Luanda - A possível nova divisão político-administrativa do país, a realização de eleições autárquicas e eleições gerais a terem lugar em 2022, são temas recorrentes e fracturantes, os quais têm vindo a suscitar calorosos e acesos debates, levantando desmedidas expectativas.

Fonte: Club-k.net


As vezes fica-se com a impressão de que basta realizarmos eleições autárquicas, subtrair ou multiplicarmos províncias que no dia seguinte o país acorda transformado na jóia da coroa Belga.


Não é bem assim. Esses eventos (eleições gerais e autárquicas), não é que não sejam necessários e importantes, mas independemente de quem sejam os eleitos, poderão não produzir os efeitos desejados ou corresponder às expectativas dos cidadãos, se não forem seguidos os caminhos e desenvolvidas acções correctas que realmente levem o país para o caminho do desenvolvimento, da prosperidade e da melhoria das condições de vida das populações, implicando isso um verdadeiro sentido de comprometimento e patriotismo por parte dos que dirigem.


A título de contribuição, gostaria de partilhar algumas das acções, a meu ver, simples, que fizeram com que muitos paises alcançassem o desenvolvimento, sendo a omissão destas acções, a causa da situação de pobreza, mendicidade e dependência em que se encontram muitos paises, principalmente em África, mesmo possuindo enormes potencialidades e recursos capazes de alavancarem o seu desenvolvimento.


Razões que fazem com que um pais seja pobre ou subdesenvolvido.


Por incrível que pareça, são razões ou acções aparentemente exequíveis e por todos conhecidas, não sendo por isso, impossível implementá-las.


1. A falta de Infraestruturas funcionais de transporte capazes de ligarem todo o país: (boas estradas, pontes, terminais marítimos, portos, aeroportos, túneis, linhas férreas, etc). São infraestruturas que servem de apoio a actividade comercial e industrial, constituindo factores de desenvolvimento económico e social para os países que mais investem na construção e manutenção destas infraestruturas. Elas facilitam as trocas comerciais e a circulação de pessoas e bens por todo país, proporcionando o rápido e natural crescimento económico das famílias e empresas.


2. A corrupção: não é por coincidência que os países mais pobres e subdesenvolvidos, com algumas excepções, são também os paises mais corruptos e, contrariamente, os países menos corruptos são também os mais desenvolvidos. Há uma ligação directa entre a corrupção e o grau de subdesenvolvimento e pobreza dos paises, tendo como consequência o sofrimento e a pobreza das das populações. É um mal a combater sem contemplações.


3. Educação e ensino de má qualidade: escolas e universidades sem condições e professores mal preparados e remunerados produzem cidadãos mal formados e preparados para dar resposta às demandas próprias da economia, forçando o país a recorrer, com frequência, à mão de obra expatriada. É importante uma aposta séria na formação qualitativa do homem.


4. A falta de liberdade de expressão: a liberdade de expressão é um elemento importante para a exposição de actos e práticas lesivas ao desenvolvimento social e económico de um país. Quartar a liberdade de expressão é, a todo os níveis, suprimir o ambiente necessário à mudança e ao desenvolvimento.


5. A falta de boas infraestruturas de comunicação e informação: a ausência de bibliotecas, centros e bases de dados para consulta e pesquisa, a falta de acesso às plataformas digitais de informação e comunicação pela maioria é um flagrante indicativo de subdesenvolvimento.


6. Riqueza em potencial não concretizada em requeza efectiva: muitos países, principalmente africanos, transformaram-se em fontes de recursos naturais e matérias primas para os paises desenvolvidos que possuem maior capacidade de transformação destas matérias primas em riqueza efectiva em benefício das suas populações, sendo os paises que proporcionam tais matérias primas os principais compradores dos mesmos produtos já transformados, são exemplo disso a madeira, o café e outros produtos.


7. Falta de boas infraestruturas e serviços de saúde de qualidade: o índice de mortalidade infantil e juvenil é muito elevada em países com péssimas condições de assistência médica. Um sistema de saúde deficiente e precário amputa o desenvolvimento do país reduzindo a garantia e a esperança de vida dos seus cidadãos. A falta de uma aposta séria na melhoria destes serviços coloca os países menos desenvolvidos numa situação dependência, forçando os seus cidadãos a recorrerem à outros países em busca de uma assistência médica de qualidade fazendo que com os recursos que deviam servir o país beneficiem outras nações.


Podia citar outras acções e exemplos, mas penso que os que citei ilustram bem o caminho que devemos seguir para alcançarmos o desenvolvimento. Bem haja.


Simão Pedro
Jurista&Analista

 



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