Lisboa – O Serviço de Inteligência Externa (SIE) e a Secretária da Presidência da República de Angola para os Assuntos Diplomáticos e de Cooperação Internacional são as entidades identificadas em  “assessemts” como responsáveis pela “descoordenação” verificada na agenda que levou o Chefe de Estado angolano a efectuar uma passagem a capital americana,  Washington, antes de seguir para Nova Iorque onde o Estadista irá discursar na sede das Nações Unidas.

Fonte: Club-k.net

Há dois meses as duas entidades instruíram a Embaixada de Angola em Washington para renovar o contrato com a consultora “Squire Patton” com vista a programar uma recepção de alto nível traduzida em vista de Estado, entre o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço e o seu homologo Joe Biden.  O contrato inicialmente firmado com a “Squire Patton” era de 4 milhões de dólares passando agora para o dobro.

 

As falhas ocorridas nesta deslocação são verificadas nos seguintes pontos a saber:

 

- Os organizadores da viagem não conseguiram convencer as autoridades americanas para um encontro entre o PR de Angola com uma das  três principais figuras da actual administração, nomeadamente o Presidente Joe Biden, a vice-Presidente Kamala Harris, ou o Secretário de Estado, Antony Blinken. A visita a Washington perdeu cariz de Estado. JL teve um encontro, nesta segunda-feira (20),  com o Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan.

 

- Até sexta-feira (17), dia anterior a viagem do PR de Angola à capital americana, era dado como estando em “stand-by”, o encontro agendado para terça-feira (21), entre JL e Nancy Pelosi, a Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA. A mesma se encontrava a cumprir uma visita de trabalho a Inglaterra.

 

- Realização de um fórum empresarial promovido pela Câmara de Comercio dos Estados Unidos (AmCham) em desconexão com APIEX que também integra a delegação presidencial. Até sábado (19), data da chegada de JL, não estava estabelecido quais as empresas que iriam participar ao evento. EUA observa restrições devido a propagação do Covid-19, com proibições de ajuntamentos em conferencias pelo que foram surgindo duvidas se o fórum seria presencial  ou virtual.

 

 - Para além do encontro com o conselheiro de segurança Jake Sullivan, ocorrido  nesta segunda feira, a agenda do PR foi preenchida por uma visita  ao museu nacional da Historia e Cultura Afro-americana, e um encontro com uma equipa do Jornal “Washington Post”. Na tarde do mesmo dia seria a homenagem pelo ICCF, na qual foi anunciado como convidados especiais, o Presidente da  Colômbia e o Vice-PR do Paraguai.

 

- Delegação presidencial composta por cinco ministros, uma secretaria de Estado do ambiente, sendo que cada um deles não tem agendado encontros de trabalhos com homólogos ou parceiros norte americanos. O governador do BNA, e o PCA da APIEX também fazem parte da delegação. A ministra das finanças, Vera Daves fez se acompanhar de uma caravana de colaboradores causando despesas desnecessárias.

 

- A homenagem a JL,  por uma ONG americana  ICCF, pelo o seu empenho nos trabalhos de preservação ao meio ambiente na bacia do Okavango tem sido alvo de reparos que se apoiam numa contradição existente. O PR de Angola assinou um decreto que autoriza exploração petrolífera em zonas reservadas. A existência de tal decreto-lei levou com que Angola não fosse convidada para participar numa conferência internacional “on-line” sobre politicas ambientes, a 22/23 de Abril organizada sob auspícios de Joe Biden.

 

Para além das despesas, a escala à Washington é vista como “engodo” ao PR coincidindo com o momento em que é susceptíveis a leituras comparativas a deslocação do novo Presidente da Zâmbia que tinha agendado  um encontro com Biden, para esta semana. O encontro foi desmarcado na sexta-feira (17), porque a “vice” da Zâmbia foi discursar no parlamento do seu país tecendo comentários “anti-direitos humanos” contra os direitos dos homossexuais.

 

A administração Biden é citada como bastante exigente com os seus parceiros quanto a questão dos direitos humanos. Em breve, os EUA vão para eleições locais e os democratas temem fazer alianças ou recepções, com receios  de que venham a ser usadas para fazer campanha contra si. Na quinta-feira (16) passada a Policia angolana raptou um ativista  Luther Campos da Silva  “King”, e um outro “Tinece Neutro” queixou se de perseguição pelos homens do SIC. Na mesma semana as autoridades declararam bloqueio nas coberturas televisivas das atividades da UNITA e seus dirigentes. Dias depois recuaram da decisão sancionaria.

 

Quando ainda era ministro da Defesa Nacional, João Lourenço efectuou uma visita aos Estados Unidos da América que terá deixado os seus interlocutores fascinado  por declarar combate a corrupção e ao terrorismo. Despois de algum tempo, foi citado como tendo feito alianças com uma corrente interna do regime do MPLA avessa ao combate a corrupção. No mês passado, foi nomeada uma Presidente do Tribunal Constitucional, Laurinda Cardoso com histórico de corrupção e alianças a grupos financiadores ao terrorismo internacional. Na sua viagem a Washington, o Presidente angolano levou consigo, o ministro da Energia e água, João Batista Borges, frequentemente citado em escândalos de corrupção.

 

Com vista a restabelecer simpatias em meios norte americanos, Luanda contratou a “Squire Patton” para fazer lobby a favor do Estado angolano em Washington. A “Squire Patton” é uma firma detida por Robert Cabelly, um antigo funcionário do departamento de Estado durante a administração   Bush e a Clinton.

 

Há alguns anos Robert Cabelly, o patrão da “Squire Patton” foi levado a tribunal e acusado de violar sanções contra o Sudão, país a que ele prestava serviços de lobby. Prestou também consultoria ao regime da Guine Equatorial, Etiópia e Angola. Joaquim Espirito Santos o novo embaixador angolano em Washington não toma decisões sem antes consultar Robert Cabelly cultivando uma dependência aos trabalhos dos lobistas.

 

As falhas verificadas na deslocação presidencial é implicitamente admitida pelas autoridades angolanas. Os meios de comunicação social foram orientados a redefinir a sua grelha evitando propaganda da deslocação do Chefe de Estado, pegando-se apenas na questão da homenagem. A edição de domingo do Jornal de Angola destacou como manchete “PR João Lourenço homenageado nos EUA”. A RNA noticiou “Causas de João Lourenço pela defesa e preservação do ambiente reconhecidas mundialmente ”.

 

De recordar que está é a segunda vez que o PR  João Lourenço desloca-se a Washington nas vestes de Chefe de Estado angolano e não é recebido na Casa Branca pelo seu homologo americano.

 



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