Lisboa – Faleceu sexta-feira 3, aos 82 nos de idade, Elisa Silva Andrade, a pan-africanista cabo verdiana que assumia ter as suas bases nacionalistas pela “proteção essencial dos angolanos”. Nascida na ilha de São Vicente, segundo a agência cabo-verdiana de notícias, Inforpress, faleceu vítima de doença prolongada. Encontrava-se internada no Hospital Agostinho Neto.

Fonte: Club-k.net

Ligada ao PAIGC, Elisa Silva Andrade teve proximidade com o nacionalismo angolano, quando vivia na Argélia. Foi casada com um destacado guerrilheiro angolano da Frente Leste do MPLA, o médico Carlos Pestana Heineken “Katiana”. Elisa era economista, pesquisadora e professora reformada da Universidade de Cabo Verde.


A sua ligação com Angola ficou mundialmente destacada quando no ano de 1972, participou no filme angolano “Sambizanga” de Sarah Maldoror (esposa de Mario Pinto de Andrade, primeiro presidente do MPLA) filmado no Congo-Brazzaville. O filme teve como base o livro “A vida verdadeira de Domingos Xavier” do autor angolano José Luandino Vieira.


Elisa Andrade era a personagem Maria esposa de Domingos Xavier que é levado para a prisão de Sambizanga, onde acaba sendo submetido a um interrogatório e tortura para extrair os nomes dos seus contactos da independência. O filme é contado a partir do ponto de vista de Maria, a mulher de Xavier, que vai em busca do seu marido em cada prisão, sem entender exactamente o que aconteceu, já que Xavier foi torturado e espancado até a morte.


Numa postagem de 2017, no facebook que o Club-K teve acesso, o acadêmico angolano Filipe Zau destacou-lhe como uma “Combatente de excelência, fruto da Casa dos Estudantes do Império”. Em reação, Elisa Andrade acrescentou dizendo “Caríssimo Filipe Zau, não posso deixar de o afirmar aqui que as minhas bases nacionalistas foram assentes sobre as actividades, camaradagem e proteção essencial de angolanos”.


Depois da queda do regime fascista em Portugal, que culminou com a independência das antigas colônias portuguesas, Elisa Andrade viveu em França, sendo autora de vários livros. Formou-se em economia e tinha um doutoramento em história. Em 2004, a Assembleia Nacional de Cabo Verde conferiu-lhe o estatuto de Combatente da liberdade da pátria. 


O Jornal Cabo Verdiano, A-NAÇÃO destaca que enquanto combatente da liberdade da pátria, membro da Casa dos Estudantes do Império, em Portugal, Elisa Andrade foi das primeiras mulheres cabo-verdianos a aderir à luta pela independência do seu país natal e de África.


Elisa Silva Andrade integrou, a lista dos estudantes africanos, de Angola, Moçambique e Cabo Verde, que em 1961 protagonizaram o que na época foi considerada a maior evasão de jovens quadros africanos, de Portugal para França, a fim de integrarem as fileiras dos movimentos nacionalistas.

 



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