conduzida por João Manuel Gonçalves Lourenço. O Presidente perdeu definitivamente o norte e desviou-se 180° da rota que se propôs seguir em 2017. Daí a razão de ser do Programa " COMBATER ADALBERTO COSTA JÚNIOR ATÉ A EXAUSTÃO" oportunamente denunciado pelo Novo Jornal. Os factos hoje ocorridos e a forma vergonhosa, despudorada, atentatória aos princípios elementares do jornalismo, como os Órgãos de Comunicação Social (OCS) do Estado trataram esta matéria, deixam bem claro que não interessa ao MPLA que se esclareçam os factos em torno do XIII Congresso da UNITA que se caracterizaram pela lisura e transparência absolutas, tanto é assim que não mereceram qualquer contestação pelos concorrentes a Presidência da UNITA (5). O XIII Congresso era para a UNITA um assunto encerrado com a validação pelo Tribunal Constitucional.


A UNITA só se deu ao trabalho de prestar esclarecimentos adicionais porque 2 anos depois o MPLA, através dos seus sequazes ousou questionar a lisura dos actos que corporizaram o Congresso. O que hoje ficou demonstrado é que não há o interesse de ver isso esclarecido, pelo contrário, interessa a esta gente levantar em torno do assunto uma densa nuvem de pó para confundir a opinião pública. Ora, isto não é novidade, é aliás ontogênico na estratégia do MPLA de captura e sequestro do Estado angolano que dura há quase 46 anos.


Sujar, descaracterizar e desfigurar adversários políticos que representam ameaça séria a sua estratégia hegemônica é uma tática que tem sido usada até ao extremo pelas elites dominantes do MPLA em difetentes circunstâncias em que se sentiram ameaçadas. Foi utilizada contra Holden Roberto, Jonas Savimbi, Daniel Chipenda, Mfulupinga Landu Victor e pasme-se contra Nito Alves e agora até contra o clã José Eduardo dos Santos.


No fundo, mesmo durante a luta de libertação nacional as elites do MPLA serviram-se deste expediente sujo para afastar contestatários, revolta do leste, revolta activa, o próprio afastamento de Viriato da Cruz, são exeplos claros de que este comportamento anti-democrático faz parte da gema do MPLA. Tenho sérias dúvidas que no contexto actual em que predomina um paradigma comunicacional sustentado pelas tecnologias digitais, esta estratégia consiga vingar. O problema para o MPLA hoje não é a UNITA, não é Jonas Savimbi, não é ACJ. É uma juventude esclarecida que sofre com as políticas equivocadas do regime que empurram os jovens para o desemprego e a pobreza multidimensional. É na solução destas questões que o MPLA deveria investir toda a sua energia, mas, como não é sua vocação prefere disparar para o lado errado e protagonizar manobras de diversão para distrair os incautos. Enquanto isso, a poeira que se levanta servirá para manipular o sistema eleitoral e forjar resultados a seu favor.


Portanto, a questão da renúncia à nacionalidade adquirida de ACJ é um não assunto que se enquadra na macabra estratégia do MPLA de "COMBATER ACJ ATÉ A EXAUSTÃO" para condicionar a disputa eleitoral em 2022 e garantir a manutenção do poder pelo MPLA, ou seja, inviabilizar por todos os meios a ALTERNÂNCIA DO PODER em 2022. Mas, o contexto hoje é bem diferente e contra essas manobras o povo sofredor responderá como o próprio MPLA ensinou: A REACÇÃO NÃO PASSARÁ!!

 



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