Lisboa - O regime angolano suspeita que haja no seu interior, dirigentes ou empresários que terão financiado a UNITA, conspirando para que o partido fundado por Jonas Savimbi chegue ao poder em 2022. As suspeitas são baseadas no argumento transmitidos em fóruns internos – por quadros que se identificam como leais a JL – que questionam a sobrevivência da UNITA mesmo estando com as contas bancarias bloqueadas por ordem judicial.

Fonte: Club-k.net

'Galo Negro' continua a mover-se mesmos com as  contas bloqueadas

Em Maio deste ano, o regime bloqueou uma das contas bancarias da UNITA, depois de já o ter feito, em finais de 2020, sob alegação de que pendem contra este partido problemas judiciais a volta de um edifício comprado na província de Benguela, ao tempo da presidência de Isaías Samakuva.

 

No seguimento deste segundo bloqueio, o tribunal em Angola, penhorou 400 milhões de kwanzas nesta mesma conta bancaria do maior partido da oposição alegando de que os fundos só seriam descongelados tão logo que este partido saldasse dividas contraídas há quatro anos, a um vendedor que reclama pagamentos de serviços, para o projecto da “TV Raiar”.

 

As duvidas do regime de que a UNITA estaria a ter fontes alternativas, avolumou-se porque mesmo com o congelamento da conta onde estavam estes 400 milhões de kwanzas, este partido mesmo assim conseguiu no mesmo dia realizar a sua II Reunião Ordinária da Comissão Política no Huambo e outra atividade em Malanje. Os dirigentes da UNITA aperceberam-se do bloqueio da conta no momento em que procediam o pagamento para a hospedagem da caravana que chegava de Luanda. Segundo apurações, terão recorridos a fundos do comité Província do Huambo para cobertura das despesas o que deixou terá deixando o regime nos questionamentos.

 

Ao notar que mesmo após aos bloqueios de todas as contas bancarias, a UNITA continuava a realizar atividades outras atividades pelo país, o regime fortificou a sua convicção que poderiam ser elementos do seu interior que estariam por detrás da referida ajuda ao “Galo Negro”.

 

Em Agosto de 2021, um empresário do MPLA, Hélio Bruno Ribeiro Santos “TriXu” queixou-se ter sido ameaçado por a sua empresa ter prestado serviços a um concorrido comício realizado pela UNITA. Um outro grupo de empresário teria feito “descontos” aos serviços de hotelaria e logística.

 

Numa concedida aos filhos de Jonas Savimbi, em Maio passado, na Cidade Alta, o Presidente da República, João Lourenço, transmitiu aos seus interlocutores que tinha informações indicando que Adalberto Costa Júnior estaria a ser apoiado por alas do seu regime, que pretendem vê-lo fora do poder. Lourenço deu indicadores da sua antipatia por Adalberto transmitindo que com Isaías Samakuva as relações eram mais saudáveis.

 

Com o afastamento de Adalberto Costa Jr da liderança da UNITA, por imposição do acórdão 700/2021 do Tribunal Constitucional, o ministério das finanças restabeleceu os pagamentos da conta bancaria do grupo parlamentar do “Galo Negro”, que andavam em atraso desde alguns meses. No interior da UNITA, a reposição das verbas, foi interpretado como um artificio do regime para coloca-los uns contra os outros comprometendo a reputação de Isaías Samakuva.

 

As suspeitas iniciais do regime era de que os alegados apoios a UNITA poderiam estar a vir da filha de Eduardo dos Santos. Estas suspeitas perderam importância depois das contas de Isabel dos Santos terem estado bloqueadas em Angola, desde 2019.

 

Em Maio deste ano, Adalberto Júnior realizou uma viagem a procura de apoios diplomáticos no Oeste de África, e a Alemanha. A versão que o regime colocou a circular era de que o mesmo estaria a caminho de Espanha para receber “malas” de dinheiro das mãos de Eduardo dos Santos. Desde que JES chegou ao país, no passado mês de Setembro, o regime parou de usar o nome como “financiador” da UNITA, liderada por Adalberto.

 

Nas redes sociais, um conhecida “brigada digital”, conotada ao regime tem estado a reproduzir textos instigando militantes da UNITA, a debaterem a nível da comissão política eventuais apoios que este partido recebeu durante a vigência de Adalberto Costa Jr. A referida pressão é paralela, a disseminação de outros textos de Carlos Alberto prometendo fazer uma reportagem no seu Jornal provando de que o deposto líder da UNITA terá supostamente pago 500 mil kwanzas a membros do partido para saírem em sua defesa nas reuniões partidárias. Antigo membro da ERCA pela UNITA, Carlos Alberto é um oficial do SINSE, citado como estando a disposição do general Ferreira Tavares, responsável pelo trabalho de provocar roturas na UNITA, aliciando os seus membros.

 

Entretanto, fontes da UNITA fizeram saber que o IBAN do partido tem sido solicitado pela sociedade angolana para contribuições, mas que em nenhum momento o “Galo Negro” irá ao banco pedir a identificação dos contribuintes, para saber sobre as suas cores partidárias.

 



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