Luanda - Algumas reacções contra os pronunciamentos de Neto Júnior, por a TPA não cobrir o “regresso” do ex-Presidente José Eduardo dos Santos ao país, revelam, por um lado, um certo desconhecimento da natureza do proceder jornalístico e, por outro lado, a maturidade da sociedade em relação aos conteúdos seleccionados para o consumo das massas.

Foto: Notícias de Angola

O Jornalimo é um campo do conhecimento como qualquer outra área. A necessidade de saber porque as notícias são como são e não como nós gostaríamos que elas fossem, não é de hoje, remonta ao século XIX, com o surgimento da Teoria do Espelho. E a resposta a esta questão está codificada nas Teorias do Jornalismo e nos Critérios de Noticiabilidade.


Quem estudou comunicação social sabe que existe nas Teorias do Jornalismo, a famosa Teoria do Gatekeeper. Para esta perspectiva, as notícias são como são não porque a realidade ou os valores-notícia assim exigem, mas porque os editores e demais gatekeepers (Direcção de Informação) assim querem.

Esta perspectiva corrobora com os pronunciamentos de Neto Júnior, administrador para a área de conteúdos da TPA, quando atribui a responsabilidade da definição da pauta à Direcção de Informação. Em face disso, a questão que se devia colocar é: quais são os critérios pelos quais a Direcção de Informação da TPA se guia para a elaboração da pauta?



Entretanto, a perspectiva do gatekeeper neste caso em concreto deixa de lado os Critérios de Noticiabilidade, designadamente, o interesse público, notoriedade, actualidade… vale dizer que, os valores-notícia são a condição “sine qua non” para a cobertura dos factos jornalísticos, sem descurar a influência das teorias no processo, como neste caso.

 

Pelo que, à luz dos Critérios de Noticiabilidade a chegada do ex-Presidente José Eduardo dos Santos a Angola devia merecer cobertura da TPA pelos critérios aludidos.

 

Não obstante, a posição da TPA sobre o presente tema tem, igualmente, respaldo na Teoria Organizacional, sendo que esta instituição é tutelada pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, sendo este um órgão auxiliar do Presidente da Respública e, concomitantemente, presidente do MPLA.



Com efeito, recomenda-se a revisão do modelo de gestão editorial dos media públicos, para conferir-lhes mais independência editorial e credibilidade, porque: com o surgimento dos novos media, “o público é mais exigente e pune o órgão, mudando de canal, quando percebe que o veículo está subestimando sua inteligência” (CAMPOS, P.17).

Jornalista Comunicólogo



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