Lisboa – O Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço convocou na passada sexta-feira, 13, o governador provincial de Cabinda, Marcos Alexandre Nhunga, para esclarecimentos de assuntos ligados a descoordenação que o forçou adiar, uma programada visita ao enclave mais ao norte de Angola.

Fonte: Club-k.net

Lourenço havia programado efectuar uma viagem de trabalho ao enclave entre os dias 13 e 14 do corrente mês. A viagem foi cancelada, em última hora, por força do parecer de uma equipa de inspeção chefiada pelo Ministro da Administração do Território, Marcy Cláudio Lopes que ao anteceder a deslocação, alertou sob a inexistência de obras que deveriam ser inauguradas pelo Presidente da República naquela parcela do país.

 

Segundo apurou o Club-K, durante a deslocação do grupo de avanço registrou-se um clima de mal estar em que o governador Marcos Alexandre Nhunga manifestou intranquilidade pela forma como foi inspecionado pelo jovem ministro Marcy Cláudio Lopes. Este último, por sua vez queixou-se que a sua delegação foi muito mal recebida pelo governador e impossibilitado de realizar visitas aos municípios para constatar o andamento de alguns projectos (Vias do Alto Sundi, comuna do Miconji, do Yabi e outras)

 

Na sequencia do clima tenso criado, João Lourenço convocou o governador para uma acareação que teve lugar na cidade alta, em Luanda. Aparentemente áspero, Marcos Nhunga reconheceu, durante a reunião, que algumas obras deveriam estar concluídas porém por razões alheias as dificultaram no cumprimento dos prazos.

 

O Chefe de Estado por sua vez, manifestou compreensão renovando votos de confiança ao governante, tendo prometido que se deslocaria a Cabinda ainda este ano. Lourenço orientou que na próxima terça-feira (17), seguiria uma outra delegação constituída pelo Ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território e a Ministra do Ensino Superior, Manuel Tavares de Almeida, a fim de fazerem um levantamento sobre projectos em curso com realce as obras do Terminal de aguas profundas do Porto de Cabinda, da rampa de atracagem do ferryboat e do quebra-mar. Foi também confiada a delegação, a missão de realizar encontros de apaziguamento junto a população.

 

De acordo com apurações, não obstante aos atrasos das obras, terá também influenciado para o cancelamento da deslocação de João Lourenço a Cabinda, o surgimento de informações segundo as quais as populações locais planeavam recebe-lo com um protesto pacifico em retaliação ao incumprimento de promessas eleitorais. As referidas informações indicavam que o plano era aguardar o desembarque da caravana presidencial, e se seguida os populares iriam tirar do bolso um cartão vermelho para exibir no ar como sinal de descontentamento. A gráfica onde os cartões vermelhos foram imprimidos, é citada como estando já em problemas com a segurança de Estado.

 

Reagindo ao assunto, uma fonte local disse ao Club-K, que “a única solução para Cabinda é trazer um discurso novo e de execução imediata sem que tenha de esperar mais as eleições. Entregar no mínimo 50% das receitas locais sob uma gestão também local que são cerca de 1,7 bilhões de dólares ano. Isso se o MPLA pretende salvar a sua pele e resgatar algum eleitorado”, disse a fonte acrescentando que “todos os impostos locais ficam em Cabinda”.

 

“Somente se Luanda tiver esta coragem, talvez consiga abrandar a fúria do povo de Cabinda. Tudo o resto não passará de discursos demagogos do MPLA”, pontuou a fonte.

 



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