Luanda - O presidente Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Francisco Teixeira, alerta, em carta enviada ao Presidente da República, João Lourenço, a situação crítica do sistema de ensino no país, que para o ano lectivo que arrancou nesta terça-feira, 31, mais de três milhões de alunos ficam fora de ensino, por não terem conseguido efectuar matrículas em nenhuma escola pública, ao que se juntam aos dois milhões de alunos que já não tinham acesso à escolaridade.

Fonte: Club-K.net

O novo ano lectivo 2021/2022, foi oficialmente aberto na província do Kuando-Kubango, em cerimónia presidida pela ministra da Educação, Luísa Grilo. Segundo o calendário escolar tornado, as aulas começam no dia 01 de Setembro e terminam em Julho do próximo.

 

Entretanto, o Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), denuncia que mais de cinco milhões de alunos ficam fora do sistema normal de ensino em todo o país, devido à falta de salas de aula.

 

Na carta enviada ao Presidente João Lourenço, em nome dos estudantes angolanos, a que o Club-K teve acesso, o líder do MEA, manifestou o seu “descontentamento, angústia e frustração, face às expectativas animadoras geradas por v/Excia, sobre a melhoria do quadro sombrio em que está votado o nosso sistema de ensino”.

 

Enquanto líder de um movimento estudantil, disse, “diariamente confrontamo-nos com aflição dos encarregados de educação que, neste momento de matrículas enfrentam imensas dificuldades para acesso à vaga dos seus filhos nas escolas públicas”.

 

Francisco Teixeira admite o esforço do governo angolano, liderado por João Lourenço, na construção e reabilitação de salas de aula, mas para o responsável do Movimento dos Estudantes Angolanos "é insuficiente para satisfazer a demanda”.

 

A carta revela que, um estudo feito pelo MEA, apurou que, no presente ano lectivo, mais de dois milhões de crianças ficam sem estudar e, a este número, juntam-se os três milhões já existentes desde os anos anteriores.

 

“É grave a situação educacional no país, pelo que pedimos a intervenção do senhor Presidente para inversão do quadro, reconhecemos que o governo que dirige tem muitas prioridades, mas apelamos mais uma vez, a sensibilidade de V/Excia, para a resolução dos ingentes problemas que enfermam o sector da educação”, lê-se.

 

No documento tornado público Francisco Teixeira solicita ao Titular do Poder Executivo, que se digne autorizar os seus auxiliares, uma dedicação especial ao que chamada de “condição deplorável em que se encontram algumas escolas em Luanda”, que de acordo com o presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos, “há muito deixaram de ser unidades orçamentadas pelo Estado, razão pela qual”, disse, “observam enormes constrangimentos para manter, inclusive, a higiene dos WC nesta fase de crise sanitária global”.

 

Referiu-se também sobre o risco das escolas se tornarem numa espécie de “bomba relógio” da pandemia da Covid-19, em função da ausência de condições de biossegurança.

 

Na carta, Teixeira encoraja o Chefe de Estado a continuar com as reformas em curso no país e que, redobre especial atenção à educação, enquanto mola impulsionadora visando o progresso e desenvolvimento nacional.

 

“Queremos ainda manifestar apoio incondicional a V/Excia, na execução das prementes tarefas do desafiante mundo da educação e, garantir que estamos prontos para eventual convite que nos possibilitará esmiuçar mais elementos sobre a questão educacional em Angola”, termina a missiva data de 27 de Agosto do corrente ano.

 

Lembre-se que, os estatutos do Movimento dos Estudantes Angolanos, referem que o MEA é uma associação cívica legal a partidária de âmbito nacional, sem fins lucrativos ligada à defesa e divulgação dos direitos dos estudantes de todo o país, registada pelo Estado angolano e publicada em diário da república, na 3°Série, n°53 de 19 de Março de 2014.

 



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