Luanda - Foi com muita tristeza e revolta que tive conhecimento de que o Tribunal decidiu arquivar, sob alegação de insuficiência de provas, o processo-crime sobre o assassinato do antigo futebolista João dos Santos de Almeida 'Chinho', executado de forma cruel e cobarde a 8 de Julho de 2019, no município de Viana, por um grupo de marginais. Foi a escassos 100 metros, curiosamente, de uma esquadra policial.

Fonte: O Crime

Crime perfeito, incompetência ou cumplicidade dos efectivos do SIC ?

Quando se perde a vida, o bem mais precioso, ninguém muda o rumo, ninguém a devolve; mas, nestas circunstâncias, a condenação dos responsáveis é como que um alento para a família. Quanto mais não seja por a justiça ser, digamos, um acto lícito de vingança.


O caso 'Chinho' pode, agora, fazer parte de uma lista de ‘crimes perfeitos’, daqueles cujos autores conseguiram "fintar" a investigação (incompetência ou conivência). Este caso junta-se, pois, aos assassinatos do jornalista Ricardo Melo e do político Mfulumpinga Lando Victor, sem esclarecimento várias décadas depois.


Nos dois últimos casos, conforme cogitações que encontram sentido em factos já noticiados pela imprensa, existirá motivação política. E quanto a 'Chinho'?


Sem qualquer pista, avançamos, por nossa conta e risco, algumas hipóteses, sendo a primeira, talvez a mais visível, a incompetência do Serviço de Investigação Criminal (SIC). Muitos efectivos, já aqui o dissemos em várias ocasiões, agem como verdadeiros " amadores de adivinho".


A segunda é a possibilidade de os executores do crime serem elementos afectos ao próprio SIC, o órgão encarregado de investigar.


A terceira hipótese reside no alegado envolvimento de uma alta figura do nosso país, membro do MPLA, jornalista ou músico, à semelhança, tal como se comenta, do caso de Nfulumpinga Victor e Ricardo Melo.


Na quarta e última hipótese, porém, uma suposta falta de interesse dos tribunais, com magistrados que, infelizmente, também se encaixam nas malhas da corrupção.


Em Angola, sem medo de errar, não havendo estes cenários acima expostos, não é possível existir crime perfeito, porque o crime, neste país, é dominado pelos órgãos de investigação criminal.


Estão recordados dos autores dos assassinatos dos activistas Cassule e Kamulingue? Mais não digo.


O assassinato de Chinho está envolto em vários pontos negros, a começar pelo horário - em plena luz do dia - , passando pelo local, junto a uma esquadra policial, o que evidencia que os autores do crime tinham a zona sob controlo.


Outro ponto importante é a arma usada pelos marginais, supostamente de exclusividade policial. Daí que especialistas ouvidos por este jornal disseram que o autor dos disparos só podia ser alguém com domínio militar, uma vez que as regiões do corpo do ex-jogador atingidas impõem tal reflexão. Foram escolhidas por quem domina estas coisas.


De interrogações em interrogações, o telefone da vítima que ficou com o SIC quase um ano, alegadamente para ajudar a investigação, foi entregue à família sem cartão de memória, "chip" e bateria.


Ninguém ficou a saber, por exemplo, se o antigo internacional angolano recebeu ameaças de morte.


O que também não se pode ignorar é o retrato falado do SIC, que vazou para as redes sociais, sem que soubéssemos quem o fez ou qual a sua intenção.


De igual forma, também se questiona: quem foi a testemunha que descreveu aquele indivíduo como sendo o autor do assassinato de Chinho? Pode aqui ficar esclarecido muita coisa neste crime.


Retrato falado é tão-somente a representação de uma pessoa, por meio de uma imagem, segundo a abstracta descrição dos seus aspectos físicos gerais, específicos e características distintivas. O principal objectivo de um retrato falado é auxiliar uma investigação policial, diminuindo o universo de suspeitos e apresentando um rosto com características semelhantes às do suspeito procurado.


Sobre as possíveis motivações e mandantes, fala-se de crime passional, uma vez que, sempre à "boca pequena", o ex-jogador "tinha um relacionamento extra-conjugal com a mulher casada de uma alta figura do país.


Se Chinho fosse filho de alta figura do país, de certeza, hoje não estaríamos a abordar este assuntos nestes moldes.


Fá-lo-íamos já na perspectiva de detenções ou julgamento de marginais que, sabe-se lá como, acabariam eliminados numa troca de tiros com a Polícia.


Com o "filho de camponês", as coisas tomam o rumo que tomam, ou seja, ficamos, neste caso, sem conhecer o carrasco de um homem que muitas alegrias ofereceu aos angolanos, com golos ou dribles.


Estamos perante um crime perfeito, cumplicidade, conveniência ou incompetência dos
efectivos do SIC? As pessoas não podem ser mortas e os responsáveis ficarem impunes!

 



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