Lisboa - As autoridades russas revelam-se agastadas com a sua congênere angolana devido a forma como a Polícia Nacional tem hostilizado médicos russos que estão em serviço no âmbito da cooperação para a provisão de um total de 341 médicos para o Serviço Nacional de Saúde de Angola.

Fonte: Club-k.net


Um memorando de fontes diplomáticas que o Club-K teve acesso, registra que desde algum tempo a Missão Médica Russa em Angola, órgão que tutela estes profissionais, tem sido depositária de constantes reclamações por parte de médicos que enfrentam maus tratos pelos homens liderados pelo Comissário Paulo de Almeida.

 

O documento indica que só no mês de Junho, a Missão Médica Russa registrou a reclamação de dois profissionais da saúde. O primeiro caso aconteceu na sequencia de uma paciente Katarina Miguel, de 20 anos que deu entrada no Hospital Geral de Malanje, em estado muito grave no passado dia 31 de Maio, acabando por falecer. Inconformados, os familiares foram ao hospital atacar o médico russo, Vadim Reut que a assistiu a malograda resultando na agressão do mesmo, e no confisco do seu telefone.


Quando a Polícia Nacional chegou ao local prendeu o médico russo e toda equipa médica, na qual se incluíam dois finalistas angolanos do curso de medicina em estagio, três enfermeira e um supervisor. Com a detenção desta equipa, a Polícia deixou o hospital sem médico para atender pacientes durante três horas (05h – 08h). Depois de interrogados no SIC, o médico russo e a sua equipa foram devolvidos a liberdade.


O segundo incidente aconteceu no passado dia 9 de Junho, quando o Serviço de Investigação Criminal na província de Malange, prendeu um outro médico russo, Dr Davlatbek Akbarov, por entender que este não marcou a consulta para uma pessoa “influente do regime” em conformidade com a vontade do requerente.


Segundo apurou o Club-K, o paciente dirigiu-se ao hospital – sem marcação - para ser atendido no mesmo dia (segunda-feira, 7) e posto no local foi-lhe explicado que as consultas para a especialidade de dermatologia eram por marcação antecipada tendo sido proposto que aparecesse no dia seguinte. Inconformado com a segunda opção, a “pessoa influente” recorreu ao SIC alegando que lhe foi “recusado e insultado” no consultório médico resultando na abertura de uma queixa crime.


Dois dias depois, a Missão Médica Russa em Angola (MMR), através do oficio 41-GZE/ER-2021, enviou uma nota ao governador provincial, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa” protestando a conduta dos agentes do ministério do interior de quebra de protocolo levando médico, em pleno serviço para interrogatório sem uma razão plausível. A MMR pediu ao governador para por fim a estes actos dos agentes do SIC e Polícia Nacional que considera “abuso de poder”.


No dia 13 de Junho, o SIC reagiu ao segundo caso dizendo que não se tratava de um paciente “importante do regime” mas sim de um mecânico. Alegou também que não prendeu mas sim houve um convite para o médico a ir ao piquete.

 

“Em resposta à preocupação, deslocou-se à referida Clínica, um investigador que convidou o médico a acompanhá-lo ao Piquete do SIC, para prestar algumas informações sobre os factos de que era acusado, por suspeita da prática de crime, tendo-se esclarecido o facto, o médico regressou de imediato ao seu posto de trabalho.”, lê-se na resposta do SIC, enviada ao Club-K.

 

Os médicos russos em Angola estão no âmbito da cooperação entre os dois países existentes desde 1975. Para além do clima de hostilização por parte das forças da ordem em Angola, estes profissionais enfrentam problemas de atrasos dos seus ordenados por parte do ministério da saúde que não honra pagamento a Missão Médica Russa (MMR).

 



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